Mortal Kombat completa 30 anos de muito sangue e brutalidade

Hoje celebramos as três décadas de Mortal Kombat, com histórias e curiosidades sobre esta estreia marcante do mundo dos jogos.



Em 8 de outubro de 1992 chegava aos arcades o primeiro do que seria uma aclamada franquia de jogos de luta ultra-violentos. Mortal Kombat (Multi) era controverso, violento e realista para os padrões da época, características que o fizeram catapultar diretamente para a lista de clássicos dos videogames.

Com um tom satírico e muito sangue, o game mudou a indústria em sua base, lançando uma onda de violência que só seria possível de comparar à DOOM (Multi) de 1993. Tantas foram as mudanças que o sistema de classificação indicativa americano foi alterado, e o jogo entrou para o hall da fama.

O nascimento do Kombate


Com o então sucesso de Street Fighter II (Multi) da Capcom, a Midway queria uma resposta à altura e começou a juntar uma equipe em 1991 para criar seu próprio jogo de sucesso de luta. Os criadores Ed Boon e John Tobias tinham a ideia de um projeto voltado para a temática de ninjas, mas a empresa negou logo de cara. Isso porque o plano original era fazer uma adaptação do filme Soldado Universal, em que o protagonista era Jean-Claude Van Damme

Após o fracasso das negociações, a ideia do jogo de luta focado em Ninjas de Boon e Tobias voltou a ganhar espaço entre os acionistas, conseguindo aprovação e orçamento de apenas um milhão de dólares. A equipe inicial era composta por Boon como programador, Tobias e John Vogel como os artistas principais e Dan Forden como designer de som.

Em uma entrevista, Ed chegou a citar que as principais marcas que seriam responsáveis por carregar a franquia por toda vida, eram desde o início da produção seus principais diferenciais.
"Desde o início, uma das coisas que nos separava de outros jogos de luta eram os movimentos malucos que colocamos nele, como bolas de fogo e todos os movimentos mágicos, por exemplo."
O jogo levou dez meses para ser finalizado, e chegou aos arcades em 1992. Já no ano seguinte, as versões de consoles foram oficializadas na campanha "Mortal Monday" e chegaram às lojas em setembro de 1993 para Super Nintendo, Mega Drive, Game Gear, Game Boy e Master System.

Mortal Combat ou Dragon Attack?



Mesmo em estágio avançado de produção depois de seis meses de trabalho, a equipe não tinha um nome para o projeto. Segundo Boon, a equipe não conseguia bolar um nome que fosse marcante e original. Entre as ideias iniciais sugeridas estavam Kumite, Dragon Attack, Death Blow e Fatality.

A criação do icônico nome tem duas versões diferentes na equipe. Para Boon ela veio quando Steve Ritchie, designer do Pinball, viu a palavra "Kombat" em um quadro da empresa e sugeriu o nome Mortal Kombat. Para Tobias o nome veio no processo de registro da marca. Mortal Combat havia sido escolhido, mas por questões legais o C foi trocado pelo K, o que acabou marcando a grafia dos textos da série até os dias de hoje.

Violência, cultura oriental e misticismo



John Tobias falou sobre suas inspirações em uma entrevista de 1994. Para o artista, toda a história e de criação dos personagens partiu da mitologia chinesa, tendo boa parte sido retirada das histórias e rumores sobre os monges Shaolin da vida real. Esses eram conhecidos por seus treinos rigorosos de luta e meditação, em um intuito de fortalecer a mente e o corpo dos praticantes.

Entre as influências, Tobias cita também o filme Os Aventureiros do Bairro Proibido de 1986, filme que retrata com humor o misticismo e o sobrenatural envolvendo a cultura chinesa. Mas as maiores contribuições para o artista foram os filmes de Tsui Hark, cineasta de Hong Kong conhecido por explorar o subgênero Wuxia, que abordava artes marciais e fantasia.

