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Impressões: Age of Darkness: Final Stand (PC) tem potencial para ser um dos melhores jogos de estratégia de sua geração

Lançado recentemente em acesso antecipado, título surpreende positivamente, configurando uma grande promessa em seu gênero.

Lançado no início deste mês para PC em acesso antecipado, Age of Darkness: Final Stand pode ser definido como um jogo de estratégia em tempo real com foco na sobrevivência. Aqui, os jogadores deverão gerenciar seus recursos, construir estruturas e se defender de ameaças constantes e poderosas conhecidas como Nightmares. 


Como veremos a seguir, apesar de ainda estar em estágio inicial de desenvolvimento, a obra desenvolvida pelo estúdio PlaySide e publicada pela Team17 possui enorme potencial, configurando um título para se ficar de olho nos próximos meses e anos.

Fantasia medieval

Em Age of Darkness, você é a última esperança da humanidade em um mundo consumido por uma névoa densa e mortal. Alguns dizem que tal fenômeno sombrio que assola o universo é a manifestação do medo humano, e outros dizem que se trata de uma legião de almas atormentadas e destinadas a assombrar os vivos restantes. 

Independentemente do que seja tal névoa, é sabido que a luz e o fogo a repelem. Assim, de posse desse conhecimento, caberá ao jogador, encurralado em uma parte do mapa ainda não atingida por esse mal, organizar o que resta da humanidade para que assim consigam juntos triunfar perante o sinal mais claro desse apocalipse fictício.

O último bastião

Estando em acesso antecipado, ainda não há muitas opções disponíveis no menu de Age of Darkness: Final Stand, o que significa que, logo ao iniciar o título, o único modo jogável de fato é o Survival, que confere ao jogador a missão de sobreviver em território hostil pelo maior tempo possível.

Como pode ser deduzido pela descrição de sua narrativa acima, Age of Darkness não tem a pretensão de ser um jogo “fácil”, e esse fato é enfatizado por uma mensagem inicial dos próprios desenvolvedores, que explicam que provavelmente você falhará muito até conseguir uma vitória. Atualmente, estão disponíveis três níveis de dificuldade para o modo Survival — Fácil, Normal e Veterano —, mas é possível mudar aspectos individuais como a duração do jogo ou a quantidade de inimigos caso você queira uma experiência mais personalizada.

No meu caso, por já ter uma certa experiência com o gênero de estratégia em tempo real, optei por iniciar o meu primeiro jogo na dificuldade Normal. Qual não foi a minha surpresa ao, mesmo com um certo nível de planejamento, não ter resistido à primeira Death Night (as perigosas Noites do Pesadelo, nas quais centenas e até milhares de criaturas atacarão sua base impiedosamente) que presenciei, alcançando a sobrevivência por somente três dias virtuais!

Mas, ao contrário de uma perigosa frustração, o sentimento predominante após a minha derrota foi de entusiasmo para tentar triunfar novamente, desta vez com as lições aprendidas durante a rodada de fracasso — um testemunho da qualidade e versatilidade do jogo mesmo em seu estado atual.

Ataque e defesa

Embora não conte ainda com um tutorial jogável, não é difícil entender o que precisa ser feito em Age of Darkness. Logo ao iniciar uma nova partida e selecionar a dificuldade desejada, você precisará escolher seu “herói”, que nada mais é do que o líder de seu exército e uma unidade mais poderosa que as comuns, capaz de derrotar hordas de inimigos sozinho. Atualmente só há um herói disponível, chamado de Edwin, mas há slots para pelo menos mais dois, que, segundo a desenvolvedora, chegarão em futuras atualizações. 

Ao iniciar uma partida, você estará junto com seu herói e mais alguns guerreiros ao lado de sua base (The Keep), que funciona simultaneamente como o seu centro de operações e o seu assentamento. Seu objetivo principal é proteger essa estrutura a todo custo — se em algum momento ela for completamente danificada ou tomada pelos inimigos, é game over.

Assim, seguindo a cartilha do gênero RTS, caberá a você decidir como progredir, uma vez dentro do jogo. Um planejamento básico passa por investir primeiramente em estruturas que possibilitem o crescimento da população de seu assentamento, como cabanas e casas. A partir daí, com a disponibilidade de mão de obra, é prudente investir em construções que permitam à sua comunidade ter um fluxo constante de recursos essenciais, como comida, madeira e minérios. 

