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Análise: HoneyHoneyHoney! (PC) narra a descoberta da sexualidade sob restrições

Visual Novel da desenvolvedora Ouchi Jikan traz uma experiência divertida e com fan-service bem dosado para seus jogadores.

Lançada no mês passado para PC no Ocidente, HoneyHoneyHoney! é uma Visual Novel divertida e cativante. Em uma narrativa interessante que tece críticas sutis a regimes autoritários e segregantes, o protagonista Shun Orihara deverá decidir qual de três belas pretendentes ganhará seu coração. Assim sendo, como a vida é curta e o amor tem pressa, vamos à nossa análise!

De volta ao lar

Em HoneyHoneyHoney! controlamos o jovem estudante Shun Orihara que, depois de dez anos, retorna para estudar e morar no local onde passou boa parte de sua infância. Mudar-se para um local conhecido é um alívio para Orihara, que, mesmo com uma vida atribulada, guarda boas lembranças de sua época de criança, como a amizade do amigo Tsukasa, o qual nunca mais viu após se mudar.

Ocorre que, nesta localidade, há uma lei estrita estabelecida pelo governo, onde homens e mulheres devem manter uma distância segura e evitar contato físico caso não sejam namorados. Graças a essa lei, que lhe rendeu uma bronca inesperada na infância, Orihara evita até hoje se aproximar de garotas, optando por uma vida mais solitária, porém tranquila e focada.

Por esse mesmo motivo, o jovem até percebe como positivas as rigorosas medidas de separação entre meninos e meninas em sua nova instituição de ensino. O que ele não sabe é que encontros surpresas e novas descobertas terminarão por sacudir o seu mundo de uma forma que ele nunca mais será o mesmo.

Três corações

Convenhamos: um fator capaz de incendiar a sexualidade humana é a repressão. Não à toa, circula há séculos (ou milênios) a crença de que o “proibido é mais gostoso”. Soma-se a isso um contexto estudantil repleto de jovens (acima de 18 anos, reitere-se) cheios de hormônios e curiosidades, e tem-se o pano de fundo dos acontecimentos de HoneyHoneyHoney!.

Sem entrar no campo dos spoilers, não demora muito para Orihara despertar a atenção de três mulheres distintas e igualmente cativantes (daí a origem do nome do jogo). São elas: Tsukasa Tono, a presidente do clube estudantil e filha de um dos responsáveis pela legislação local; Arika Chikamori, uma jovem estudante extrovertida e rebelde; e Miyuki Mitsumine, uma das professoras da instituição.

Sendo as três de personalidades opostas, caberá ao jogador, em dado momento da narrativa, escolher qual rota amorosa seguir. É fácil perceber que há no design das moças um apelo não somente visual, mas também psicológico, ao imaginário masculino. Tsukasa é a pretendente “correta”, educada, e aparentemente inocente. É a inclinação natural de Orihara. Mas, como se pode imaginar, não é fácil deixar de lado a personalidade forte e cativante de Arika, ou o sex appeal natural da professora Mitsumine.

Ao longo de pouco mais de dez horas de história, portanto, o jogador conhecerá mais sobre cada uma das personagens, vivendo o início de um relacionamento íntimo com sua escolhida e as implicações relacionadas ao regime local. É preciso mencionar que, tirando a escolha chave de Orihara, não há quase nenhuma interação com a narrativa, inteiramente dublada em japonês. Porém, considerando que a mesma é bem escrita — uma surpresa, inclusive —, confesso que a falta de opções de diálogo não me incomodou particularmente.

What is love?

Após desenhar o panorama geral do título, é preciso responder a pergunta mestre da análise: HoneyHoneyHoney! vale a pena? Essa é uma pergunta cuja resposta irá variar de pessoa para pessoa, e, sendo bem honesto, provavelmente você já saberá se tem interesse em desfrutar desta Visual Novel ao olhar as capturas de tela que acompanham a matéria.

A verdade é que temos aqui um jogo honesto que, apesar de não oferecer nada revolucionário em seu gênero, sabe o que seu público deseja e se esforça para atendê-lo. As artes, apesar de limitadas em número, são bem-feitas, a dublagem em japonês é bem produzida e até as músicas do jogo são inesperadamente bem compostas. Em especial, devo citar que a narrativa crível e suas críticas sutis tanto a regimes totalitários quanto a repressão dos próprios sentimentos acabaram me surpreendendo, configurando uma experiência agradável entre os já esperados momentos de fan-service

Com três rotas distintas in-game, é possível desbloquear CGs especiais e manusear múltiplos jogos salvos, caso o jogador pense em reviver um acontecimento em sua integridade. Se o seu objetivo primordial for o fan-service, porém, é preciso mencionar que há um patch extra para o jogo disponível na internet. Este se faz necessário caso deseje remover a censura dos momentos mais íntimos, já que, por padrão, a versão disponível no Steam virá censurada. 

Durante as sessões para análise, não foram encontrados erros de tradução, e no que tange à parte técnica do jogo, também não foram vistos bugs e crashes, o que denota um port consistente e que não atrapalha a experiência. Por fim, infelizmente, como é o caso da imensa maioria das VNs orientais, não há tradução para português brasileiro, de modo que será necessário um certo domínio de inglês, chinês ou japonês para desfrutar completamente do jogo.

A descoberta do amor

HoneyHoneyHoney! sabe o que agrada o seu público e busca entregar isso com qualidade. A aventura da Ouchi Jikan não reinventa a roda das Visual Novels, mas sua narrativa e seu elenco carismático acabam sendo os destaques entre os momentos de fan-service, de modo que os entusiastas da proposta encontrarão a esperada satisfação aqui.

Prós

  • Elenco carismático;
  • Narrativa interessante;
  • Fan-service bem dosado;
  • Três rotas disponíveis acabam por prolongar a vida útil do jogo;
  • Dublagem (japonesa) de qualidade;
  • Artes bem produzidas.

Contras

  • Pouca interatividade;
  • Poderia contar com mais pretendentes;
  • Artes podem se tornar repetitivas depois de algumas horas de jogo;
  • Sem dublagem em inglês e adaptação para português.
HoneyHoneyHoney! — PC — Nota: 7.0
Revisão: Matheus Araujo
Análise produzida com cópia digital cedida pela Shiravune

é bacharel em Produção Cultural pela UFF e estudante de Comunicação Social pela FSMA. Na infância, ganhou um Super Nintendo dos pais e, desde então, nunca mais deixou o mundo dos games. Ainda sonha em ser um Mestre Pokémon.


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