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Análise: SD Gundam Battle Alliance (Multi) é mais um jogo de anime com apelo apenas para os fãs

Reforçando um velho estigma, temos outro produto voltado a quem curte o universo Gundam, mas sem elementos para agradar aos demais.

em 06/09/2022

A série Mobile Suit Gundam é uma das mais tradicionais da animação japonesa. Desde 1979, o universo caracterizado por intensas batalhas travadas por robôs gigantes, tramas políticas e conflitos pessoais é um dos mais referenciados e cultuados da cultura pop nipônica, chegando a romper fronteiras e conquistar uma verdadeira legião de fãs ao redor do mundo.

Na análise de hoje, vamos conferir mais uma obra diretamente baseada nesse gigantesco universo com uma história original que vai mesclar novamente as inúmeras histórias já criadas na série com SD Gundam Battle Alliance, um game de ação que, assim como a grande maioria dos jogos baseados em animes, é uma boa pedida apenas para quem já é fã da obra, e não se mostra tão interessante para quem nunca sentou no cockpit de um Mobile Suit.

Corrigindo um mundo falso

A trama de SD Gundam Battle Alliance gira em torno do G: Universe, um mundo onde fatos marcantes da história da série Gundam estão sofrendo alterações imprevisíveis. O jogador assume o papel de um piloto de Mobile Suit que deve liderar um esquadrão para corrigir as alterações deste mundo por meio de intensas batalhas para não deixar que a história seja ameaçada por fatos não canônicos que podem trazer consequências catastróficas no espaço-tempo.


Na companhia de mais dois pilotos, controlados pelo computador ou por outros dois jogadores em modo online, devemos combater alguns dos mais poderosos Mobile Suits da história da série Gundam e colocar a linha do tempo de volta nos eixos. Um trabalho que exigirá habilidade, técnica, coragem e, principalmente, paciência.


SD Gundam Battle Alliance é um RPG de ação que tem como principal característica a apresentação dos famosos Mobile Suits em um estilo artístico chamado de Super Deformed (SD). A arte é fundamentalmente representada por personagens com uma estatura baixa e a cabeça desproporcionalmente maior que o corpo, dando um tom caricato e mais voltado ao humor. A série Gundam já recebeu outras entradas nos games usando esse estilo visual, diga-se de passagem.

Nossa principal atividade no game são batalhas em missões para corrigir a linha temporal. Cada fase conta com um evento histórico que faz parte do cânone original da série, mas que em determinado momento sofre uma interferência que ocasiona a invasão de algo ou alguém que vai mudar a história.


Para cada fase, o jogador tem à sua disposição uma generosa frota de Mobile Suits para escolher, cada qual com suas habilidades e técnicas especiais únicas, que podem fazer muita diferença no desempenho do piloto na conclusão de uma missão.

Os inúmeros MS disponíveis são categorizados com base em três especialidades: balanceados, especialistas em ataques corpo a corpo e à distância. Eles têm também atributos-base para dar bônus especiais, como incrementos de pontos de vida, mais eficiência no estilo de ataque do mecha ou aumento na velocidade de recarga das armas e habilidades especiais.

Ao completarmos missões, fichas são obtidas para liberar novos MS, se tornando uma das atividades que mais podem engajar o jogador, além da história, que é contada de uma forma que lembra bastante uma visual novel. Alguns trechos são interessantes para ajudar a explicar a trama principal, mas como é comum neste gênero, muitas cenas que são puro filler, só pra “encher linguiça” mesmo.

Ação moderada e enrolação em excesso

Um dos principais problemas que tive durante minha jogatina em SD Gundam Battle Alliance não diz respeito à jogabilidade, que é precisa e simplificada, nem aos gráficos, que são caprichados, e menos ainda ao som, que conta com uma vasta biblioteca de músicas oriundas das séries animadas. O que deixou minhas sessões de jogo entediantes foi o ritmo repetitivo e pouco inspirado da progressão no game.


