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Análise: Dodgeball Academia (Multi) transforma queimada em batalhas criativas e frenéticas

Use poderes especiais e participe de partidas impressionantes neste título brasileiro colorido e carismático.


Dodgeball Academia pega o conceito principal da queimada e combina com poderes e movimentos exagerados para criar partidas impressionantes. Além disso, o novo jogo do estúdio paulista Pocket Trap também conta com elementos de RPG, o que introduz camadas de complexidade aos embates. Esses conceitos, em conjunto com um universo colorido e bem-humorado que lembra um cartoon, resultam em uma experiência divertida e singular. Mesmo assim, o jogo peca ao subaproveitar suas ideias, o que torna a jornada um pouco repetitiva.

Em uma aventura para ser o melhor

Em um mundo onde a queimada é um esporte extremamente popular, um garoto chamado Otto tem o sonho de ser o maior jogador de todos os tempos. Para alcançar esse objetivo, ele vai para a Dodgeball Academia, que é conhecida como a melhor escola de todo o planeta. Além de ótimos professores, o lugar tem um artefato especial que é capaz de despertar os poderes latentes dos jogadores — tais habilidades transformam as partidas em verdadeiras batalhas.

Chegando lá, Otto descobre que a escola está organizando um grande torneio, o que se revela uma ótima oportunidade para ele se destacar e alcançar o seu sonho. Sendo assim, o garoto decide participar da competição, o que não será tarefa fácil: inúmeros estudantes poderosos e ardilosos vão fazer de tudo para impedi-lo. Ao longo da trama, Otto se envolve em todo tipo de situação em uma trama repleta de personagens expressivos e de algumas surpresas.

Usando poderes e acrobacias em embates ágeis

A aventura de Dodgeball Academia é estruturada em episódios lineares. O mapa sempre aponta para o próximo objetivo, mas há espaço para exploração com algumas áreas mais abertas, lojas e conversas com personagens. Fora isso, existe também conteúdo extra, como missões, batalhas opcionais e itens escondidos pelos cenários. A progressão é direta e sem muitas surpresas, porém cumpre o seu papel. O único ponto que me incomodou é um vai e vem constante pelos mesmos lugares durante as missões, o que traz uma leve sensação de enrolação.


A maioria das situações nesse mundo se resolve por meio de partidas de queimada. No jogo, as regras lembram o esporte real e o objetivo é retirar da quadra todos os membros do time rival. Para isso, lançamos as bolas em direção aos oponentes e eles saem da partida quando sua vida chega a zero. Existem diferentes tipos de embates, como um contra um ou partidas em que atletas derrotados vão para a extremidade da quadra para pegar as bolas e lançá-las nos oponentes. Há também arenas com obstáculos: quadras com mato alto diminuem a visibilidade, já em partidas na rua precisamos também escapar de veículos.

O grande diferencial do jogo é a presença de habilidades e poderes, que transformam as partidas em verdadeiras batalhas. Além de desferir boladas, os personagens podem se esquivar, se defender e executar técnicas especiais. Quando há uma bola no campo do oponente, o herói ativo pode ativar o Foco, que tem efeitos diversos, como aumentar a força ou recuperar parte da vida — só é necessário cuidado, pois o personagem fica vulnerável enquanto usa a técnica. Já os Esboleciais são ataques extremamente poderosos que só podem ser desferidos após uma barra ser preenchida.


Cada personagem tem habilidades distintas. Otto, por exemplo, é capaz de lançar bolas flamejantes além de saltar e agarrar os orbes. Já os ataques elétricos de Mina drenam a vida de todo o time rival, e seu movimento de defesa é um contra-ataque poderoso. Bexigo não é forte, mas conta com habilidades de cura, o que é um diferencial em combates mais complicados. Mais personagens se juntam ao grupo no decorrer da trama, e me surpreendi com a variedade de estilos de jogo proporcionados por eles.

Fora isso, há diversos elementos de RPG em Dodgeball Academia. Os personagens recebem experiência ao vencer batalhas, e subir de nível libera novas habilidades. Já os equipamentos contam com efeitos diversos, como recuperar vida ao atacar inimigos, aumentar a força ao pular ou melhorar a defesa quando estamos no centro da quadra. Por fim, podemos usar itens variados para curar os heróis ou aumentar permanentemente atributos básicos.



Entre a energia eletrizante e o marasmo repetitivo

Apreciei bastante os combates de Dodgeball Academia, pois eles são rápidos e bastante empolgantes. As mecânicas básicas são sólidas e precisas, o que traz agilidade aos embates, mas eles não são fáceis. Pelo contrário, não prestar atenção é sinônimo de derrota. Constantemente fiquei com a sensação de estar dentro daqueles exagerados animes de esporte por causa da velocidade acelerada, dos movimentos expansivos e dos vários poderes especiais impressionantes.

