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Análise: RPGolf Legends (Multi) é uma mistura de esporte e RPG curiosamente divertida

Com um enredo bem peculiar, temos neste “action RPGolf” uma experiência bem carismática ao misturar dois gêneros bem distintos.


Imagine que o esporte mais popular do mundo não pode mais ser praticado por ninguém no planeta, pois uma força maligna tornou sua prática impossível. Essa é a premissa de RPGolf Legends, uma aventura de RPG de ação misturada com esporte onde devemos restaurar todos os buracos de golfe do mundo para que a humanidade possa voltar a praticar seu hobby favorito — fico imaginando se o esporte em questão fosse o futebol, mas enfim.

Vamos conhecer um pouco deste curioso título desenvolvido pela ArticNet e publicado pela KEMCO, que chega para PC e consoles no início deste ano. Pegue seu melhor conjunto de tacos, pois eles não servirão apenas para bater em bolas desta vez.

Não tem mais golfe no mundo, e agora?

Aerin é uma garota que, como a maioria das pessoas do mundo, adora jogar golfe, mas por causa de uma força maligna que selou magicamente todos os buracos da Terra, ninguém mais pode praticar o esporte. Um belo dia, uma criatura mágica — e com o conveniente formato de um taco de golfe — chamada Clubby surge e faz amizade com a garota. Por algum motivo, o ser mágico descobre ser capaz de desfazer os selos mágicos que estão impedindo os golfistas de jogar.

Destinada a resolver esta situação, Aerin se junta à Clubby e a dupla parte em uma jornada para liberar os campos de golfe de diversos pontos do mundo. Nesta viagem, nossa heroína não precisará apenas ser boa nas tacadas, pois ela também passará por muitas aventuras ao explorar masmorras e enfrentar inimigos para devolver o esporte para o mundo.
Como todas as pessoas deste mundo, Aerin ama golfe.

Entre tacadas e aventuras

RPGolf Legends é um misto de RPG com esporte, e por mais que essa mistura possa parecer um pouco estranha, e já ter rendido outras experiências, digamos, de resultado questionável no decorrer dos anos, aqui esta mistura conseguiu ser muito bem feita e dosada para não deixar nenhuma das duas “metades desta laranja” com um sabor amargo.

Visualmente há bastante influência de outros jogos típicos e consagrados como Pokémon e The Legend of Zelda. Durante minhas sessões de jogatina, a vibe que ele me passou me transportou para uma nostálgica sensação de estar jogando algo que poderia ter sido lançado facilmente para o Super Nintendo nos tempos áureos de sua existência.

Os controles são simples e bastante intuitivos. Nos segmentos de exploração e aventura, podemos explorar livremente o mapa do jogo em busca de itens, derrotar inimigos e, claro, desbloquear os buracos que movem a trama principal de RPGolf Legends. Para tal, Aerin precisa derrotar inimigos para que Clubby absorva energia que, uma vez carregada, o permite usar seus poderes para liberar um buraco. É aí que entra a outra metade do jogo.
Com a ajuda de Clubby, Aerin deve liberar os buracos magicamente bloqueados ao redor do mundo.
Ao jogar golfe, caso você já tenha experimentado algo como um dos títulos da série Mario Golf ou Neo Turf Masters (Neo Geo), vai sentir um ambiente bem amigável e familiar ao dar suas tacadas. O tema do jogo é o golfe, então você será constantemente testado em um mundo que respira este esporte.

Para que Clubby possa liberar um novo buraco, o jogador precisa completar o que foi recentemente aberto, ou seja, você não precisa ser um golfista profissional, mas precisa colocar a bola no buraco, nem que necessite de 50 tacadas para levá-la numa distância de poucos metros. Sua principal atividade será procurar, liberar e completar cada um dos pontos de jogo selados até o derradeiro fim do jogo.

Ao finalizar um buraco com um par (número mínimo de tacadas para o buraco) ou menos, Clubby presenteará Aerin com a possibilidade de obter bônus na forma de recuperação de seus pontos de vida ou magia, dos poderes de Clubby para destravar uma nova etapa, ou dinheiro. A parte boa é que um mesmo buraco pode ser completado várias vezes para agilizar a obtenção deste bônus, então deixo a dica para jogar várias vezes, caso encontre um bem fácil de concluir para acumular bastante dinheiro.
Complete um buraco com a quantidade mínima de tacadas para ganhar bônus que ajudarão em sua jornada
Felizmente, RPGolf Legends não nos deixa presos neste ciclo de batalhas e tacadas eternamente. Por possuir nuances de RPG, também teremos que gastar um tempo realizando quests ao troco de dinheiro e itens. As atividades são variadas, como obter itens específicos, derrotar uma quantidade pré-determinada de um tipo de inimigo, emprestar dinheiro e, claro, atividades relacionadas com golfe, como vencer um duelo, um torneio ou mesmo cumprir algumas atividades, como dar um tipo certo de tacada tantas vezes.

Há também campeonatos e desafios para obter algumas recompensas exclusivas e valiosas. Além disso, o gigantesco mapa do mundo, com diferentes temas e particularidades, também é um convite para a exploração e descoberta de algumas surpresas, e conta com a comodidade de uma bússola que sempre aponta para a direção do próximo objetivo, ajudando o jogador a ficar centrado no que precisa fazer naquele momento. Caso outras atividades tenham sido aceitas por Aerin, basta selecionar qual tarefa você deseja cumprir no menu para ser direcionado rumo ao próximo objetivo. Uma ótima ajuda dado o tamanho do mapa do jogo.

