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Análise: SkateBIRD (Multi) é um jogo com uma boa premissa, mas que caiu do skate

Uma ideia original que infelizmente não foi bem executada.


Jogos de skate oferecem a deliciosa fantasia de realizar manobras impossíveis com  destreza sobre-humana. SkateBIRD vai além ao trazer a premissa extremamente interessante de colocar o jogador no papel de um pássaro fofo, com a possibilidade de usar as asas em suas manobras, ampliando a sensação de liberdade e proporcionando algo que nenhum skatista humano poderia fazer. A ideia é super original, mas infelizmente essa manobra radical acabou num capote.

Passarinho, que jogo é esse?

SkateBIRD conta a história de Birb, um pequeno pássaro que está muito preocupado com seu Big Friend, que saiu de casa e está aprisionado num terrível lugar chamado “emprego”. Felizmente, a ave é uma fera do skate e contará com seus amigos emplumados para executar um plano audacioso de resgate.

Assim como na maioria dos jogos de skate, controlamos nosso personagem em um cenário 3D com visão em terceira pessoa. A inovação em SkateBIRD é que o personagem é um pássaro, que pode bater asas ou planar para acrescentar ainda mais possibilidades às manobras de skate. Os obstáculos são feitos em uma escala inovadora, com itens improvisados como materiais de escritório e objetos domésticos.
Queeeem? Toninho Gavião???
O jogo tem um visual interessante, com pássaros fotorrealistas e muitas opções de customização. É possível escolher centenas de combinações entre a espécie da ave, cor e acessórios, além do modelo do skate.

Tiny Hawk’s Pro Skater 

A jogabilidade de SkateBIRD é claramente inspirada em Tony Hawk’s Pro Skater 4 (Multi), contando inclusive com os mesmos controles para fazer saltos, manobras, truques e balanço: o analógico esquerdo impulsiona o skate e controla a direção, enquanto os botões fazem as manobras.

Falta, porém, em SkateBIRD um controle mais preciso, essencial a um bom jogo de skate. A experiência de liberdade rapidamente se transforma em frustração por não ser possível conduzir o pássaro da maneira que o jogador deseja. Os controles são pouco responsivos e a física fica em um meio-termo desajeitado entre a realidade e a gravidade lunar.

Frequentemente acontece de partes do passarinho ficarem entaladas dentro de paredes ou objetos. Nesse caso, é uma luta para balançar os direcionais e apertar freneticamente o botão de ollie, que reinicia o personagem em caso de queda, mas que não funciona quando ficamos presos.
Isso é que é ficar preso!
Para piorar as coisas, a câmera tem vida própria e tende a seguir a superfície mais próxima do personagem. É bastante comum que, ao encostar em cantos ou ficar próximo a obstáculos, ela comece a tremer ou alternar rapidamente para frente e para trás, numa confusão que não pode ser contida nem mesmo com o uso do analógico direito (ou do mouse, no caso de se jogar no computador), arruinando a jogabilidade.

Joelhinho vai dobrar, dois saltinhos só pra ver, vamos voar!

Ao explorar o cenário, você encontra outros pássaros, que abrirão diálogos divertidos e passarão uma lista de tarefas, com objetivos como realizar saltos, coletar objetos no ar, deslizar por bordas, ou realizar manobras específicas dentro de um limite de tempo. Por conta da má jogabilidade, fazer as tarefas é pouco prazeroso, pois mesmo algo simples como fazer o grind em uma tigela de sopa é um exercício frustrante de tentativa e erro.

Felizmente estão disponíveis diversas opções para alterar a velocidade de movimento, reduzir a dificuldade para equilibrar o skate ou fazer curvas mais fechadas. Há também recursos de acessibilidade, como permitir que o botão de ollie também faça grinds ou fliptricks, o que pode ser útil para pessoas com restrições de movimento nas mãos. 
Manobras realmente aéreas
Não há localização para português brasileiro, mas isso não chega a impactar o andamento da campanha. Aliás, é possível ignorar completamente a história, pois cada estágio funciona como uma sandbox onde você pode se divertir experimentando manobras livremente.

A trilha sonora é bastante agradável e combina bem com a ambientação do jogo. Ao explorar o cenário é possível coletar fitas cassete que adicionam novas faixas à sua coleção. São 57 músicas no total, e o jogador pode escolher quais delas serão tocadas durante o gameplay usando a opção Your Mixtape. 
Bateu asas e voou!

Mais vale um pássaro na mão do que um skate voando

Embora tenha uma premissa inovadora e seja visualmente muito fofo, a experiência geral de SkateBIRD é frustrante. Os controles e a câmera são confusos, e a física não funciona como deveria. É um jogo com um conceito bastante original e que poderia ser muito divertido, mas que pecou pela falta de polimento na jogabilidade.

Prós

  • Premissa original;
  • Esteticamente fofo;
  • Boa trilha sonora;
  • Muitas opções de customização.

Contras

  • Jogabilidade frustrante;
  • Câmera terrível;
  • Os objetivos de missões não são divertidos.
SkateBIRD - XBO/Switch/PC - Nota: 5.0
Versões utilizadas para a análise: XBO e PC
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Glass Bottom Games


é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação.


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