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Análise: Capcom Arcade 2nd Stadium (Multi) é uma boa alternativa para poupar fichas e vidas nos clássicos dos fliperamas

Jogue até cansar em máquinas que nunca dava tempo para aproveitar porque sempre tinha alguém que chegava cedo no arcade.

A Capcom não está dando descanso para os nostálgicos de plantão. Após acertar o coração dos fãs de jogos de luta com Capcom Fighting Collection, chegou a hora de empilharmos nossas fichas e fazermos fila na frente do fliperama, pois temos uma nova reunião de clássicos com Capcom Arcade 2nd Stadium. Por isso, escolha sua máquina favorita, junte algumas moedas e, se perder, passe a vez para o próximo!

Entre favoritos e pérolas ocultas

Ao todo, temos à disposição 32 novos jogos para apreciar, a maioria com suas versões japonesas e americanas. São os seguintes:
  • SonSon (1984)
  • Savage Bees (Exed Exes - 1985)
  • GunSmoke (1985)
  • The Speed Rumbler (1986)
  • Hyper Dyne Side Arms (1986)
  • Hissatsu Buraiken (Avenger - 1987) — Apenas ROM JP
  • Black Tiger (1987)
  • Street Fighter (1987)
  • Tiger Road (1987)
  • 1943 Kai (1987) — Apenas ROM JP
  • Last Duel (1988)
  • Rally 2011: LED Storm (1989) — Apenas ROM US
  • Magic Sword (1990)
  • Three Wonders (1991)
  • The King of Dragons (1991)
  • Block Block (1991)
  • Knights of the Round (1991)
  • Saturday Night Slam Masters (1993)
  • Eco Fighters (1994)
  • Pnickies (1994) — Apenas ROM JP
  • Darkstalkers: The Night Warriors (1994)
  • Night Warriors: Darkstalkers’ Revenge (1995)
  • Street Fighter Alpha (1995)
  • Mega Man: The Power Battle (1995)
  • Street Fighter Alpha 2 (1996)
  • Super Puzzle Fighter II Turbo (1996)
  • Mega Man 2: The Power Fighters (1996)
  • Vampire Savior: The Lord of Vampire (1997)
  • Capcom Sports Club (1997)
  • Super Gem Fighter Mini Mix (1997)
  • Street Fighter Alpha 3 (1998)
  • Hyper Street Fighter II (2003)
Por mais que a premissa, bem com as funcionalidades, seja idêntica à da primeira edição, lançada no ano passado, ainda assim podemos notar algumas novidades.

A primeira é que desde o lançamento o usuário poderá comprar os jogos que quiser de maneira individual, e não por lotes. Vale lembrar que em Capcom Arcade Stadium primeiro foram vendidos pacotes fechados e só depois liberada a aquisição separada. Além disso, o recurso de invencibilidade, ainda que adquirido à parte, agora é gratuito.

Quem fizer o download do 2nd Stadium, recebe gratuitamente a ROM de SonSon. Além disso, compradores que fizerem a aquisição até uma certa data, também receberão a ROM de Three Kingdoms, que conta com três jogos em um. Os donos do Fighting Collection também têm direito a esse segundo título.

Uma coisa interessante é que, se desta vez temos menos títulos que possibilitam mais de 2 jogadores — apenas três —, por outro lado, há uma variedade maior de gêneros. Além de muitos títulos de ação, tiro e luta, temos também quebra-cabeças e um representante esportivo: Capcom Sports Club, que traz disputas de basquete, futebol e tênis. Isso pode ser uma surpresa para quem conhece a Capcom só pelo seus trabalhos após o final da década de 1990.

Entretanto, por mais que 32 opções sejam um número muito satisfatório, somos obrigados a levar em consideração algumas repetições que poderiam ser evitadas. Dos 10 jogos presentes em Capcom Fighting Collection, seis deles foram usados novamente: a trilogia Darkstalkers, Super Gem Fighter Mini Mix, Super Puzzle Fighter II Turbo e Hyper Street Fighter II. Além disso, o primeiro Street Fighter, bem como a trilogia Alpha/Zero, também já deu as caras em outro compilado, o Street Fighter 30th Anniversary Collection.

