O mundo de Horizon: As histórias de máquinas e tribos em uma nova Terra – Parte 1

Do fim do mundo ao renascimento do planeta e de uma nova civilização.


Nesta semana, damos início a uma série especial em preparação para o lançamento de Horizon Forbidden West (PS4/PS5) em 18 de fevereiro. Vamos relembrar um pouco dos principais elementos do universo criado pela Guerilla Games em 2017 em Horizon Zero Dawn. As tribos, máquinas e histórias que tornam este mundo único e fascinante são os principais destaques deste especial em três partes que você começa a conferir a partir de hoje.

Nosso objetivo não é analisar os aspectos técnicos de Horizon Zero Dawn, mas relembrar fatos e detalhes pertinentes à narrativa. Para saber mais sobre o jogo em si, deixo o convite para você conferir nossa análise do jogo original, lançado em 2017 para PlayStation 4.

Nesta primeira parte, vamos ver como o mundo de Horizon surgiu após um apocalíptico evento na segunda metade do século XXI que dizimou a civilização humana e acabou com toda a vida na Terra. O período da nova terraformação do planeta, o nascimento de Aloy, a protagonista da história de Horizon Zero Dawn, e como somos levados a conhecer este mundo exótico e cheio de histórias são os destaques desta primeira parte.
Alerta de spoilers da narrativa de Horizon Zero Dawn. Boa leitura!

A Praga Faro e o fim do mundo

O mundo como conhecemos hoje foi totalmente destruído em 2066. Humanos, fauna e flora da Terra foram dizimados por máquinas criadas pela Soluções Automatizadas Faro (SAF). Foi em 2064 que uma falha de sistema, um glitch, fez com que um enxame de Chariots, uma série de máquinas bélicas criadas pela SAF, de propriedade da Hartz-Timor Energy Combine, parasse de responder aos comandos e atacasse seus membros.

Informado do problema, Ted Faro, fundador e CEO da SAF, instruiu seus programadores a usar o acesso remoto para carregar um service pack com o intuito de retomar o controle do enxame, um procedimento arriscado por ter alto risco de corromper de vez o sistema operacional das unidades. Dada a gravidade da situação, Faro entrou em contato com uma ex-funcionária e antiga amiga, a renomada engenheira de robótica Dra. Elisabet Sobeck, a quem pediu que viesse pessoalmente à sede da FAS para ajudar a resolver a situação.
Dra. Elisabet Sobeck
A Dra. Sobeck estudou a falha e sua descoberta foi a pior possível. O glitch fez com que o enxame se tornasse independente, com vontade própria, e incapaz de receber ordens. Juntamente com as habilidades dos robôs de se replicar de forma exponencial e consumir biomassa como combustível, todas as projeções estatísticas apresentaram números que indicavam a impossibilidade de contenção da ameaça e o fim iminente da vida na Terra.

Incontrolável, o enxame de máquinas infestaria o planeta, consumindo toda a matéria orgânica até exaurir a biosfera completamente. Toda a vida seria exterminada e a superfície se tornaria totalmente estéril. O episódio ficou conhecido como Praga Faro, e pelos cálculos da Dra. Sobeck a Terra se tornaria inabitável em 15 meses.

Com a certeza da condenação da civilização humana e da vida como um todo, a Dra. Sobeck elaborou um plano para dar, literalmente, uma segunda chance ao planeta. Cessando o desperdício de recursos em tentativas fúteis de parar o enxame, seu projeto era o de criar um sistema automatizado de terraformação, independente da necessidade de alguma interferência humana, projetada para forçar os códigos necessários para encerrar o enxame e metaforicamente replantar a vida na Terra.
O projeto foi batizado de Zero Dawn, e seria comandado por uma super inteligência artificial independente chamada GAIA. Ela seria auxiliada por várias subfunções, cada uma responsável por um aspecto diferente do processo de terraformação, como desintoxicação do solo, ar e água. O financiamento e aprovação do projeto foram de total responsabilidade de Ted Faro, que, relutante, aceitou a condição após ser coagido por Elisabet, que ameaçou revelar que ele foi o responsável pelo fim do mundo.

Confirmando as previsões da Dra. Sobeck, a Praga Faro contaminou o mundo, consumindo toda a matéria orgânica e deixando a Terra morta e estéril. Os humanos foram eliminados, e sem vegetação para criar oxigênio, a atmosfera se tornou irrespirável. Mares e oceanos se tornaram tóxicos, e com a escassez de biomassa os Chariots entraram em um estado de suspensão até que novas fontes de energia surgissem.
Todo o bioma da Terra foi consumido em 15 meses durante o episódio conhecido como Praga Faro
100 anos depois, GAIA emite um sinal ao redor do mundo que desativou de forma permanente todas as unidades Chariot que ainda existiam. Sem as máquinas na superfície, o planeta precisou de mais 100 anos até começar a mostrar novos sinais de fertilidade, e a flora e fauna começaram a renascer.

O ano é 3021, e uma jovem mudaria tudo

No século XXXI, o mundo já possui vida novamente e a civilização humana está de volta. Apesar de estarmos no futuro, a sociedade voltou a se organizar de forma tribal, cada qual com seus costumes, crenças, ideologias e regras. A vida selvagem também regressara de forma humilde, com pequenos animais como javalis, coelhos e peixes, além da flora abundante.

