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Análise: Metallic Child (PC/Switch) traz muita ação e porradaria entre robôs no espaço

Junte-se a Rona em uma missão para salvar o planeta Terra.


Uma rebelião no espaço colocou o planeta Terra em um perigo iminente. Em Metallic Child, vamos acompanhar Rona, uma androide que precisa da sua ajuda para investigar os acontecimentos dos últimos dias e impedir que uma catástrofe aconteça. Com uma história emocionante e muita ação, temos em mãos um título com muita personalidade que usa e abusa dos elementos roguelike.

A rebelião dos androides

Destruída e desorientada, a androide Rona tenta a todo custo entrar em contato com alguém que possa ajudá-la. Sem poder se locomover e presa em uma nave no espaço, a única pessoa que atende ao chamado é você, um terráqueo que está a 385.000 Km de distância. Aliviada, ela pede um favor: precisa de auxílio para se locomover e pedir o robô de reparo, pois seu sistema de locomoção independente está comprometido.




Ao aceitar ajudá-la, assumimos a menina robô até sua chegada na nave principal. Chegando ao local, passamos a entender o que está acontecendo. Uma rebelião na qual os Metallic Childs foram utilizados para aniquilar os opositores foi iniciada por alguém da nave. 

O projeto Metallic Child consiste na construção de androides com mentes humanas. Rona, resultado do primeiro projeto, é a mais simples de todos. Os demais foram desenhados para serem verdadeiras máquinas de guerra. Logo, Rona não tinha valor para os rebeldes e foi atacada junto da tripulação.




O objetivo da rebelião, além de controlar os androides, é redirecionar todas as naves em direção à Terra, o que causará a destruição do planeta inteiro. Para evitar o desastre, precisamos derrotar todos os Metallic Childs e recuperar os Core Gems, núcleos de energia utilizados para dar poder aos robôs. Em posse dos núcleos, será possível usá-los para modificar a rota de todas as naves.

O combate contras os Metallic Childs

Semelhante ao que ocorre na série Mega Man, temos a liberdade de escolher qualquer fase para desafiarmos. Essencialmente, todos os estágios são compostos por andares, e o principal objetivo é encontrar o acesso ao próximo. Nem todas as fases possuem esse esquema rígido, o que traz uma particularidade interessante a todos.




Cada andar é composto por salas fechadas e corredores que as ligam. Em cada uma delas enfrentarmos hordas de inimigos e derrotá-los é necessário para prosseguir. A exploração não é obrigatória, porém é incentivada, uma vez que é possível encontrar itens para upgrade e armas mais poderosas.

Tais salas possuem elementos como paredes, armadilhas e proteções, que podem ser úteis no combate. Uma característica bem específica, no entanto, é um pouco complicada. Algumas salas possuem obstáculos que nos obrigam a saltar entre plataformas e a jogabilidade nesses trechos é comprometida por uma movimentação estranha nos saltos de Rona. Em combate, as coisas fluem naturalmente, porém, quando é necessário pular, as coisas passam a ficar complicadas.




Inclusive, ainda em relação à movimentação, um certo bug ocorreu com frequência. Ao destruir inimigos perto de paredes, Rona ficava presa nelas. Em alguns casos foi necessário repetir o estágio, fazendo-me perder o progresso.

Antes de iniciar o estágio em si, escolhemos duas entre três opções de armas: braços gigantes; martelo; ou o conjunto espada e escudo. Apesar de ter algumas variedades para cada tipo, essa pouca diversidade acaba deixando um ar de repetição, pois os combos também são limitados. Apesar de podermos alterná-las em combate, essa mudança não agrega tanto quanto poderia.




Além de novas armas, Rona pode adquirir habilidades aleatórias. Durante os combates, os inimigos podem largar um núcleo de energia que a protagonista pode absorver. Cada núcleo pode dar uma habilidade diferente, que pode ser boa ou ruim. Por exemplo, Rona pode adquirir upgrades de força em seus ataques ou até malwares que diminuem sua defesa.

Essa aleatoriedade é importantíssima para evitar o sentimento de repetição, pois cada jogada passa a ser única. Além disso, a avaliação de risco e recompensa na coleta traz uma apreensão à jogatina.



Elementos aleatórios dentro de um gameplay sólido

Os elementos aleatórios de Metallic Child são o ponto alto do que poderia ser um jogo comum e repetitivo. Por ser um roguelike, a estrutura das fases muda a cada jogo, assim como a disposição de inimigos e upgrades para Rona. Tal característica deixa a repetição menos maçante. Além disso, a possibilidade de obter habilidades aleatórias, sejam elas boas ou ruins, dá uma dinâmica diferente ao gameplay.

Para cada chefe, temos conjuntos de desafios diferentes para cada andar que exploramos. As surpresas são muito boas, quebrando totalmente a expectativa de forma positiva: alguns andares passam a ter o layout totalmente diferente do padrão, enquanto outros modificam totalmente o gameplay, como, por exemplo, seções em que Rona pilota uma nave e combate uma invasão no espaço, no melhor estilo shoot ‘em up. Somado a isso, temos missões secundárias que incentivam na exploração do mapa e na coleta de recompensas.




Inclusive, podemos realizar upgrades em Rona, como aumentar seu ataque ou sua vida, deixando-a mais capaz de enfrentar os Metallic Childs, que por sinal são bem difíceis. Não apenas os chefes, mas o jogo como um todo possui uma dificuldade elevada. Contudo, é possível escolher o nível de dificuldade no menu principal, deixando-o mais acessível.

Como recompensa de exploração, podemos encontrar documentos com textos dos tripulantes e descobrir os detalhes da rebelião. De maneira geral, a história não é tão explorada durante a jogatina, logo, esses textos são importantes para dar corpo ao jogo. Porém, não há tradução para português, o que dificulta a compreensão dessa narrativa.  

Apesar de simples, o final possui uma reviravolta muito boa, além de realmente emocionar. Esse sentimento  está aliada aos bons gráficos e dublagens, que transmitem muito bem os sentimentos de Rona e os de seus antagonistas.



Apenas alguns ajustes para o androide perfeito

Metallic Child apresenta um jogo com uma ação dinâmica, divertida e extremamente desafiante. Os elementos de roguelike engrandecem o título, tornando cada jogada única. Além disso, a história emociona e cumpre seu papel de instigá-lo e guiá-lo pela aventura. No entanto, a falta de variedade de armas se opõe à diversidade do título, o que considerei ser o seu principal defeito. Apesar disso, é um jogo excelente, repleto de ação, carisma e diversão. Com alguns ajustes, tem tudo para subir de patamar.

Prós

  • A grande variedade de elementos aleatórios tornam cada jogada única; 
  • Apesar de simples, a história emociona e os personagens são carismáticos;
  • Mesmo com uma estrutura semelhante, as fases possuem características que as tornam únicas; 
  • Várias opções de dificuldade o torna mais acessível.

Contras

  • Ausência de tradução para português;
  • Poucas opções de arma deixam o combate um pouco limitado;
  • As seções de pulo possuem uma jogabilidade bem abaixo da média;
  • Bugs que prendem a protagonista na parede e obrigam a reiniciar a fase.
Metallic Child — PC/Switch — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Thais Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Crest


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