As várias habilidades e poderes trazem identidade aos embates. Gostei demais de testar as possibilidades do meu time e muitas vezes superei um desafio complicado ao trocar de personagem — ataques elétricos são bastante úteis contra times grandes; já oponentes ágeis são mais fáceis de atingir com a bolada curva de Bexigo. Não só isso, os inimigos também apresentam diferenças significativas, como bolas que se teletransportam, ataques congelantes e especiais que geram inúmeras esferas difíceis de se escapar. Mais elementos aparecem conforme avançamos na aventura e me surpreendi com a diversidade.


Mesmo com a introdução constante de novidades, com o tempo fui cansando das batalhas. O maior problema é que a maioria delas é simples e parecida, bastando simplesmente jogar as bolas sem muita estratégia para vencer. Muitas vezes, inclusive, não há necessidade alguma de utilizar as habilidades especiais. Os sistemas de RPG também não têm muito impacto: os efeitos dos equipamentos, em sua maioria, só incrementam números, e as habilidades liberadas ao subir de nível não mudam a maneira de usar os personagens. Some isso à grande quantidade de partidas parecidas espalhadas pelo jogo e a experiência fica bem repetitiva.

A despeito dos problemas, Dodgeball Academia tem alguns momentos excelentes. As partidas principais, especialmente aquelas que acontecem nos trechos importantes da trama, apresentam maior complexidade e são o destaque do jogo. Nesses embates, precisei usar todos os truques e muita destreza para conseguir vencer — defender na hora certa e utilizar especiais com sabedoria foi essencial. Particularmente, acredito que a experiência seria mais equilibrada se o foco fosse nessas partidas mais elaboradas ao mesmo tempo em que fosse diminuída a quantidade geral de batalhas comuns.


O jogo oferece também multiplayer competitivo local para dois jogadores. Podemos utilizar qualquer um dos personagens liberados na história e há algumas configurações de partidas, como a possibilidade de escolher diferentes arenas e incluir obstáculos. Este modo é bem básico, mas é uma boa opção para curtir com os amigos.

Zoeira com um toque brasileiro

Fora as batalhas, Dodgeball Academia cativa com sua ambientação vibrante cuja produção contou com a participação do artista Ivan Freire (responsável por Victor & Valentino, Rise of the Teenage Mutant Ninja Turtles e mais). O jogo combina elementos 2D e 3D para criar um visual agradável e bastante colorido que lembra um cartoon. Já os combates lembram animes de luta, com auras de energia, golpes especiais exagerados e muitos efeitos visuais.


A trama é leve e repleta de situações absurdas e bem-humoradas. O foco é o torneio de queimada, mas o andamento é sempre imprevisível: uma simples aula rapidamente se transforma em uma invasão de robôs descontrolados; a entrega de um bilhete misterioso a Otto resulta em uma investigação inusitada pela escola; um professor inventa uma partida no meio de uma rua movimentada para que eles aprendam a “jogar sob pressão”. Os personagens, em especial, são bastante expressivos e únicos, esbanjando personalidade com seus maneirismos e aparências. As suas características são um pouco clichê, porém isso não tira o charme deles.

Um destaque é o texto em português, que é muito divertido e tem um constante tom de zoeira — prepare-se para rir com inúmeros jargões, trocadilhos, piadas e termos bem conhecidos na Internet. É ótimo ver também muitas referências ao Brasil, principalmente nos itens: há equipamentos como “brincos trevosos”, e os itens de recuperação são lanches típicos, como pão de queijo, brigadeiro e bolo de cenoura.



Queimada divertida

Dodgeball Academia oferece partidas de queimada criativas e eletrizantes. É empolgante participar de competições que lembram batalhas com poderes especiais e movimentos exagerados, e boa diversidade de situações nos força a aprender novas estratégias constantemente. Além disso, o jogo cativa com uma atmosfera colorida e repleta de humor em um mundo que lembra desenhos animados. Infelizmente o jogo peca ao subutilizar muitos de seus sistemas e ideias, o que deixa a jornada um pouco repetitiva. Mesmo assim, vale a pena conferir Dodgeball Academia, em especial suas partidas mais complexas.

Prós

  • Partidas de queimada ágeis e com ideias interessantes;
  • Muitos personagens distintos para controlar;
  • Atmosfera agradável com visual colorido e texto bem-humorado.

Contras

  • Partidas muito similares trazem sensação de repetição;
  • Sistemas de RPG têm pouca relevância e impacto.
Dodgeball Academia — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Humble Games

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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