Blast Test

Impressões: Ikai (Multi) promete uma atmosfera de terror impecável em um Japão antigo

Tivemos a oportunidade de experimentar um pouquinho do jogo de terror.

Ikai
é um jogo de terror em primeira pessoa que está em desenvolvimento no pequeno estúdio espanhol Endflame e deve ser publicado pela PM Studios para PC, PS4, PS5 e Switch no dia 29 de março. Com base em um contexto histórico japonês, a obra promete uma envolvente atmosfera sombria. Tivemos a chance de testar um pouco do jogo e preparamos este texto para detalhar as nossas primeiras impressões.

Um Japão feudal de mitos e horrores

Ikai conta a história de uma sacerdotisa que vive em um templo afastado nas montanhas. Um dia, ela decide ir a um rio nas redondezas, mas essa escolha acaba levando a personagem a ter contato com seres sobrenaturais. Mesmo voltando para o templo, as coisas não são mais como eram antes.

A história se passa em um Japão feudal e esse elemento é bastante importante para a construção da atmosfera do jogo. A arquitetura do templo, por exemplo, realmente remete a esse contexto, assim como os objetos lá presentes. A porta principal do local conta com o sino e ofertório tradicionais desse tipo de construção religiosa e a estrutura é feita de madeira com elementos rústicos.

Alia-se a isso a grande escuridão dos cenários e o excelente uso de efeitos sonoros. Sem enxergar muito bem o que está próximo e escutando ruídos cuja fonte do som não é clara, o jogador tende a ficar paranoico. Isso mostra muito bem a competência da equipe de desenvolvedores, conseguindo realmente explorar a sensação de estar em um lugar deserto e escuro com a impressão de ter algo ali além de você.

Mais para o final da versão que pudemos testar, o título também contava com alguns jumpscares. A materialização do medo nesse ponto foi algo importante para manter a tensão, não sendo uma escolha ridícula e barata como acontece algumas vezes com esse recurso.

No caminho, também foi possível encontrar cartinhas sobre yokais. Elas descrevem um pouco dos mitos regionais, sendo um elemento colecionável curioso e bem-vindo. Seria ótimo se o jogo final descrevesse um pouco mais os objetos do templo, justamente para ter essa mesma sensação de recompensa cultural pela exploração.

Desafios francamente chatos

Apesar da ambientação ter chamado bastante a minha atenção, o mesmo não pode ser dito para a jogabilidade em si. Com visão em primeira pessoa, Ikai explora aventura e ação com vários desafios ao longo do caminho. Porém, em vez de trazer um elemento de tensão para o jogo, eles acabam deixando a experiência mais enfadonha.

No meu tempo com o jogo, tive a sensação de que os desafios ainda precisam de mais polimento. Logo no início, é necessário preparar alguns selos com gravuras específicas. Como o desenho se assemelha à caligrafia japonesa, minha expectativa era que cada linha do ideograma precisasse ser feita de forma contínua. Sem indicações, acabei demorando muito mais tempo do que deveria para fazer esses desenhos no início, já que é necessário bastante precisão para evitar desviar muito do posicionamento original.

Outro trecho que me incomodou bastante era um desafio envolvendo desviar de chamas. Por se tratar de um jogo em primeira pessoa, é bastante difícil ter uma noção precisa do posicionamento da sacerdotisa, e  essa dificuldade de medir a hitbox acaba fazendo com que o desafio seja mais inconveniente do que algo desafiador.

De forma geral, também sinto que jogadores menos acostumados com jogos de aventura e terror provavelmente teriam dificuldade para avançar. Em muitos pontos do jogo, as indicações eram ruins e imprecisas, fazendo com que fosse fácil ficar perdido nos objetivos  necessários para avançar na trama. A meu ver, seria interessante que o jogo final tivesse pelo menos alguma opção que explicasse melhor as ações necessárias.

Porém, também gostaria de destacar que achei bem interessante o trecho de perseguição. Nele, o jogador precisa tentar encontrar formas de avançar pelo espaço evitando que a criatura o alcance. O resultado é uma corrida tensa em que o jogador precisa rapidamente vasculhar os objetos do cenários. Nesse ponto, há boas dicas do que deve ser feito, indicando que o jogo final pode muito bem corrigir os problemas que mencionei.

Um jogo de terror com potencial

De forma geral, minha experiência com Ikai foi um pouco mista. O clima de terror é perfeito e envolvente, com elementos que realmente se destacam e mostram o cuidado e habilidade dos desenvolvedores. Porém, os desafios estavam aquém do resto da experiência, sendo tarefas chatas que me deixaram incomodado. Fico na expectativa de que o tempo que ainda há até o lançamento seja suficiente para que o jogo final seja tenso, mas não enfadonho.

Texto de impressões escrito com edição de testes gentilmente cedida pela PM Studios
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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