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Análise: Rune Factory 4 Special (Multi) traz o clássico do 3DS para as plataformas atuais

Edição completa de Rune Factory 4 chega ao PC, PS4 e Xbox One mostrando muito bem o seu gameplay viciante.

A franquia Rune Factory comemorou 15 anos em 2021. Enquanto esperamos pelo lançamento ocidental de Rune Factory 5 (Switch), a XSEED lançou seu antecessor, Rune Factory 4 Special, para PC, PS4 e Xbox One. O título, que era um clássico do 3DS, ainda deixa claras as suas origens graficamente, mas também mantém suas virtudes como uma excelente combinação de RPG e simulador.

De volta a Selphia

Tudo começa quando o protagonista (que pode ser um rapaz ou uma moça) cai do céu em cima da dragoa Ventuswill. Caindo no clássico clichê da amnésia, o personagem logo é recrutado por ela para ser o regente da cidadezinha de Selphia. Isso envolve tentar fazer a cidade prosperar com festivais variados, mas também trabalhar bastante na produção agrícola, cuidando de monstrinhos, pescando e realizando uma variedade de atividades.

Para quem já jogou um título como os clássicos Harvest Moon, trata-se de um spin-off da franquia, que atualmente é conhecida como Story of Seasons devido a problemas com os direitos autorais. Com isso, o jogador tem uma variedade de atividades para realizar, coletando ovos de galinhas, pegando leite, plantando nabos, entre outras opções que são bem abertas para o que o jogador esteja com vontade de fazer desde que tenha dinheiro.

A principal diferença em comparação com os jogos mais tradicionais de fazenda é o fato de que Rune Factory também é um RPG de ação. Ao invés de galinhas comuns, o jogador terá que pegar sua espada ou arma de preferência e bater em monstrinhos que se parecem com essas aves. Recrutar aliados é uma tarefa interessante e envolve entender os seus gostos, dando presentes adequados para que eles queiram entrar na equipe e ir para um dos estábulos já criados.

Na cidade, vários NPCs levam uma vida comum com seu próprio ritmo. O tempo em Rune Factory 4 não para, sendo necessário pensar com cuidado no trajeto a ser feito para otimizar a experiência. Conversar com as pessoas e dar presentes a elas é uma forma de se tornar mais íntimo delas, sendo importante continuar insistindo diariamente para poder até mesmo encontrar um amor.

Além do aspecto romântico, a amizade também permite pedir ajuda para os personagens antes de partir em expedições. Com mais parceiros, as áreas habitadas por monstros ficam bem mais fáceis de explorar. Vale destacar, porém, que os personagens podem abandonar a disputa ao final do expediente para se preparar para o dia seguinte de trabalho.

Além de tudo isso, o jogo ainda conta com vários sistemas de criação de itens. Isso inclui culinária, farmácia, criação de equipamentos e ferramentas para a fazenda. Conforme o jogador realiza qualquer uma dessas ações ou até mesmo come e usa fontes termais, ele irá aumentar o seu nível nessas atividades e outras correlatas.

Com todos esses elementos, o jogo oferece um sistema viciante que recompensa o jogador pelo seu esforço por meio desse elemento de progressão visível no menu. No entanto, vale destacar que alguns aspectos poderiam ser mostrados de formas mais claras. O jogo poderia indicar com mais clareza quais elementos estão aumentando com as ações. Em particular, no caso dos relacionamentos, o jogador até precisa ir no menu para conferir como está sua relação com os outros, pois não há feedback adequado na interface.

O conteúdo novo

Originalmente lançada para Switch, a edição Special conta com algumas adições em relação ao jogo de 3DS. Em particular, tendo em conta o elemento de casório do jogo, há duas novidades: o Newlywed Mode e o Another Episode.

Ambos os extras são formas de expandir a narrativa, com o primeiro tendo elementos jogáveis e o segundo funcionando como uma espécie de visual novel. Essas histórias ajudam a dar um pouco mais de conclusão para a história e ver como eles ficam felizes após resolver todos os problemas. Não é nada particularmente expressivo, mas é uma adição que pode ser bem agradável para alguns jogadores mais apegados aos personagens.

Ainda um jogo de 3DS

Para o lançamento nos novos consoles e no PC, Rune Factory 4 Special faz algumas melhorias visuais. Os modelos de personagens e ambientes agora estão em alta definição e há um filtro de smoothing aplicado sobre eles e a interface. O resultado é que, quando visto de perto, o jogo pode parecer bastante borrado.

Ao mesmo tempo, ainda é nítido que os assets são de um jogo de 3DS. Apesar de muito mais detalhe, as arestas são mais triangulares e a diferença em relação às ilustrações 2D de altíssima qualidade é perceptível.

No PC, há uma ferramenta externa para configuração. Nela é possível optar por várias resoluções indo do 720p ao 4k em modos de janela e tela cheia, vsync e texturas em alta resolução. Outras opções incluem manter o jogo ativo no background, configurações do teclado, alterar controles e linguagem de texto e dublagem. Não há opção de português, mas é possível escolher inglês, francês, alemão, coreano, chinês ou japonês para os textos. A dublagem pode ser inglês ou japonês, mas esse aspecto pode ser alterado dentro do jogo também.

Um clássico do 3DS agora em sistemas modernos

Rune Factory 4 Special é um jogo viciante que mistura na medida certa elementos de simulação e RPG de ação. Apesar da nova versão não conseguir atualizar totalmente o jogo, mantendo-o com a sensação de um título de 3DS com um filtro simples, ainda é uma obra bastante empolgante por seu gameplay.

Prós

  • Novos modos que expandem a história dos personagens pós-jogo;
  • Combinação excelente de várias tarefas da vida na fazenda e de artesanato com viciantes elementos de progressão de RPG de ação;
  • Opções de configuração satisfatórias para o PC.

Contras

  • Mesmo optando pelas texturas em alta resolução, visualmente o jogo deixa transparecer suas origens como jogo de 3DS;
  • Determinados elementos do jogo acabam ficando desnecessariamente obscuros, escondidos em menus.
Rune Factory 4 Special — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela XSEED Games


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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