Estabelecidas as bases, é hora de finalmente investir na construção de exércitos e defesas, incluindo torres de fogo para que seja possível mitigar os efeitos da escuridão. Embora nesse estágio de desenvolvimento do jogo ainda não haja uma grande variedade de estruturas disponíveis para construção, posso afirmar com segurança que o que está acessível já é o suficiente para entreter por horas enquanto tenta-se planejar e erguer uma cidade impenetrável.

As noites mais longas

Um dos recursos mais interessantes de Age of Darkness: Final Stand é a passagem do tempo, que acaba concedendo a toda ação dentro do jogo um acertado senso de urgência. Afinal, fazendo jus à proposta, aqui as chances estão contra você, e é preciso correr contra o relógio para ganhar território e vantagem contra uma ameaça constante.

Há um ciclo de dia e noite in-game, e cada um dos períodos tem suas próprias características. De dia, é possível erguer estruturas e os adversários são consideravelmente menos poderosos. De noite, por sua vez, há uma grande chance de ataques à sua base de operações, mas em compensação as recompensas de exploração e destruição de inimigos são bem maiores.

Essa dualidade acaba trazendo uma bem-vinda dinâmica de risco e recompensa ao título: você pode deslocar seus soldados para abater ninhos inimigos e conquistar novos territórios e recursos no período noturno; mas e se um ataque chegar à sua vila enquanto suas melhores unidades de defesa estão longe? Com o tempo, é possível perceber que a maneira mais “fácil” de chegar à vitória aqui é expandindo o seu conhecimento do mapa e colocando torres de fogo onde possível, mas se afastar demais de seu território inicial pode simultaneamente significar uma morte rápida e dolorosa dependendo das circunstâncias encontradas nos mapas gerados aleatoriamente a cada partida.

Na prática, isso muitas vezes se traduz na necessidade de tomar decisões rapidamente no calor do momento (ou combate), conforme a hora avança impiedosamente. E é nesses e em outros momentos, como ao enfrentar hordas de inimigos que superam numericamente o seu exército e avançam brutalmente sobre as barreiras postas, que Age of Darkness mostra enorme potencial, a ponto de — ouso afirmar — possivelmente terminar como um dos melhores jogos de estratégia de sua geração. 

Sendo sincero, fazia um certo tempo que eu não me divertia assim com uma obra do gênero, que é um dos meus favoritos no PC. Embora a estrada até o lançamento de qualquer jogo carregue uma certa dose de incerteza e imprevistos, creio que fãs do estilo e da temática de fantasia medieval têm motivos de sobra para ficar atentos ao desenrolar deste projeto.

Beleza antiga

No que tange ao aspecto técnico do jogo, mesmo em acesso antecipado, não presenciei bugs ou crashes de nenhuma espécie, o que denota uma base sólida para os futuros desenvolvimentos e atualizações. Visualmente falando, o jogo também já se encontra em um estado agradável, em que se destaca a otimização: jogando com as configurações no máximo, não presenciei quedas na taxa de quadros ou stuttering, mesmo com muitas unidades na tela ao mesmo tempo.

Como nem tudo são flores, existem alguns pontos que merecem uma atenção maior ao meu ver: trata-se da trilha sonora, que até o momento não é nada impactante ou memorável, e da pequena variedade de inimigos, heróis e cenários. Porém, tendo em vista que as duas próximas atualizações, segundo divulgado no roadmap de atualizações, prometem atacar nessas frentes, mantenho o otimismo já descrito acima.

E, por falar no mapa de atualizações, também está prevista a chegada de um modo campanha propriamente dito e de um modo multiplayer — tudo ainda dentro do período de early access. Caso todas as promessas sejam cumpridas e façam jus ao potencial visível aqui, podemos estar diante do nascimento de um clássico moderno. Particularmente, estarei torcendo para isso.

A era da escuridão

Mesmo estreando há pouco tempo em acesso antecipado, Age of Darkness: Final Stand já apresenta uma experiência divertida e concisa, capaz de entreter por horas a fio. Como dito acima, este é um título que fãs do gênero e da temática devem manter em seus radares pessoais, pois há um nítido potencial em suas mecânicas e sistemas. Fica a torcida, então, para que os desenvolvedores façam jus a esse fato e entreguem, com a valiosa ajuda do público, uma obra digna do panteão dos grandes jogos de estratégia. A jornada pode ser longa, mas já começou.

Revisão: Ives Boitano
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela Team17

é bacharel em Produção Cultural pela UFF e estudante de Comunicação Social pela FSMA. Na infância, ganhou um Super Nintendo dos pais e, desde então, nunca mais deixou o mundo dos games. Ainda sonha em ser um Mestre Pokémon.


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