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Análise: Arboria (PC) joga goblins na masmorra procedural para salvar a Árvore Pai

O jogo da Dreamplant é uma boa pedida para fãs de roguelikes.

Desenvolvido pela Dreamplant, Arboria é um roguelike de ação em que o jogador deve controlar um goblin e explorar uma masmorra para restaurar a Árvore Pai. Com visual 3D bastante detalhado, o jogo oferece uma boa experiência do gênero.

Explorando Dunar

Arboria conta a história de uma tribo de goblins chamados Yotunz, que buscam recuperar as raízes da Árvore Pai em uma grande masmorra conhecida como Dunar. Conforme avança pela área, o jogador irá descobrir mais detalhes sobre as criaturas que habitam essa região, assim como a história de seu povo e do mundo. Sem entrar em spoilers, a história é principalmente apresentada através de relatórios que podem ser adquiridos nas áreas.

Dunar é uma espécie de labirinto em constante transformação com seus níveis gerados de forma procedural. Cada área possui alguns bichos que podem aparecer, sendo divididos em zonas de insetos, répteis e mutantes. Como há muitos inimigos nas áreas, é interessante ter cautela na exploração e tentar enfrentar poucas criaturas sempre que possível.

Existem múltiplos tipos de armas (chamadas de Symbionts) para utilizar, como espadas longas, sabres, foices, Katar, porretes, entre outros. De acordo com o equipamento escolhido, há variações tanto na agilidade quanto na área de efeito dos ataques. Além disso, elas são classificadas de acordo com o atributo base, podendo ser mais poderosas caso o jogador tenha mais toughness, strength ou focus. Por fim, há também os elementos que causam dano adicional, assim como efeitos, sendo interessante levar em conta as relações de força entre eles para lidar melhor com os inimigos.

Ao encontrar um equipamento, é possível avaliar os seus atributos e compará-los com as armas já equipadas. Porém, também é importante levar em conta o estilo que o jogador prefere. Por exemplo, eu pessoalmente tendo a escolher armas mais ágeis e focar em desviar dos inimigos com timing preciso para aproveitar invulnerabilidade e outras vantagens que obtenho durante a partida.

Além das armas e armaduras, também é possível encontrar poderes especiais, conhecidos como Mutations, em Dunar. Esses golpes consomem MP e suas áreas de efeito variam de uma mutação para outra. Uma das formas de recuperar a energia consumida é através dos ataques básicos, mas a eficácia varia de acordo com a build que o jogador estiver usando. Por exemplo, armaduras leves são mais indicadas para jogadores focados em mutação do que armaduras mais pesadas.

Outro elemento fundamental da jornada são os bongos (basicamente, cachimbos), que são a forma principal de recuperar vida do jogador. Existem múltiplos tipos deles com efeitos de regeneração ou escudo que fazem a diferença para avançar pelas áreas. Apesar de serem bem limitados, o número de bongos é restaurado ao máximo toda vez que o jogador avança para o próximo nível da masmorra.

Um ciclo de coleta, morte e reencarnação

Derrotar inimigos e destruir cristais permite que o jogador colete Veri. Esse recurso é importantíssimo pois pode ser gasto para desbloquear novas funcionalidades e melhorar o poder base de armas, poderes especiais, armaduras, etc. Além disso, é interessante usar Veris como sacrifício aos deuses durante a avaliação da performance do jogador, garantindo bênçãos que melhoram seus atributos para a próxima partida. No entanto, é importante destacar que os Veris coletados ocupam espaço no inventário, assim como os itens consumíveis.

Ao passar por um andar, é possível enviar todo o Veri coletado para a base. Caso o jogador morra antes de avançar, apenas uma pequena fração é mantida. Outra vantagem de alcançar o portal para o próximo nível é que o jogador tem a chance de escolher entre Mutagens, ou seja, habilidades passivas desbloqueáveis. São três opções associadas aos três atributos já mencionados, mas o jogador também pode trocá-las por outras Mutagens encontradas nas fases. Além de ganhar poderes, como, por exemplo, deixar os inimigos mais lentos após desviar, a evolução dos atributos do jogador depende dessas escolhas.

