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Análise: Dungeon Deathball (PC) oferece uma mistura ágil entre estratégia, puzzle e roguelike

Participe de um esporte brutal neste criativo título indie com partidas por turnos.


Em Dungeon Deathball, pessoas precisam enfrentar monstros em uma competição sangrenta para conseguir escapar de uma estranha prisão. Este título indie mescla elementos táticos, mecânicas de roguelike e conceitos de esportes (como queimada e futebol americano) para criar embates únicos e brutais. Produzido por um único desenvolvedor, o jogo empolga com sua interpretação frenética de estratégia por turnos e apresenta boa complexidade a despeito de suas poucas mecânicas. 

Duplas contra inúmeros monstros

Em cada estágio de Dungeon Deathball controlamos até dois personagens e o objetivo é alcançar o extremo direito da arena. A tarefa não é fácil, pois monstros e armadilhas farão de tudo para impedir nosso avanço. Além dos punhos, o time conta também com uma bola, que pode ser lançada nos inimigos para atordoá-los e empurrá-los.

Por turno, cada humano tem direito a executar duas ações, como se mover, atacar ou lançar a esfera. Os movimentos consomem fôlego, que pode ser recuperado ao usar a opção de descansar. A bola é uma ferramenta poderosa, mas há um detalhe importante: o personagem que a carrega gasta mais energia que o normal.


O time está em constante desvantagem, pois é grande a quantidade de monstros em cada arena. Além disso, os humanos são frágeis e morrem definitivamente com apenas um golpe. Parece uma situação impossível, mas, por sorte, todos os inimigos indicam com antecedência os seus próximos movimentos. Com isso, podemos planejar uma rota segura e até mesmo fazer um monstro atacar outro ao empurrá-los para outros espaços.

No final da partida, recebemos uma classificação de acordo com o nosso desempenho. Para sair vitorioso basta fazer um dos humanos chegar à coluna da direita, porém várias outras ações aumentam a avaliação, como coletar diamantes espalhados pela arena, cruzar a chegada segurando a bola ou concluir a partida abaixo de um determinado número de turnos. Fazer uma boa pontuação é importante, pois ela determina a nossa recompensa em dinheiro, que pode ser utilizado para melhorar atributos dos membros do time.



Conceitos básicos aplicados em partidas intrincadas

As mecânicas principais de Dungeon Deathball são bastante simples e enxutas, porém a presença de vários outros elementos trazem complexidade às partidas. Como sempre estamos em menor número, precisamos pensar com muito cuidado como prosseguir, o que transforma cada estágio em um pequeno puzzle tático. O escopo diminuto das arenas faz com que as partidas sejam ágeis e rápidas. Além disso, o visual em pixel art e a trilha sonora animada complementam o tom de empolgação do jogo.

No começo morri bastante por ser descuidado, mas progressivamente entendi as nuances e passei a fazer movimentos ousados interessantes, como atrair oponentes com um jogador enquanto o outro se esgueirava até a saída. Isso se dá principalmente por causa da exibição prévia das ações dos inimigos, o que nos permite manipulá-los em nosso benefício — é ótima a sensação de sair de uma situação complicada ao empurrar um monstro em uma armadilha ou ao fazer um inimigo atacar o outro.


Novos perigos aparecem conforme avançamos, forçando-nos a repensar estratégias. Em alguns estágios apareceram mais inimigos que o normal, logo precisei bolar uma maneira de derrotar alguns para prosseguir. Já em fases mais avançadas, surgiram monstros diferentes, como um irritante coelho que agarra a bola ou um imenso gorila que não pode ser empurrado. Melhorar os atributos dos nossos personagens é essencial para sobreviver, e o título conta com várias classes distintas, como personagens focados em mobilidade ou indivíduos especializados em ações com a bola.

Dungeon Deathball é um roguelike, ou seja, elementos das partidas são gerados proceduralmente e ser derrotado significa recomeçar a jornada desde o início. Para trazer variedade, existem vários recursos desbloqueáveis. Diferentes configurações de times iniciais podem ser liberadas e mudam sensivelmente o andamento das partidas. Já modos extras oferecem regras diferenciadas, como o “Action Mode” (os humanos contam com três ações por turnos, porém há mais monstros) e um desafio diário com elementos fixos.



Limitações no esporte

A simplicidade elegante de Dungeon Deathball é sua melhor característica. No entanto, com o tempo, alguns problemas começam a incomodar. Para começar, os estágios são mecanicamente parecidos entre si e logo eu já estava repetindo as mesmas estratégias — empurrar inimigos nas armadilhas fica cansativo e repetitivo. Os diferentes monstros até trazem alguma complexidade, mas, uma vez entendidos seus padrões, basta replicar as táticas de sempre. No fim, não há muito espaço para experimentação.

Para tentar compensar esse defeito, o jogo conta com forte aspecto competitivo com placares online e opções de dificuldade. Um recurso notável nesse aspecto são diferentes bolas que facilitam ou complicam as partidas. Escolher uma esfera com desvantagem aumenta a pontuação final, e há incentivos em fazer isso repetidamente com uma multiplicação no bônus. Esses recursos são bons incentivos para encarar desafios mais complicados, no entanto não têm apelo algum para jogadores sem interesse em elementos competitivos.



Um roguelike breve e intenso

Dungeon Deathball é uma interpretação ágil e singular de estratégias por turnos. É empolgante usar os punhos e uma bola para superar os desafios de um esporte que lembra um puzzle diminuto. As mecânicas são simples, porém há boa dose de complexidade, em especial na hora de manipular as ações dos inimigos para poder avançar.

Mesmo assim, após algumas partidas as limitações ficam aparentes e os estágios se tornam repetitivos. Certos detalhes ajudam a amenizar esse problema, como diferentes times, modos e opções competitivas, no entanto eles podem não ser suficientes para alguns jogadores. No mais, Dungeon Deathball diverte com a sua criatividade, mesmo que por pouco tempo.

Prós

  • Conceito principal único que mistura estratégia e puzzle em partidas ágeis;
  • Vários times e modos de jogo para experimentar;
  • Ambientação charmosa com gráficos pixelizados e música chiptune.

Contras

  • As possibilidades estratégicas e a variedade de situações se esgotam rápido;
  • Diversidade limitada de situações deixa as partidas repetitivas a longo prazo.
Dungeon Deathball — PC — Nota: 7.5
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida por Matt Glanville

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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