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Análise: Grindstone (Multi) — quebrando tudo em um expressivo e viciante puzzle

Prepare-se para gastar inúmeras horas neste título indie bem pensado e variado.


Grindstone traz o conceito clássico de puzzles de combinar misturado com muitos elementos estratégicos, o que resulta em uma aventura acessível e difícil de largar. As mecânicas principais são bem simples, porém equipamentos, itens, inimigos e vários outros detalhes adicionam camadas de complexidade. Essas qualidades, em conjunto com vasto conteúdo e apresentação charmosa, fazem com que esse puzzle seja imperdível.

Derrotando monstros em sequência

Uma montanha atrai aventureiros de todo canto, pois o local está repleto de Grindstones, joias brilhantes muito valiosas. O único problema é que elas são guardadas por Grudentos, pequenos monstros que atacam em grupos imensos, o que torna difícil a obtenção das pedras preciosas. Um dos indivíduos que dá conta da tarefa é Jorj, um bárbaro que sonha com juntar dinheiro suficiente para poder sair de férias com sua família. Para isso, ele precisará enfrentar os perigos da montanha e coletar o máximo de Grindstones que conseguir.

Em cada estágio, Jorj precisa derrotar um número específico de inimigos para abrir a porta de saída. Para isso, partindo do protagonista, precisamos criar um caminho por monstros da mesma cor, que são fatiados em sequência. Acertar dez ou mais criaturas no mesmo movimento faz surgir Grindstones, que permitem mudar a cor da rota. Ou seja, para se dar bem nos estágios é essencial formar cadeias longas com a ajuda das joias coloridas.


A progressão do puzzle é por turnos e Jorj só avança quando ativamos o botão o botão de confirmar. Com isso, há tempo de sobra para pensar nas melhores rotas. Isso não significa que a aventura é isenta de perigos, pelo contrário: os monstros são agressivos e atacam o herói, e há também inúmeras armadilhas pelo caminho. Para deixar as coisas ainda mais complicadas, muitos dos inimigos e obstáculos exigem um tamanho de combo mínimo para serem destruídos — fazer sequências longas é essencial para sobreviver.

Com as Grindstones e outros itens coletados pelos estágios, podemos montar equipamentos, como escudos, armas, poções e roupas. Os efeitos são bem diversos: uma poção permite pular para qualquer ponto do tabuleiro, uma roupa de Papai Noel às vezes faz surgir presentes com recursos, flechas venenosas são ótimas para drenar a vida de monstros resistentes e muito mais. A variedade de itens é boa e traz um elemento estratégico às partidas.



Simplicidade que empolga

A receita de um bom puzzle envolve não inventar mecânicas exageradamente mirabolantes, mas também não pode ser bobo demais. Grindstone consegue equilibrar esses dois extremos em uma experiência muito viciante — perdi a conta das vezes que pensei “vou jogar só mais uma fase” e quando dava por mim já tinha passado mais de uma hora cortando monstrinhos coloridos.

Ligar inimigos da mesma cor é bastante intuitivo e simples, mas a graça está em fazer os caminhos complexos: com um pouco de estratégia (e uma pitada de sorte), é possível montar sequências cruzadas imensas capazes de limpar o tabuleiro. É difícil não ficar empolgado quando criamos uma jogada incrível e o visual caricato contribui para isso — Jorj se move de maneira bastante exagerada e a intensidade do som da pancadaria aumenta de acordo com o tamanho do combo.



A variedade de desafios também surpreende. Algumas fases são mais estreitas, o que dificulta fazer sequências longas o suficiente para derrotar os monstros maiores. Certos estágios contam com inimigos que perseguem Jorj, mudando a dinâmica da progressão. Já em outros locais, o desafio é evitar inúmeras armadilhas. Elementos são introduzidos com frequência, o que ajuda a manter a sensação constante de novidade, além de nos forçar a reinventar estratégias.

Como outros representantes do gênero, Grindstone tem alguns problemas chatos. A organização dos monstros nos estágios tem elementos de aleatoriedade, o que às vezes cria situações injustas ou que comprometem o ritmo do jogo. Há também alguns picos de dificuldade estranhos, com algumas fases muito mais complicadas sem motivo algum. Por fim, etapas de uma mesma região se parecem demais entre si. Por sorte, a jogabilidade ágil ameniza o impacto desses pontos negativos.



Em um universo vasto e excêntrico

Um mundo vibrante e convidativo espera aqueles que se aventurarem pela montanha Grindstone. Os personagens e inimigos são bem expressivos e coloridos, lembrando um desenho animado extravagante. Há também muita violência, com Jorj literalmente fatiando os monstros em cubinhos, com pedaços e sangue multicor voando por todos os cantos — pode parecer grotesco, mas o estilo caricato torna leve a ação. Uma música suave estilo lo-fi dita o tom relaxante da aventura, com algumas faixas mais agitadas para os momentos de tensão.

Talvez a característica mais impressionante de Grindstone seja a quantidade de conteúdo. A campanha principal tem mais de 250 fases, com direito a caminhos alternativos e segredos. Jorj pode equipar uma grande gama de equipamentos, que são capazes de mudar as partidas. Além disso, há inúmeros modos adicionais, como desafios diários com regras distintas, missões semanais com prêmios exclusivos e uma maratona de enfrentamento de chefes. O jogo continua recebendo conteúdo inédito desde o lançamento inicial em 2020 no serviço Apple Arcade.



Um quebra-cabeças excepcional

Grindstone mescla ideias simples e execução impecável para criar um puzzle completamente viciante. Criar rotas para derrotar vários monstros coloridos de uma vez é bem intuitivo, sendo muito divertido conseguir usar diferentes elementos para fazer jogadas complexas e com sequências longas. O conceito principal é básico, porém uma grande variedade de situações, inimigos e equipamentos oferece diversas opções táticas.

Além da atmosfera vibrante e colorida, há um vasto mundo de conteúdo para explorar em diferentes modos e fases. Claro, às vezes a organização de monstros parece injusta e alguns estágios são similares demais, porém são detalhes que pouco atrapalham a experiência. No mais, Grindstone é mais um daqueles puzzles difíceis de largar.

Prós

  • Mecânicas simples de entender, mas com muitas nuances a serem dominadas;
  • Boa diversidade de estágios, inimigos, equipamentos e situações;
  • Quantidade imensa de conteúdo;
  • Atmosfera charmosa com visual cartunesco e música suave.

Contras

  • Aleatoriedade e picos de dificuldade às vezes atrapalham as partidas;
  • Alguns estágios são parecidos demais.
Grindstone — PC/Switch/iOS — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Capybara Games

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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