Sobre o processo de criação de personagens, ele cita que a ideia partia de conceitos gerais e se aprofundava em aspectos mais específicos sobre o personagem.
"Primeiro nós pensamos no tipo, como ela ou ele e se ela/ele será grande ou pequeno. Então pegamos o tema do personagem, como ninja ou robô. Daí desenhamos o figurino, e enquanto fazemos isso nós criamos o enredo e como ele/ela se encaixa no universo. E por fim vamos encontrar um ator que se assemelhe ao nosso personagem."

Segredos da produção



Mortal Kombat quebrou paradigmas quando foi lançado, por usar moldes digitalizados de atores que foram filmados, o que era diferente do padrão da época de desenhos feitos à mão. Apesar disso, algumas limitações técnicas apareceram para complicar a história. 

Um jeito de contornar essa situação e ter uma gama maior de personagens foi a implementação do design dos ninjas, que se alternavam apenas na cor e garantiam novos personagens.  Nos primeiros jogos da série, Scorpion, Sub-Zero, Reptile, Smoke, Rain e Ermac tinham o mesmo design, se diferenciando apenas em suas paletas de cores.

O game também é famoso pelos segredos escondidos em seu núcleo. Diversos personagens, games e easter eggs foram introduzidos já no primeiro título. Um dos mais famosos detalhes é o famoso "Toasty!", quando o jogador dá um gancho no queixo do oponente, no canto inferior da tela a imagem de Dan Forden falando "Toasty!" aparecia.  Essa é uma referência a uma piada interna da equipe, já que quando Tobias estava perdendo nos jogos, sempre falava que estava "frito”.

Sucesso em diversas mídias


30 anos depois do lançamento de seu primeiro título, a franquia Mortal Kombat alcançou a marca de mais de 20 jogos lançados, sendo 11 deles da sua linha de história principal. Em outras mídias foram feitas três adaptações filmes live action. Esses foram: Mortal Kombat de 1995, Mortal Kombat: Aniquilação, de 1997 e Mortal Kombat de 2021. 

Na área das animações foram feitos também três longas, Mortal Kombat: The Journey Begins, Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion e Mortal Kombat Legends: Batalha dos Reinos. Uma série focada em Kung Lao chamada Mortal Kombat: Conquest também foi ao ar em 1998, assim como Mortal Kombat: Legacy, que foi ao ar no Youtube em 2011, ganhando uma segunda temporada em 2013.

Legado



Marcado também por polêmicas, a série nasceu em um ambiente controverso, o que foi favorável ao seu sucesso. Devido ao conteúdo de extrema violência, o primeiro jogo pavimentou a criação da ESRB, o sistema américo-canadiano de regulação de games e classificação de idade.

No mercado, seu nascimento foi seguido por uma avalanche de cópias baratas que tentavam emular a essência de Mortal Kombat. A IGN já falava sobre esse problema ainda na década de 90.
"Ondas de imitadores começaram a inundar o mercado, enchendo os fliperamas com um mar de sangue de jogos como Time Killers, Survival Arts e Guardians of the Hood. Mortal Kombat inaugurou uma era de jogos de exploração, tanto em consoles quanto em arcades, todos envolvidos em uma batalha para ver quem consegue colocar mais sangue e tripas em uma tela de baixa resolução."
E com todo esse barulho, o game se consolida hoje como o início marcante de uma franquia recheada de exageros e muita renovação, começando assim um novo ciclo a cada entrada na série. Quem sabe quantos mais litros de sangue nos esperam em um provável Mortal Kombat 12?

E vocês, como tiveram contato com o primeiro título da série? Têm boas memórias?

Revisão: Juliana Piombo dos Santos


Redator publicitário em tempo integral e amante de games nas horas vagas. Provavelmente aprendi a segurar um controle mais rápido do que uma mamadeira. Cresci com os maiores clássicos da Big N como Zelda, Mario e Pokémon. Hoje aproveito os pequenos momentos de descanso da vida corrida para me perder em Hyrule, em uma Tóquio pós-apocalíptica ou em um mundo de encanadores e cogumelos.
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