Basicamente, o jogador deve selecionar fases que variam entre as etapas de missões falsas e verdadeiras para deixar a linha do tempo em ordem, seguidas de cutscenes de diálogo entre as duas personagens principais que auxiliam o jogador durante a campanha. A história original é cheia de detalhes e deve agradar a quem tem uma boa carga de Gundam na memória, pois diversos eventos-chave protagonizados por icônicos personagens da franquia estão presentes

É muito legal interagir com Amuro Ray (Mobile Suit Gundam), Heero Yuy (Gundam Wing) e Shiro Amada (Mobile Suit Gundam: The 08th MS Team) em momentos bem-adaptados de importantes acontecimentos presentes na animação, embalados pelas trilhas sonoras originais e/ou adaptadas e diálogos marcantes. É um deleite para os fãs que com certeza vão gostar de relembrar alguns momentos relevantes de cada uma das séries representadas no G: Universe.


Mesmo com esse cuidado para honrar o legado da franquia, o game ainda sofre do clássico problema de conseguir agradar apenas a quem conhece a franquia. Isso é recorrente em jogos baseados em animes, que raramente conseguem gerar algum apelo para quem nunca teve contato com a obra original.

Historicamente, existem jogos de animações japonesas que conseguem ganhar atenção fora da bolha dos fãs, como Dragon Ball FighterZ (Multi), que é um dos títulos de luta mais populares da atualidade e possui uma comunidade que não se limita apenas aos fãs das aventuras de Goku e seus amigos.

Entretanto, mesmo com uma boa qualidade da apresentação neste aspecto, o ritmo de jogo em Battle Alliance peca por trazer missões curtas e muito semelhantes entre si, além de diálogos em excesso durante as fases, que tiram a atenção do jogador durante os combates.

Monotonia à vista

Depois de cerca de meia dúzia de investidas para corrigir o tempo, alternando entre sessões de conversa entre as duas gurias que nos guiam na campanha, a monotonia começa a ganhar força em Battle Alliance, somada à necessidade de fazer grinding jogando missões novamente para obter mais recursos para aprimorar seus MS. Isso sem falar da problemática câmera, que precisa ser ajustada quase que o tempo todo.


O combate é legal, lembrando o estilo musou, e os controles são precisos, simples e fáceis de dominar, mas o ritmo repetitivo em diversas missões que mal duram 10 minutos, em média, acabam denunciando que uma das principais atividades do game é colecionar as fichas que desbloqueiam os demais Mobile Suits. Para quem tem um espírito colecionista, essa atividade se torna um grande motivador para a jogatina, somada à obtenção de peças para melhorar cada um dos mechas e grana para elevar o nível deles.


Já quem não curte muito essa atividade pode, em dado momento, acabar caindo no abismo do desinteresse e, no melhor dos casos, até continuar jogando dando vários saltos na história e focando apenas no progresso para concluí-la e aumentar sua coleção de Mobile Suits. Largar o jogo se torna uma opção tentadora caso estes pilares (jogabilidade, história e colecionar MS) venham a ruir no meio do caminho.

Mais um game para os fãs

SD Gundam Battle Alliance é mais um produto que sofre do estigma dos games baseados em animes, visto que possui elementos que serão melhor aproveitados e valorizados por quem curte o produto original. Apesar da ótima qualidade com diversos elementos para agradar aos fãs, a repetitividade e falta de inspiração na progressão não contribui para atrair o interesse de mais jogadores, mesmo os que nem saibam o que é um Mobile Suit.


Prós

  • Os modelos SD dos Mobile Suits são bem carismáticos;
  • Jogabilidade simples e fácil de dominar;
  • A trilha sonora original valoriza a experiência;
  • Muito conteúdo para quem é fã da série Gundam.

Contras

  • Ritmo de jogo repetitivo e com progresso lento;
  • O controle da câmera é bem ruim;
  • Multiplayer limitado ao ambiente online;
  • Apelo baixo para quem não conhece a série Gundam.
SD Gundam Battle Alliance — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 5
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Bandai Namco Entertainment

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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