Outro aspecto que torna a experiência de RPGolf Legends interessante é o sistema de classes — afinal, ainda estamos jogando um RPG no fim das contas. No decorrer da campanha, Aerin é convidada a fazer parte de guildas que permitem que a garota assuma novas classes. Uma das primeiras é a de maga, que permite a execução de um novo tipo de ataque especial e que a garota possa andar pela água. A bola compartilha do poder mágico e não afunda nos lagos e poças de água dos campos de golfe.
No decorrer da campanha Aerin libera classes que dão novas habilidades tanto como aventureira quanto golfista.
O que me deixou mais intrigado foram os embates contra os chefes que, pasmem, exigem que lutemos contra eles e joguemos golfe ao mesmo tempo. Na primeira luta, minha reação foi algo como “Sério isso?!”, e nas seguintes foi curiosamente divertido e desafiador, ao ponto de eu soltar um “Como nunca pensaram nisso antes?”. Foi bem legal.

Algumas tacadas ao vento

Apesar de ser bastante carismático visualmente, e possuir uma jogabilidade bastante divertida e intuitiva, outros detalhes em RPGolf Legends foram frustrantes, como aquela tacada linda que leva sua bola direto para o banco de areia. A grande maioria delas ligadas ao lado RPG do jogo.

Como alguém que cresceu jogando este gênero, é normal termos alguns costumes ou vícios de comportamento, como o acúmulo de itens ou grinding para levantar grana para comprar um equipamento ou item específico. Como o jogo não conta com um sistema de pontos de experiência e níveis, o incremento de pontos de vida e de magia ficam por conta dos equipamentos, entretanto, Aerin só pode equipar três deles por vez.

Em determinado momento me vi prejudicado por não poder usar o set que julgava ideal para a ocasião por conta da dependência de precisar deixar um ou outro acessório equipado para continuar com meus pontos de vida/magia altos. Uma forma de atribuir mais destes pontos poderia estar atrelado às classes ou à obtenção de itens, como os corações em Zelda. Deixar isso na dependência de equipamentos foi uma decisão um pouco controversa, na minha humilde opinião.
Ajude os habitantes para obter itens, equipamentos e dinheiro.
A limitação se estende a outras mecânicas, como a viagem rápida e o uso de itens. Aerin conta com a comodidade de utilizar pontos de teleporte nas principais localidades do mapa para se locomover mais rapidamente pelo imenso mapa do mundo, e também pode fazer uso de um recurso de viagem rápida pessoal para se locomover para estes e alguns outros locais a qualquer momento enquanto estiver em uma área aberta. Entretanto, ao usar desse artifício, o jogador é obrigado a esperar cinco minutos até que possa utilizá-lo novamente.

Qual o objetivo? Impedir o progresso rápido do jogador? Achei essa decisão bem ruim por parte da ArticNet, principalmente nas vezes em que fui para a cidade errada pois ainda não tinha associado o nome ao lugar, um erro típico para quem ainda está conhecendo o mundo do jogo. Pra piorar, até o uso de itens compartilha desta mesma mecânica ineficiente.

Cada uso de qualquer tipo de item faz com que o jogador precise esperar trinta segundos para usar um outro novamente. Em ocasiões como na batalha contra chefes e nas masmorras infestadas de inimigos isso se mostra um infortúnio, pois te deixa à mercê de usar uma poção de cura maior e torcer para que você não morra nos próximos trinta segundos de batalha feroz até poder se curar novamente, ou recuperar seus pontos de magia para executar suas habilidades especiais. Imagine só ter poções menores que recuperam apenas um coração num momento crítico.

Ainda bem que o sistema de salvamento não conta com o mesmo tipo de limitação, permitindo que o jogador possa salvar o jogo a qualquer momento, além de um compartimento dedicado para salvamento automático. Um alento, principalmente em momentos mais críticos, como a batalha contra um chefe ou descer para uma masmorra infestada de inimigos. Felizmente, ou não, alguns checkpoints espalhados pelo mapa permitem o retorno rápido ao jogo caso Aerin pereça. Entretanto, esse retorno traz a garota com apenas meio coração de vida.
Que tal uma pescaria para relaxar?
Aí fica a dúvida se você quer usar um item ou se teleportar de volta para a casa da garota para recuperar tudo de graça. De qualquer modo, o tempo acabou por ser um recurso um pouco mal aproveitado, tirando um pouco da agilidade do jogo. Poderiam dar uma função de recuperação nestes pontos, não? Melhor jogar uma partida de golfe para relaxar pois, pelo menos, este lado do jogo ficou excelente.

Boa tacada!

Temos aqui uma mistura que curiosamente funciona onde realmente precisa. É uma aventura de RPG com carisma e um jogo de golfe que diverte muito. O uso das mecânicas e peculiaridades de cada gênero se completam de uma forma que faz com que RPGolf Legends funcione como um autêntico “action RPGolf”.

Prós

  • Visual e trilha sonora acolhedores;
  • Jogabilidade simples;
  • A grande quantidade de atividades contribui para a longevidade do jogo;
  • Aspectos de RPG com a temática de golfe são muito bem aproveitados e contextualizados.

Contras

  • Ausência de um sistema de níveis;
  • A progressão por meio de equipamentos torna a evolução técnica do personagem muito limitada;
  • A mecânicas de limitação do uso de itens e viagem rápida pelo mapa deixam o progresso prejudicado.
RPGolf Legends — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PlayStation 4
Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia cedida pela KEMCO

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora quando as partidas acabam em discórdia e fogo no parquinho. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege


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