Estruturas como prédios, estádios e bunkers restantes do conflito dos humanos contra os Chariots, de praticamente um milênio atrás, agora são apenas ruínas que intrigam os novos habitantes da Terra com objetos considerados exóticos, como talheres, canecas, bonecas e livros. Histórias sobre como viviam e o que costumavam fazer não passavam de lendas, como as que contamos hoje sobre antigas civilizações, como a da Antiga Grécia. A esta civilização extinta os homens deram o nome de Antigos.
Gigantescas bestas de metal vagam pelo mundo, dividindo espaço com os humanos e outros seres vivos
A diferença é que os homens dividem espaço com imponentes e intimidadoras máquinas, cada qual vivendo em determinados habitats, seja em áreas verdes, desertos ou os gélidos picos ao norte. A principal atividade dos humanos é a caça, e o comércio está voltado à compra e venda de peças das criaturas metálicas. Quanto mais raro e perigoso o tipo, mais valor suas peças têm. E assim a humanidade foi prosperando e se instalando nos quatro cantos do mundo.

Em agosto de 3020, GAIA enviou uma última ordem antes de ser desativada. Era uma ordem para uma de suas subfunções para a gestação de um zigoto com a carga genética de Elisabet Sobeck. Meses depois, em abril de 3021, o berço artificial deu à luz uma criança, uma menina, que foi encontrada por membros da tribo dos Nora, uma comunidade matriarcal que preza pelo isolamento e crê na existência de uma entidade maior chamada de Mãe de Todos.

Acreditando que a criança nasceu da própria terra, a grande matriarca Teersa acreditava que o bebê era um presente da Mãe, mas por ter sido presenciada como trazida por um “demônio de metal”, o berço onde foi encontrada na montanha onde só as Matriarcas têm acesso, a matriarca Lansra contaminou a tribo dizendo que a bebê era uma maldição e não deveria viver entre eles, exilando-a.
A criança sem mãe é deixada aos cuidados de Rost, um exilado Nora
Sendo tão pequena, ela foi deixada aos cuidados de Rost, um membro dos Nora já exilado há muitos anos por não concordar com as leis da tribo, que a criou como se fosse sua própria filha. Poucos dias após receber a criança, ele secretamente se encontra com a matriarca Teersa, que realiza o ritual de batismo da criança contra a vontade de suas irmãs matriarcais, ocasião em que uma criança é apresentada à Mãe de Todos e tem seu nome revelado. Rost então batiza a criança com o nome de Aloy, e nos anos que se passaram os dois viveram juntos na região conhecida como Enlace.

De exilada a emissária

Seis anos se passaram, e durante um encontro comum entre um grupo de crianças Nora, Aloy é surpreendida ao ser vista interagindo com os infantes e foge. Em sua fuga, ela cai em uma ruína dos Antigos, como são denominados os antigos habitantes do planeta, e encontra um curioso artefato chamado de Foco. O objeto de altíssima tecnologia é capaz de gerar um campo de realidade aumentada e fornecer informações sobre objetos com os quais o usuário possa interagir, além de guardar grande conhecimento sobre diversos temas relativos ao antigo mundo.
Aloy descobre uma ruína dos Antigos e encontra um artefato super tecnológico
No dia seguinte, ao ajudar a salvar uma criança do ataque de um Vigia, Aloy é hostilizada pelo próprio garoto que resgatou, simplesmente por ser uma exilada e sem mãe. Inconformada por viver nessa condição, a pequena indaga Rost sobre o motivo que a tornou uma exilada e fica indignada ao saber que nem mesmo sua figura paterna sabe dizer o porquê.

Entretanto, existe uma possibilidade de Aloy se tornar aceita pela tribo, que é vencendo a Provação, uma tradicional competição onde os jovens Nora que estão chegando à idade adulta competem para mostrar suas habilidades, e o vencedor tem um desejo atendido pelas Matriarcas. Determinada a vencer o teste, Aloy passa os próximos 12 anos de sua vida treinando incessantemente até o dia em que poderá participar do evento.
Aloy treinou durante toda sua juventude para vencer a Provação
Já com 18 anos, a inocente criança se tornara uma mulher forte tanto em corpo e mente. É chegado o dia da Provação, mas a sagrada tradição dos Nora é interrompida por um ataque de cultistas. Diversos membros dos Nora ficaram feridos e mortos, e entre as perdas está Rost, que se arriscou para salvar Aloy de um ataque fatal e acabou esfaqueado. No dia seguinte, no Coração da Mãe, principal vilarejo do povo Nora, diversos mistérios começam a surgir. Uma gigantesca porta de metal escaneia Aloy, mas informa que os dados estão corrompidos.

A princípio, a informação não faz sentido, mas as Matriarcas jamais tinham visto a porta interagir de qualquer forma que fosse, fazendo-as acreditar que é a própria Mãe de Todos quem está falando com Aloy, pois a conhece. A imagem de uma mulher com feições parecidas com a da garota também é revelada pelo foco, atiçando sua curiosidade. Assim, alegando que deseja partir em busca dos responsáveis pelo ataque à Provação, Aloy deseja sair do território dos Nora e, consequentemente, descobrir mais sobre a mulher que o foco lhe mostrou.
Aloy quer saber quem é Elisabet Sobeck e qual a importância dela em sua vida
A Matriarca Teersa então nomeia Aloy uma emissária e autoriza que ela deixe a região Nora para cumprir sua missão. Tem início a jornada da jovem por um mundo exótico dominado por máquinas e habitado por criaturas incríveis, cada uma com seus costumes e histórias, que vão mudar o destino de Aloy e os rumos deste novo mundo.

Um mundo de descobertas pela frente

Na próxima semana, vamos conhecer um pouco mais sobre as tribos que habitam o mundo de Horizon: os imponentes Carja, os engenhosos Oseram, os misteriosos Banuk, a misteriosa seita do Eclipse; e um pouco sobre as novas tribos que Aloy conhecerá em Horizon Forbidden West: os Utaru e os Tenakth. Até lá!



Revisão: Davi Sousa

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


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