Esses 10 gabinetes repetidos poderiam muito bem dar lugar a outras pérolas deixadas de fora, como Trojan (1986), Capcom Baseball (1989), Alien vs. Predator (1994), Buster Bros. (1989) e Super Buster Bros. (1990), só para citar algumas. Ainda assim, é bom ter raridades como Mega Man: The Power Battle, Mega Man 2: The Power Fighters e Saturday Night Slam Masters — pelo menos para mim, que sou o doido dos jogos de luta.

Outro carinho que os fãs mereciam seria a inclusão de uma galeria. Com tanta história assim, com certeza o material envolvendo promoções, artes originais das cabines e até a produção de cada um desses títulos, ou das franquias como um todo, seria de encher os olhos.

Como se fosse no fliperama, mas em casa

Os jogadores até podem sentir falta do ambiente colorido e barulhento dos fliperamas, mas as opções de customização conseguem ajudar a diminuir essa saudade. É possível curtir na disposição normal da tela, no formato 4:3, e preenchendo as laterais com algumas das inúmeras ilustrações disponíveis. Além disso, existem filtros que simulam as scanlines e intermitências dos ecrãs de tubo dos anos 1980 e 1990.

Para quem quiser ver a cabine, também é possível utilizar uma disposição 3D, na qual temos a visão do gabinete e da tela, levemente inclinada, e até “colocamos a ficha” antes de cada partida. Também há opções de máquinas com decalques diferentes, mas com bem menos variedades que os papéis de parede 2D.

Outras modernidades adicionadas foram a possibilidade de diminuir e aumentar a velocidade do jogo, ideal para quem está com dificuldades (principalmente nos jogos de tiro) ou quer acelerar algumas cutscenes, e a de rebobinar. Essa segunda realiza um retrocesso de até 10 segundos no tempo, nos permitindo retomar algumas decisões que não podem ter sido muito boas. Além disso, temos à nossa disposição 32 espaços para salvar nosso progresso a qualquer momento, o que é uma mão na roda para quem precisa parar no meio de uma partida e não quer perder o seu progresso.

Os botões são personalizáveis para cada jogo, o que é ótimo para mapear os comandos básicos e as funcionalidades da coletânea da maneira que mais lhe agradar. Entretanto, isso pode se perder um pouco com os jogos de luta, que têm bem mais funcionalidades que os demais títulos, mas não é algo que chega a ser um incômodo muito grande. Também existe a possibilidade de customizar as partidas, definindo o nível de dificuldade, com quantos pontos é possível ganhar uma vida extra, a velocidade inicial e se haverá o uso da já citada invencibilidade.

Exceto por Rally 2011: Led Storm, que só pode ser jogado sozinho, todas as outras ROMs possibilitam pelo menos dois participantes, seja cooperando, revezando ou se enfrentando. Isso só aumenta a diversão e o fator replay, com partidas rápidas e variadas. A única falta é a impossibilidade de buscar um parceiro online. 

Com certeza esta coletânea funcionaria muitíssimo bem com partidas em rede. As únicas funcionalidades globais que ela possui dizem respeito ao ranking mundial de pontuação por jogo e aos desafios semanais. É uma boa adição, bem como os já conhecidos desafios de tempo e de pontuação, mas ainda assim faz falta poder jogar em rede a qualquer momento que desejar.

Nunca mais gaste fichas!

Capcom Arcade 2nd Stadium é uma coletânea muito competente, que mantém o ritmo do sua “antecessora” e consegue até ser mais interessante e variada. O modelo de compra individual pode até nos fazer pensar que poderia ser mais prático apenas publicar ROMs novas para o primeiro jogo, mas ainda assim a ideia de juntar tantos nomes importantes e até desconhecidos continua sendo sempre ideal para matar a saudade dos nostálgicos e apresentar para os novatos.

Prós

  • Inclusão de gêneros que não estavam presentes no compilado anterior;
  • Cada título pode ter sua jogabilidade customizada, desde os botões até a dificuldade;
  • 32 espaços para saves, praticamente um por jogo;
  • Diversas opções de papéis de parede e filtros de tela;
  • Recursos como redução de velocidade, rebobinar e invencibilidade tornam as coisas mais divertidas.

Contras

  • Ausência de um multiplayer online;
  • Alguns títulos duplicados com outras coletâneas;
  • Ausência de uma galeria ou qualquer tipo de memorabilia.
Capcom Arcade 2nd Stadium — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela Capcom

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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