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Análise: Spelunker HD Deluxe (PS4/Switch) te leva a explorar cavernas com o “herói” mais frágil do mundo dos games

Encarne um espeleólogo que busca tesouros e deve evitar os perigos que se escondem nas profundezas do subsolo.

Em 1983, foi criada uma aventura com uma premissa básica e desafiadora: na pele de um espeleólogo (cientista que estuda as cavidades naturais subterrâneas, ou seja, cavernas), devemos explorar locais diferentes, evitando perigos, como armadilhas, bichos e até fantasmas, e coletando tesouros. Assim nasceu um dos grandes clássicos dos games da década de 1980, que fez relativo sucesso nos consoles da época, como NES, Commodore 64, Atari 8-Bit e MSX, além dos arcades.

Alguns anos depois, em 2009, o PS3 ganhou um remake exclusivo dessa aventura, batizado de Spelunker HD e baseado na versão original do jogo lançada para o NES. Agora, mais de uma década percorrida, chegou a hora dos donos de PS4 e Nintendo Switch se aventurarem nas profundezas do subsolo com Spelunker HD Deluxe.

Cuidado onde pisa

No controle do nosso intrépido explorador, podemos realizar algumas ações básicas como pular, posicionar bombas para explodir rochas grandes que estão pelo caminho, soltar sinalizadores para espantar bichos como cobras, águias e morcegos, e usar um ventilador portátil para espantar os fantasmas que assombram as cavernas.

Parece tudo bem simples, e é na verdade, mas o jogador terá que se acostumar com um ambiente onde QUALQUER COISA pode te fazer perder uma vida e, quando eu digo qualquer coisa, não me refiro somente às armadilhas do local, mas também aos seus próprios movimentos. Ou seja, se você ficar muito perto das dinamites que colocar nas rochas, você morre; se você ficar exatamente embaixo do sinalizador, disparado por você, enquanto ele cai, você morre; se você tentar um pulo mais longo ou de uma localidade mais alta, adivinhe, VOCÊ MORRE!

Então é só tomar cuidado que dá para progredir numa boa, certo? Errado! Os controles não respondem muito bem aos comandos do jogador, então acostume-se a perder vidas preciosas ao errar diversas plataformas, escadas e cordas ao pressionar o botão de pulo e ele simplesmente não obedecer. Esse pequeno defeito, somado à complexidade de alguns setores, pode minar a paciência até dos mais dedicados espeleólogos. Mesmo pegando o timing do funcionamento das coisas, o que acaba deixando o jogo divertido (se você tiver dedicação e determinação), uma vez ou outra ainda ocorrerão “erros involuntários” que o farão respirar fundo antes de jogar o controle na parede.

Explorando em grupo

Uma das grandes sacadas desta versão de Spelunker é poder jogar qualquer modo de jogo cooperativamente, seja de maneira local (até quatro pessoas), seja em rede (até seis). Além da aventura normal, o modo Adventure, que conta com 100 fases (10 cavernas com 10 andares), ainda é possível competir entre si no modo Competition, para ver quem alcança a maior pontuação; fazer uma exploração conjunta no modo Championship, que conta com outras 100 fases ainda mais difíceis e todos os participantes dividem o mesmo número de vidas; e explorar uma caverna gerada randomicamente e com progressão automática no modo Endless Cave NEO. Além disso, toda pontuação é registrada em rankings globais assim que uma partida se encerra, seja ela solo, seja em grupo.

Todos os modos oferecem a possibilidade de criar lobbies e determinar quantas pessoas participarão da jornada. Também é possível entrar em qualquer sala já criada e integrar um grupo que está à espera de atingir seu número limite. Infelizmente, foi muito difícil achar partidas online, mas, na única oportunidade em que ocorreu, tudo seguiu fluidamente, como se todos os jogadores estivessem no mesmo console.

Carinha quase nova

Para quem jogou a versão do PS3, HD Deluxe traz algumas melhorias visuais, ainda que leves. Existem novas animações para quando o personagem perde uma vida, além de alguns detalhes do cenário estarem com uma definição muito melhor, mais limpa e nítida. Talvez a diferença mais clara logo de cara seja nas chaves coloridas, que agora têm símbolos únicos, assim como os portões que são abertos por elas, que também receberam uma pintura estilizada, para combinar com sua respectiva chave.

Ainda assim, não parece ser um salto visual muito grande, já que se trata do port de um remake. As músicas mesmo não sofreram alteração nenhuma, mas, como foram muito bem remixadas da primeira vez, esse não chega a ser um ponto ruim. Agora, caso bata o sentimento da nostalgia, é possível fazer uso dos gráficos 8-bit da época do NES em qualquer modo de jogo. Basta selecionar a opção antes de iniciar a jogatina e pronto! E o melhor de tudo é que isso não afeta a disposição da tela, que se mantém totalmente preenchida em widescreen.

Entretanto, esse “upgrade” também contém falhas. Com o cenário mais bonito, também ficou mais fácil de não perceber a localização de algumas armadilhas, como os buracos, que se abrem ao você passar, e alguns morrinhos, que podem jorrar vapor e te queimar. Evitá-los torna-se mais uma questão de memória do que de habilidade.

Uma missão sofrida

Spelunker HD Deluxe resgata um título que foi pioneiro para o gênero e traz modos de jogo bem bacanas para o contexto atual. Entretanto, sua jogabilidade estranha, seu aprimoramento visual que omite armadilhas e sua curva de aprendizado um tanto quanto agressiva podem acabar espantando jogadores que só querem gastar umas horinhas se divertindo sem compromisso.

Prós

  • Modos de jogo totalizam cerca de 200 níveis diferentes;
  • Multiplayer em todos os modos disponíveis, tanto local quanto online;
  • Inclusão de visual com gráficos 8-bit;
  • Trilha sonora combina bastante com o ritmo de jogo.

Contras

  • Jogabilidade imprecisa na hora dos pulos;
  • Curva de dificuldade acentuada pode espantar alguns jogadores;
  • Melhorias visuais tornaram algumas armadilhas imperceptíveis.
Spelunker HD Deluxe — PS4/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela ININ Games

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha também não resisto.


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