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Análise: Maglam Lord (PS4/Switch) é uma divertida aventura regada a combates e romances

Combata inimigos enquanto busca pelo parceiro ideal neste simpático RPG de ação.


Se você está em busca de uma história divertida, cheia de combates sem muitos rodeios, e de quebra quer experimentar um simulador de encontros, então Maglam Lord pode atender bem ao seu peculiar desejo. Desenvolvido pela Felistela, este RPG de ação traz justamente uma mistura bem satisfatória entre a ação de combates contra inimigos e um roteiro cheio de situações que vão te fazer soltar algumas risadas. Claro, ele não chega a ser totalmente perfeito por conta de alguns detalhes, mas vamos ver isso melhor na análise a seguir.

Quanto maior o poder, maior a queda

Nossa história tem início quando Killizerk — que o jogador pode optar por ser um personagem masculino ou feminino —, o senhor das lâminas, é derrotado após desafiar deuses e demônios em uma épica batalha. Uma aliança foi formada em prol do enfrentamento a um inimigo em comum, e com sua derrota, Killizerk quase morreu e precisou adormecer durante eras para recuperar seu poder.

Muitos anos depois, finalmente desperto, o lorde se vê num mundo totalmente diferente de quando esbanjava poder. Ainda não tendo recuperado totalmente suas forças, Killizerk agora habita um mundo pacíficio, sem conflitos, e com um porém: ele descobre que é a última criatura viva de sua espécie. Uma organização chamada de Administração é responsável por tomar conta de tudo neste novo mundo, e propõe cuidar de Kilizerk para que não seja extinta.


Contra sua vontade maligna, Killizerk precisará contar com a ajuda de alguns aliados, incluindo Heróis, inimigos naturais de sua espécie, que aqui também são criaturas com risco de extinção. Agora, o não tão poderoso senhor das lâminas terá que viver uma vida um pouco mais pacata, se comparada com o que estava acostumado, resolvendo conflitos menores e, nas horas vagas, tentando se relacionar com alguém com o intuito de procriar e ajudar a perpetuar a espécie.

Alternando entre encontros amorosos e batalhas

Boa parte da trama de Maglam Lord se desenrola por meio da interação entre os personagens em um cenário que lembra bastante uma visual novel. Além dos diálogos, em determinados momentos o jogador é levado a escolher uma resposta para determinada situação. Estas respostas não alteram muita coisa na narrativa, mas algumas apresentam mecânicas que auxiliam em sua interação com os personagens e na liberação de títulos, que dão atributos extras aos membros do grupo.

Construir uma boa relação com cada personagem permite que em determinado momento você possa convidá-lo para um encontro. Sim, além de se aventurar pelo mundo de Maglam Lord, você também terá alguns momentos de descanso para dar uma paquerada. Dependendo da relação que você tem com algum aliado, que é fortalecida ao jogar no modo de batalha com ele, usar itens que o agradam e dar respostas que lhe convém, sua relação com o personagem em questão se torna mais forte, permitindo que você possa levá-lo para um “date”.


No geral, estes momentos de lazer nem fazem tanta diferença na experiência como um todo. São momentos divertidos e descontraídos, mas que no fim das contas impactam pouco no jogo. Então, não precisa ficar chateado caso não consiga conquistar o amor da sua vida nesse meio-tempo, mas também não precisa se preocupar, pois Killizerk não vai ficar sozinha/sozinho no final.

Já sobre o aspecto da ação, temos um jogo totalmente diferente. O progresso em Maglam Lord se dá na conclusão de quests que fazem a história andar, e em atividades secundárias que se resumem a coletar recursos ou derrotar inimigos específicos. A exploração acontece em um ambiente 3D, como um game de RPG tradicional, e as batalhas em um segmento lateral.


Killizerk não atua diretamente, exceto quando uma barra de especial se preenche e permite sua invocação. O personagem é bastante poderoso, mas por não estar no esplendor máximo de seu poder, só pode ser usado por um breve período de tempo nas batalhas. Aqui, os combates são travados como em um jogo de plataforma tradicional. É possível pular, se defender e realizar combos de ataques, que acumulados proporcionam um generoso bônus de pontos de experiência no fim de cada embate.

O lado bom é que os combates são rápidos, divertidos e dinâmicos; o ruim é que o padrão de inimigos é muito repetitivo e seus tipos são pouco variados. Houve momentos em que eu simplesmente decorei alguns padrões e as batalhas acabaram em menos de cinco segundos. Chega a ficar monótono depois de um tempo, e a repetitividade dos cenários contribui para diminuir nosso engajamento na jogatina.

Os chefes adicionam uma variedade extra, mas de modo geral o desafio é baixo. Mesmo morrendo, é possível reiniciar exatamente do local onde fomos derrotados, tirando aquela tensão de “não posso perder agora” durante uma batalha decisiva. Só não esqueça de salvar, já que o jogo não conta com um sistema de salvamento automático, mas pelo menos é amigável em deixar você registrar o progresso sempre que possível.

Acumular para forjar

Uma das mecânicas que estimula a jogatina é a criação dos Maglans, as armas mágicas forjadas pelo senhor/senhora das lâminas. Durante as quests, obtemos diversos recursos que são utilizados para a criação destas armas e se dividem em três tipos: espadas, lanças e machados. Cada uma é eficaz contra um tipo de inimigo, cuja fraqueza é exibida na barra de vida acima de sua cabeça.

São 51 tipos diferentes de Maglans, que também são classificadas pela sua qualidade: A, S, SS e LGD — não me pergunte o que significa esse último, pois estou na mesma que você. Algumas podem ser fabricadas nas quatro qualidades, o que acaba aumentando ainda mais o número total de armas.


Junto a essas mecânicas, cada arma pode ser equipada com um item decorativo, que adiciona um atributo adicional ao objeto em particular. Esses itens vão desde pinturas a lacinhos até skins que mudam totalmente o visual. A variedade de atributos que podem ser modificados se torna um chamariz para acumular o máximo possível de itens para montar a “build dos sonhos” para seu grupo.

Com tantas quests que vão ficando disponíveis durante a campanha, em dado momento você pode se dar ao luxo de escolher se quer progredir na história ou passar um bom tempo fazendo e refazendo quests para acumular recursos para fabricar as melhores armas e upar seus personagens.


Felizmente, Maglam Lord é ágil na hora das batalhas, tornando essa parte do trabalho até prazerosa. Quem gosta desses jogos onde temos que coletar muita coisa terá um prato cheio aqui. Já em relação à navegação nos menus, não é bem assim. A interface de navegação não é tão agradável de usar, principalmente na seção de equipamentos e habilidades dos personagens e na loja de itens.

Joguinho carismático

No fim das contas, Maglam Lord não é uma referência para os RPGs de ação, ou a melhor das visual novels, mas pegando um pouco de cada um desses aspectos, consegue ser um jogo carismático, divertido e ótimo para quem busca algo mais casual. Algo como uma ficada mesmo, sem nenhum compromisso sério.


Prós

  • História divertida, com personagens esbanjando personalidade e carisma;
  • Jogabilidade simples e bastante fluida;
  • A mecânica de criação de itens estimula a jogatina;
  • A quantidade de atividades ajuda a estender a vida útil do jogo.

Contras

  • Pouca variedade de inimigos e cenários;
  • Desafio baixo;
  • Interface de menus pouco agradável de usar;
  • Sem sistema de salvamento automático.
Maglam Lord — PS4/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela PQube

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


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