Jogamos

Análise: Infernax (Multi) e a satisfação de macetar demônios ao estilo retrô

Decida o destino do valente Alcedor enquanto combate as forças do mal que tomaram conta de Upel.


No auge dos meus bem vividos 36 anos, já experimentei de tudo um pouco. E com uma considerável experiência jogando literalmente qualquer coisa, tenho autoridade para afirmar que o gênero de ação/aventura em plataforma é, de longe, um dos meus preferidos de todos os tempos. Fica facilmente no meu Top 3, junto com puzzle e RPG.

Com Infernax eu me senti em casa, não só por conta do seu visual retrô, mas também de mecânicas e até referências que atiçaram minha nostalgia. Vamos saber um pouco mais deste interessante e sanguinolento título lançado pelo Berzerk Studio e pelo The Arcade Crew.

De volta para minha terra maldita

Em Infernax assumimos o papel de Alcedor, duque de Upel, que, após anos lutando em cruzadas e campanhas, finalmente tem a oportunidade de voltar ao seu lar. Entretanto, a paz que o duque busca em casa não existe, pois um mal sombrio paira sobre a terra, oriundo de um livro de artes místicas do submundo trazido por um homem um ano antes. Pela influência do poder maligno que emana do objeto, criaturas demoníacas infestam a região, assassinando cidadãos e espalhando o medo e o terror por onde passam.


Dadas as circunstâncias, Alcedor precisará esticar um pouco mais sua campanha para ajudar os habitantes de Upel na luta contra as forças do mal, enfrentando criaturas grotescas e realizando tarefas para os cidadãos na busca pela tão desejada paz. Mas não se preocupe. Uma jogabilidade gostosa, algumas referências e boa música serão seus companheiros nesta aventura.

Sua missão é derrotar os cinco demônios que selam a entrada de uma cidadela de onde emana o mal que está assolando Upel, cada qual dominado por um soberano demoníaco em diferentes pontos do ducado, e liberar a entrada do local onde o duque enfrentará seu destino. O herói sairá triunfante de sua cruzada ou será corrompido pelo mal? A escolha é sua!


Eu acho que já vi isso em algum lugar

Ao andar pelo ducado, senti que já havia me aventurado por terras assim antes e, após a primeira hora de jogo, notei a inspiração que o pessoal do Berzerk Studio teve para criar a estrutura de Infernax. Com uma pegada que lembra o saudoso Castlevania II: Simon’s Quest (NES), devemos guiar Alcedor pelos quatro cantos de Upel para derrotar cinco demônios anciãos cujo poder é usado para selar a entrada da Cidadela de Urzon, fonte do mal que assola a região.

Munido de sua fiel maça e um escudo que já viu dias melhores, o duque contará com a ajuda dos cidadãos dos vilarejos para comprar melhorias para seus equipamentos, além de aceitar tarefas que o recompensarão com mais dinheiro para adquirir provisões. Derrotando inimigos suficientes, ainda é possível realizar melhorias nos três atributos principais do herói: força, vida e magia.


Ao custo dos pontos de experiência obtidos ao derrotar os inimigos e ao purificar os castelos e fortalezas dos demônios, Alcedor pode realizar essas melhorias pagando com seus pontos nos santuários usados para salvar o jogo. Além disso, o duque conta ainda com a obtenção de magias e habilidades especiais que o permitirão acessar novas áreas e explorar mais da região de Upel.

As semelhanças com Simon’s Quest não ficam apenas na estrutura do mapa, mas também em algumas referências propositalmente colocadas no jogo, como um frango na parede que dá uma bela indigestão ao duque, assim como o clássico furacão que é invocado em um lugar muito semelhante ao do jogo de 1987. O ciclo de dia e noite também está presente, com algumas atividades ou missões disponíveis apenas durante determinado momento, além de inimigos que só surgem de dia ou de noite.
Se você pegou essa referência, você está velho!
Apesar do visual simplista, a violência é brutal. Os monstros, principalmente os chefes, possuem uma aparência grotesca e ameaçadora que, mesmo em formato pixelado, conseguem chocar com a brutalidade e a violência a nível visceral. Até mesmo o próprio duque se vê encharcado em sangue boa parte do tempo por conta da quantidade de monstros que são pulverizados por sua maça. As animações de morte de Alcedor são outro show à parte, com diferentes animações sempre que é morto por um inimigo ou cai em uma armadilha.

