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Análise: Fort Triumph (Multi) é um RPG tático divertido que faz do terreno uma arma

Uma mistura divertida do que há de melhor em dois gêneros.


“Quem conhece a si mesmo e conhece o inimigo, pode garantir a vitória; quem conhece o tempo e o terreno, a alcançará de modo absoluto”
, escreveu Sun Tzu em “A Arte da Guerra”. RPGs táticos costumam valorizar o uso do terreno para posicionamento estratégico das unidades, mas Fort Triumph enriquece o gênero, apresentando uma nova mecânica que usa o terreno como elemento essencial de defesa e ataque, além de combinar o que há de melhor no combate em turnos de XCOM com a exploração do mundo similar a Heroes of Might and Magic, resultando em uma combinação única e interessante.

O melhor de dois mundos

Fort Triumph é um RPG tático com ambientação de fantasia medieval cartunizada, dividido em duas etapas distintas. A etapa de exploração ocorre num mapa gerado proceduralmente, que vai se revelando à medida que o desbravamos, no qual podemos coletar recursos ou participar de pequenas batalhas que dão itens como recompensas. Neste modo também gerenciamos uma cidadela, onde podemos construir edificações que dão vantagens em combate, compramos melhorias para o grupo ou recrutamos novos membros para formar grupos secundários. Os menus para customização de grupos e itens são um tanto confusos, mas você acaba se acostumando com eles.
Explorar o mapa fornece recursos e desafios com direito a prêmios
A etapa de combate é a parte mais divertida e o ponto alto do jogo. Trata-se de um sistema de batalha 3D isométrica em turnos, no qual sua equipe, normalmente composta por quatro unidades, deve eliminar todas as unidades do time adversário. Atividades como movimentação ou ataque custam Pontos de Ação dos personagens. Posicionar unidades adjacentes a paredes e objetos grandes confere cobertura parcial ou total, diminuindo drasticamente a chance de serem atingidas por ataques.

Embora seja bastante similar ao sistema de combate dos jogos XCOM, o diferencial de Fort Triumph está na utilização mais elaborada do ambiente como elemento estratégico. Objetos sólidos servem como cobertura, mas também podem ser empurrados ou derrubados sobre as unidades, nocauteando-as e causando dano. Unidades nocauteadas não podem atacar ou usar habilidades no próximo turno, limitando-as apenas a se movimentar.
Achou que a coluna ia te proteger? Achou errado!
Isso adiciona uma camada estratégica extra, pois as coberturas passam a ser como uma faca de dois gumes, servindo como proteção, mas também como ameaça às suas tropas, se mal posicionadas, e o mesmo vale para seus oponentes. Objetos alinhados causam um “efeito dominó” quando colidem uns com os outros, podendo atingir várias unidades em cadeia com um único ataque.

Infelizmente, não é possível salvar o progresso durante o combate; Se você precisar retomar o ponto de salvamento, voltará para o começo da luta.

Luta de classes

Os personagens são divididos em quatro classes: paladino, patrulheiro, mago e bárbaro. Cada uma possui pontos fortes e fracos, e desenvolvem árvores de habilidades diferentes. À medida que uma unidade ganha níveis, você pode desenvolver sua árvore de habilidades de forma personalizada; portanto é possível possuir diversas unidades da mesma classe, mas com talentos completamente diferentes uns dos outros.
Ado ado ado, cada um no seu quadrado
Toda classe possui ao menos uma “habilidade cinética”, que permite deslocar objetos do cenário ou unidades. Magos podem empurrar objetos, patrulheiros podem puxá-los e classes de combate corpo-a-corpo podem chutá-los. Frequentemente é mais eficiente usar habilidades cinéticas do que ataques normais nos oponentes. Derrubar um portal de pedra ou uma árvore sobre um inimigo causa um bom dano, além de atordoá-lo e atingir unidades próximas.

Uma campanha curta e divertida

A campanha é dividida em seis atos; Ao finalizar a batalha final de cada ato você passa para o próximo, podendo levar consigo quatro personagens, um item e uma vantagem à sua escolha. Os personagens que foram levados para o próximo episódio retêm seus níveis e habilidades conquistados. Eu levei cerca de uma hora para finalizar cada ato, completando a campanha em seis horas no modo normal.

Um detalhe digno de nota é a excelente localização para o nosso idioma, que manteve as piadinhas e os maneirismos linguísticos dos personagens. Desta forma, jogadores brasileiros poderão apreciar todo o humor da campanha, curta, porém muito divertida. Os personagens são extremamente estereotipados, mas isso não tira a graça da história. Pelo contrário, reforça o humor nos diálogos, narrados como se fossem um RPG de mesa.
Diplomacia não é o forte da bárbara
Além da campanha, Fort Triumph oferece os modos multiplayer cooperativo e confronto, que permitem combates de dois a oito times controlados por humanos ou pelo computador. Nestes modos é possível escolher entre quatro facções: humanos, mortos-vivos, florestanos e goblins. As facções possuem exatamente os mesmos quatro tipos de unidades e suas diferenças são meramente estéticas.

Este jogo triunfa?

Fort Triumph é um RPG divertidíssimo e muito bem feito, que contribuiu para o gênero tático em turnos acrescentando uma camada estratégica extra com a mecânica de uso do terreno. Apesar de ter uma interface um pouco difícil de entender no começo, sua campanha bem-humorada com personagens carismáticos e, especialmente, o sistema de combate divertidíssimo e prazeroso fazem com que este jogo seja uma recomendação certa para os fãs de jogos táticos.

Prós

  • Combate estrategicamente profundo e muito divertido;
  • Utilização do ambiente acrescenta uma nova camada de desafio;
  • Excelente localização para o português brasileiro;
  • Campanha interessante e muito bem-humorada.

Contras

  • Interface pouco intuitiva;
  • Impossibilidade de salvar o progresso durante um combate.
Fort Triumph - PS4/XBO/Switch/PC - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: XBO
Revisão: Felipe Fina Franco
Análise produzida com cópia digital cedida pela All in! Games


é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação.


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