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Análise: Shadow Man Remastered (Multi) é um clássico que tenta se destacar, mas não sai das sombras

Lançado em uma época cheia de grandes nomes, o jogo tenta mais uma vez chamar atenção e ser mais que um queridinho de um nicho específico.

Na onda dos clássicos que ganham aquele tapa maroto no visual, Shadow Man Remastered arrisca a sorte ao tentar fisgar os donos de PC, PS4, Switch e XBO pela nostalgia da virada do século. Infelizmente, a história se repete e o título volta a sucumbir em meio a muitos outros que oferecem uma experiência bem mais satisfatória.

Tentando fugir das sombras de novo

Em 1999, Shadow Man foi lançado para PS1, Dreamcast e Nintendo 64. O jogo trazia uma densa história baseada nos quadrinhos de mesmo nome e a ideia era trazer toda essa narrativa para combates contra inimigos macabros, ambientes soturnos com trechos de plataformas e bastante exploração.

Os Shadow Man são “guerreiros vodu” que protegem o Mundo dos Vivos das ameaças que estão exiladas no mundo dos monstros. Michael LeRoy é o Shadow Man do nosso tempo e adquiriu seus poderes após a sacerdotisa Nettie anexar a Máscara das Sombras a seu peito. Ela teve um sonho profético, no qual um ser chamado Legião tentaria trazer o Apocalipse ao possuir as almas de guerreiros imortais condenados e usá-las para formar um exército que invadiria o Mundo dos Vivos.

Para isso, Legião contaria com a ajuda dos Cinco, um grupo de serial killers que só pode ser parado com os poderes de um Shadow Man, mas eles vivem no Mundo dos Vivos, onde estas habilidades sombrias não têm efeito durante o dia. Para obter a alma de cada um deles, Michael terá que explorar os confins do Mundo dos Mortos, podendo usar o urso de pelúcia do seu falecido irmão como uma espécie de portal entre os dois mundos e assim completar sua missão.

Mesmo conseguindo boas notas da crítica, principalmente para as versões de N64 e DC, o jogo foi deixado de lado por uma concorrência bem pesada. Ela envolvia nomes como Donkey Kong 64, Shenmue, Crash Team Racing, Tony Hawk's Pro Skater, Silent Hill, Final Fantasy VIII e Resident Evil 3: Nemesis, só para citar alguns dos destaques do mesmo ano.

Envelheceu como vin… agre.

Shadow Man Remastered até que se esforçou para realizar um bom trabalho. Além de trazer texturas em HD que rodam a 60fps e em 4K, novos conteúdos foram adicionados a essa jornada sobrenatural, tornando o jogo bem mais charmoso (em tese). Inclusive, é possível alternar em qualquer momento entre os gráficos melhorados e os clássicos de 1999. 

Foram incluídos novos armamentos, inimigos e três níveis inéditos, cortados na época do lançamento do jogo. Toda a trilha sonora foi rearranjada por Tim Haywood, o responsável por toda a composição original. A jogabilidade também foi reajustada, com mira automática e um novo mapeamento para os controles atuais. Por fim, todos os diálogos contam com legendas em português e uma qualidade que sobreviveu ao teste tempo foi a dublagem, que continua ótima. 

Entretanto, todas essas melhorias não conseguem mascarar o quanto Shadow Man envelheceu mal em muitos aspectos básicos, como a movimentação do personagem, para os padrões atuais. Ele se move de maneira lenta e utilizar os dois analógicos em momentos de mais ação pode ser um pouco mais complicado até criar intimidade com os comandos.

Existe a opção de utilizar comandos clássicos, baseados no analógico único presente no Dreamcast e no N64, e de fato se deslocar com o protagonista se torna mais fácil na terra. Na hora de mergulharmos, o nado se torna algo agonizante e aí dá vontade de retornar para o mapeamento “novo”.

A mecânica de pulo também deixa muito a desejar. Este recurso é utilizado em exaustão tanto em trechos com plataformas quanto em meio a confrontos com inimigos, e por diversas vezes fica aquela impressão de erro de cálculo, com um salto que acaba saindo muito curto ou longo. As balas disparadas por Shadow Man também são hiper preguiçosas, o que torna o abate de um inimigo a distância mais duradouro do que o necessário.

A exploração também é um pouco confusa, ainda mais no começo do jogo, quando estamos descobrindo as coisas. Tudo bem que esse era o padrão para a época, mas com as diversas melhorias feitas, também não faria mal a adição de um tipo de mapa ou guia para instruir quem não tem familiaridade com esse tipo de característica. Também é possível salvar e carregar seu progresso a qualquer momento com o toque de um botão, mas isso deve ser feito manualmente pois não há save automático.

Por fim, infelizmente, temos que admitir que, mesmo com as texturas em HD, o jogo carece de beleza. E não estamos falando de beleza “exótica” que gráficos low poly trazem em alguns casos, mas sim de modelos que realmente poderiam ter ganhado um tratamento melhor depois de trinta anos. Já que Shadow Man ganhou um status de clássico cult em meio aos jogadores, merecia ser tratado como tal, recebendo aprimoramentos de verdade em suas mecânicas básicas e visuais.

Apenas para quem é das trevas

Shadow Man Remastered é uma peça bem curiosa e interessante de uma época frutífera dos jogos, marcada por grandes títulos. Ele chegou bem perto de ser um deles e, como todo clássico, merece ser experimentado. Entretanto, a maneira como este remaster foi feito pode agradar exclusivamente apenas quem jogou a versão original, ou nem mesmo isso.

Prós

  • Novas fases;
  • Trilha sonora rearranjada;
  • Legendas em português;
  • A dublagem continua muito boa.

Contras

  • O visual do jogo não envelheceu bem, mesmo em HD;
  • A movimentação do personagem é lenta;
  • O controle na água é péssimo;
  • Os saltos são imprecisos;
  • A demora para alvejar um inimigo a distância é tortuosa.
Shadow Man Remastered — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Thais Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Nightdive Studios


é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha.


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