Outro elemento fundamental da experiência são as raízes da Árvore Pai, cujas missões podem ser divididas em dois tipos. Algumas raízes estão sob efeito de uma maldição e o jogador pode tomá-la para si. Os efeitos de ser amaldiçoado incluem o fortalecimento dos inimigos e o enfraquecimento do protagonista, mas é possível ganhar itens poderosos após derrotar uma certa quantidade de inimigos e pôr fim aos efeitos negativos.

Há também raízes vermelhas que precisam ser curadas. Para isso, é necessário lutar contra hordas de inimigos. Ao final, a vida do jogador será restaurada e a raiz contará como um recurso que pode ser gasto para abrir novas lojas na vila dos Yotunz. Baús de tesouro também funcionam de forma similar, sendo possível desbloquear o seu conteúdo após derrotar os inimigos que aparecem depois de interagir com eles.

No entanto, alguns desses baús são bloqueados e dependem de baterias para abrir. Esse item é obtido derrotando os chefes que aparecem pelo caminho e também tem a função de ativar elevadores. Ao desbloquear um elevador, o jogador poderá ir rapidamente para uma área mais funda da masmorra ativando as Mutagens equivalentes a descer um nível de cada vez.

Vale destacar que os chefes estão sempre nas mesmas fases. Tendo isso em mente, é fácil se organizar para lutar contra eles. Enquanto os subchefes não são muito complicados, os chefões possuem vidas longas e padrões que oferecem um bom desafio, sendo importante ter uma build sólida para enfrentá-los. Uma pena que há poucos deles.

O foco em gráficos 3D detalhados

Arboria é um jogo 3D bastante detalhado, sendo perceptível sua preocupação em apresentar texturas ricas e efeitos visuais deslumbrantes. No entanto, há uma sensação geral de que a experiência já cai rapidamente na repetição com suas criaturas e ambientes.

Para lidar um pouco com isso, é comum encontrar missões opcionais pela masmorra. Elas ajudam a trazer variedade para a experiência com objetivos específicos. Por exemplo, fazer com que os inimigos quebrem pilares, encontrar a ordem correta para bater em switches no formato de flores ou acender lâmpadas em uma pirâmide. Assim, se o jogador quiser um pouco de variedade no gameplay, é possível aproveitar essas missões; caso contrário, é possível apenas ignorá-las.

Porém, um aspecto que particularmente me desagrada é a forma como os blueprints são divididos. Conforme avança pelas áreas, o jogador irá encontrar os esquemas de armas e outros itens equipáveis para que as lojas da vila passem a ter essas opções. Infelizmente, esses blueprints são divididos em 3 partes cada, o que apenas serve como um padding desnecessário para prolongar o processo de desbloqueio numa tentativa de fazer o jogo render mais com menos conteúdo.

É curiosa também a falta de marcadores para os itens nas áreas. Todos os níveis são muito amplos, então é fácil deixar blueprints, armaduras, armas e essências para trás. Há marcadores para tesouros, raízes, inimigos, eventos, pontos de teleporte e até mesmo para o corpo do personagem morto anteriormente, sendo possível pegar os itens perdidos, caso o jogador derrote inimigos mais poderosos do que o normal. Fora os itens, apenas armadilhas não são indicadas no mapa.

Tive também um problema com a performance do jogo nas últimas áreas. Mesmo colocando todas as configurações no mínimo por via das dúvidas, o jogo começou a ter problemas de lentidão. Em um momento particularmente ruim disso, próximo do fim do jogo, sofri um crash, com indicação de um problema com a game engine e o fechamento da aplicação.

Uma experiência rica para fãs de roguelikes

Apesar da questão da performance no fim do jogo, Arboria é uma boa experiência de roguelike de ação. Quaisquer fãs do gênero irão aproveitar bastante a proposta e provavelmente não sentirão de forma tão acentuada a sua repetitividade nem seus outros leves defeitos.

Prós

  • Vários elementos para customizar as builds dos personagens;
  • Veri e raízes permitem desbloquear novas funcionalidades e melhorar a base dos personagens;
  • Missões opcionais adicionam um pouco de variedade à experiência;
  • Visual 3D bastante detalhado.

Contras

  • Problemas de performance nas áreas finais do jogo;
  • Tendência a ficar rapidamente repetitivo;
  • Divisão de blueprints em múltiplas partes adiciona uma camada desnecessária de padding ao jogo;
  • Falta de marcadores para itens que podem ser encontrados no mapa.

Arboria - PC - Nota: 7.5

Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela All in! Games


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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