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Análise: Faraday Protocol (Multi) é bastante criativo, mas peca com uma execução desajeitada

Aventure-se em um local inóspito, cheio de salas com um desafio mais complexo que o outro e muitos elementos dourados.

Produzido pelo estúdio italiano Red Koi Box, Faraday Protocol é um intrigante puzzle em primeira pessoa que levará o jogador a explorar as mais diversas saídas para atravessar diversos ambientes, ao melhor estilo Portal 2. O que será que nos espera nessa jornada em um planeta desconhecido e que deveria estar desabitado?

O que tem atrás daquela porta?

Em Faraday Protocol, estamos na pele do arqueólogo interestelar Raug Zeekon, do planeta Cunor, que foi enviado por sua agência para coletar mais informações sobre uma estação espacial aparentemente abandonada que transmitiu um sinal de vida. Raug aterrissa no local e tem em suas mãos apenas uma ferramenta: a pistola Bia-Tool, utilizada para converter feixes de energia. Além do seu uso, só temos mais um comando, que é o de pulo.

Ao chegar no local, que ele descobre se chamar Opis, é saudado por uma inteligência artificial, que mais tarde revela ser Iris. Ela conduz o protagonista pelas diversas salas por meio de desafios, que consistem em usar a Bia-Tool para absorver a energia armazenada em totens. Recolher ou depositar os lasers captados com a ferramenta é a mecânica fundamental para abrir portas, ativar plataformas e acessar locais mais afastados.

Após alguns quebra-cabeças mais simples, a complexidade vai aumentando e são introduzidos novos elementos, como pontes, saltadores, elevadores e outro tipo de elemento de enigma: os símbolos. Eles funcionam por meio de artefatos giratórios de quatro lados, e sempre precisam ser posicionados na ordem correta, respeitando o que é mostrado em alguma parede, console ou porta.

Da segunda metade do jogo para o final, as duas mecânicas se misturam e criam enigmas complexos, mas que com a devida paciência e atenção conseguem ser resolvidos tranquilamente. Tudo é muito intuitivo e, uma vez que o jogador entende o funcionamento de tudo, a progressão pelo grande labirinto-planeta é satisfatória. Sempre fica a curiosidade de saber qual será o desafio que estará por trás da porta seguinte.

Porém, o jogador precisa descobrir isso na raça. Não existe um tipo de tutorial ou avisos de como funciona cada elemento, o que nos deixa meio desamparados para começar a exploração. Outro ponto mal aproveitado são os colecionáveis: existem 18 peças para serem encontradas pelo caminho, mas elas não adicionam em nada na narrativa, apenas são coletadas e contabilizadas. Para piorar, elas só podem ser vistas no menu principal, já que o jogo só faz questão de mostrar quantas já foram achadas e só.

Além disso, por só apresentar dois tipos de mecânicas básicas para os seus puzzles, algumas áreas parecem ser exaustivamente repetitivas e mais longas do que aparentam. Se tivessem sido acrescentados mais uns dois ou três elementos para diversificar os desafios, com certeza a aventura seria mais prazerosa.

Por mais trabalhosos que os quebra-cabeças possam parecer, ainda mais nas áreas finais, o jogo pode ser finalizado em poucas horas - entre duas e três - e seu fator replay é baixíssimo. Nem mesmo os colecionáveis fazem valer a pena uma revisitação dos locais explorados, o que é uma pena, pois sua ideia central é até que muito boa.

Tudo que reluz é ouro sim!

A ambientação de Faraday Protocol em si é bem feita, mas simplória. Existe pouca variação de localidades, uma vez que nossa jornada se resume a explorar duas grandes pirâmides cheias de salas, chamadas de Ziqqurat. Seu visual, com grandes estátuas douradas, paredes douradas, teto dourado e diversos elementos únicos e dourados — sim, tem MUITO ouro presente — lembra uma versão espacial do antigo Egito, o que é uma escolha bastante acertada. Entretanto, não esperem nada mais do que isso, pois são nesses lugares que passamos a maior parte do tempo. A única variação entre elas é que a Ziqqurat 1 está intacta e a Ziqqurat 2 apresenta destroços e ruínas, mas não em todas as salas.

Fora o caso acima, só temos a vegetação presente quando descemos da nave, e que leva cerca de 3 minutos para ser atravessada, presente quando descemos da nave, e os saguões cibernéticos, que só são vistos bem no final do jogo, em seus últimos 15 minutos. Por mais que essa escolha estética faça total sentido com a proposta do jogo, não faria mal usar uma ou outra variação de cores em alguns locais. Lógico que existem cores específicas para cada elemento interativo, como os totens e as chaves giratórias, mas não é raro todo esse dourado nos fazer passar reto por alguns elementos chave, como se estivessem camuflados.

Quanto à trilha sonora, ela apenas dá um tom de mistério que permeia a exploração. Como não temos batalhas contra inimigos ou chefes, ela se mantém em um tom mais ameno. Nada que se destaque, mas também não compromete.

Um quebra-cabeça de poucas peças

Faraday Protocol tem os elementos chaves para ser um ótimo desafio, mas peca pela repetitividade e curta duração. Além disso, sua história, que tinha tudo para ser promissora, é bastante mal aproveitada. Ainda assim, é um jogo que os fãs de enigmas e plataforma podem aproveitar sem medo de se arrepender.

Prós

  • Bom nível de desafios, exigindo do raciocínio lógico do jogador;
  • Enigmas criativos;
  • Visuais bacanas;
  • Trilha sonora ajuda a criar um clima de mistério.

Contras

  • História mal aproveitada;
  • Curta duração;
  • Não há um tutorial ou explicação de como tudo funciona;
  • Colecionáveis desinteressantes;
  • Alguns puzzles se tornam repetitivos;
  • Pouca variação no ambiente.
Faraday Protocol — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Thais Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Deck 13


é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha.


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