O jogador tem a opção de jogar em uma das duas dificuldades disponíveis: clássico e casual. Minha recomendação, mesmo que você possa vir a ter um pouco de problemas nas primeiras horas, é jogar no modo clássico. Além de obter o troféu/conquista de conclusão nesse nível, o desafio do jogo, mesmo que um pouco frustrante até o momento que você consiga fazer mais melhorias no personagem, é um ponto-chave para a experiência de Infernax, algo que pode ser comparado a Ghouls ‘n Ghosts. É possível reduzir o nível durante a campanha, mas não será possível retomar a dificuldade clássica a não ser que comece o game novamente.

Escolha seu destino

Outro ponto-chave aqui são as escolhas que o duque precisa tomar durante a campanha. Em determinados momentos, acontecem eventos que geram consequências para Alcedor durante sua aventura para salvar Upel. Uma delas já ocorre no primeiro minuto de jogo, ao ser indagado se deve ajudar ou não um homem possuído que cruza seu caminho ao desembarcar no porto. Em vários momentos durante a campanha, Alcedor deve tomar decisões que terão consequências futuras e que determinarão seu destino no fim da história. Seja ele épico e heróico, triste e decepcionante, ou inesperado e chocante.

Ou seja, ao jogar pela primeira vez, você tomará decisões que o levarão a uma conclusão ‘A’. Ao jogar uma segunda vez, você pode tomar outras decisões que o levarão para uma conclusão ‘B’, e assim por diante. Para não estragar a experiência, o que posso dizer é que existem mais de dois finais, e cada um conta com recompensas distintas, de acordo com o destino que você quer dar para Alcedor e o ducado de Upel.


Entretanto, algumas dessas decisões são cruciais e impedem que determinadas ações ou elementos fiquem disponíveis. A exemplo, da primeira vez que finalizei o game eu encontrei um local que não consegui acessar, por mais que tenha tentado falar com algum NPC ou realizar outra ação que achei estar relacionada com aquele local. Foi aí que me toquei que uma decisão que tomei em determinado momento poderia estar relacionada ao fato de eu não poder entrar naquele lugar. Consegui o acesso na minha terceira campanha, mas outros mistérios continuaram em aberto, exigindo uma nova jornada.

Sendo assim, temos um ponto que pode frustrar algumas pessoas, que é a necessidade de jogar a campanha novamente para tomar as decisões que te permitirão realizar tal feito ou acessar tal área. Não que a campanha seja demasiadamente longa. Eu mesmo consegui finalizar em uma tarde, explorando minuciosamente vários pontos do mapa, mas a falta da opção de criar um salvamento extra durante a sessão de jogo atual é algo que nos faz investir mais tempo. Poder fazer um salvamento adicional em pontos-chave seria uma boa forma de ganhar tempo em vez de jogar tudo outra vez, mas a busca por novos mistérios dá aquele tempero que nos estimula da segunda vez em diante.


Tem quem goste de jogar de novo, mas, para quem joga por conquistas/troféus, é algo que pode atrasar um pouco seus planos. No pior dos casos, basta jogar no modo casual e usar os códigos para burlar o sistema e ganhar tempo. Opa! Eu disse códigos? Você eventualmente vai encontrar um local para usá-los, mas vai precisar obtê-los também. Boa sorte!

Visceralmente divertido

Temos aqui mais um ótimo produto oriundo do cenário independente. Com destaque na sua jogabilidade simples, uma estética retrô muito bem-feita e um belo incentivo para novas jogatinas, Infernax é uma ótima pedida para quem busca o equilíbrio entre diversão e desafio dentro do gênero de ação em plataforma. Recomendado e favoritado na minha lista de jogos de 2022.


Prós

  • Estética retrô na medida certa nos visuais, sons e música;
  • Múltiplos finais estimulam o fator replay;
  • Fanservice tímido, mas competente na forma de referências e códigos de trapaça;
  • Localizado para o português.

Contras

  • Dificuldade clássica é um pouco complicada nas primeiras horas de jogo;
  • Obrigatoriedade de jogar tudo de novo para realizar outro final.
Infernax — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida por The Arcade Crew

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


Disqus
Facebook
Google