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Análise: Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin (PC/Switch) é um dos melhores RPGs de colecionar monstrinhos

Esse spin-off da série Monster Hunter é um RPG baseado em turnos de alta qualidade.

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin
é um spin-off da franquia Monster Hunter que troca o gameplay de ação por um funcionamento como RPG baseado em turnos. Além de transportar vários elementos da série principal para esse sistema, os games com o selo Stories adicionam a capacidade de ter uma equipe de monstros à disposição para o combate.

Enquanto o primeiro jogo foi lançado para 3DS, Wings of Ruin está disponível para PC e Switch. A obra conta com referências a eventos e personagens relevantes do seu antecessor e até mesmo do anime, Monster Hunter Stories: Ride On. Porém, a história é conduzida de forma a não deixar que isso seja um incômodo para quem está tendo seu primeiro contato com a série MH Stories.

O lendário montador

Em Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin, o jogador constrói o seu personagem. Além de escolher entre um rapaz e uma moça, é possível alterar o cabelo, a cor dos olhos e o tom de pele. Esses elementos de customização também podem ser alterados posteriormente, exceto pelo gênero.

Independentemente das escolhas, o jogador assume o papel do neto ou neta de uma figura lendária. Seu avô Red foi um grande montador; ou seja, ele também teve uma aventura grandiosa ao lado de seus Monsties.

Enquanto eventos sinistros acontecem no mundo como um todo, o jovem protagonista começa seu treinamento para se tornar um montador e embarcar em sua jornada. Ele irá viajar entre vilas e ecossistemas variados enquanto descobre mais sobre o que está acontecendo.

Um dos elementos fundamentais dessa jornada é a aquisição dos já mencionados Monsties, que são monstros amigáveis com os quais o personagem possui um vínculo. A ideia é que conforme o jogador avança pelas áreas, ele irá encontrar tocas das criaturas. Nos seus ninhos há ovos que podem ser coletados e levados para casa, resultando em um novo Monstie para a equipe.

Ao pegarmos um ovo, um Felyne curioso chamado Navirou, que se torna um dos companheiros do protagonista, o avalia nos aspectos cheiro e peso. Vale destacar que ovos de alta qualidade, os que possuem cheiro mais forte, brilham, sendo fácil identificá-los. Também há alguns elementos específicos, como formato das marcas do ovo e as cores, que podem ser utilizados para identificar qual criatura ele contém.

Um aspecto interessante é que cada bicho pode ter genes diferentes, mudando os seus atributos e habilidades. É possível transferi-los para outros Monsties, fortalecendo uma das criaturas e adaptando-a como desejar. Com isso, a obtenção de múltiplas cópias do mesmo bicho pode ser algo vantajoso para criar a sua própria versão, por exemplo.

Confrontos diretos e o poder da estratégia

Nem sempre o caminho é tão simples quanto sair da vila e ir direto até um ninho pegar um novo ovo. Boa parte da jornada em Wings of Ruin envolve batalhas contra vários monstros e enfrentá-los demanda compreender o seu esquema de forças e fraquezas.

Existem três tipos de ataques básicos: poderoso, rápido e técnico. Eles são associados respectivamente às cores vermelha, azul e verde. Azul é bom contra vermelho, verde contra azul e vermelho contra verde. Cada monstro usa um ataque de um certo tipo e cabe ao jogador perceber essa preferência e lembrá-la para poder enfrentar os confrontos diretos.

Ao ser atacado por um monstro e optar por atacá-lo também, o membro da equipe passa por uma espécie de pedra-papel-tesoura com esses tipos. O vencedor irá causar mais dano, o que pode render pontos de afinidade e uma melhor classificação ao final do combate, o que implica em materiais extras como recompensa.

Caso uma pessoa e um Monstie ataquem o inimigo em turnos consecutivos usando o tipo vantajoso, um ataque duplo é ativado. Além de todas as vantagens mencionadas acima, o golpe impede o ataque do oponente. Ao enfrentar um inimigo só, essa capacidade de controlar totalmente o campo de batalha é muito poderosa.

Vale destacar que há também habilidades que não são restritas às três cores, e disputas com múltiplos oponentes. Após uma certa quantidade de dano, os inimigos podem alterar seus padrões de ataque, o que pode ser percebido pela presença de uma névoa vermelha. Além disso, algumas criaturas possuem múltiplas partes do corpo em que é possível mirar os ataques.

Nesse sentido, um outro elemento importante dos ataques são os três tipos de armas. Determinados inimigos ou partes específicas dos seus corpos podem ser fracos a cortes (espada e escudo ou espada longa), contusão (martelo ou trompa de caça) ou ataques perfurantes (arcos ou lançarmas). É possível equipar três armas, sendo ideal ter uma de cada tipo, e alternar entre elas durante o combate. A troca de equipamento pode ser feita uma vez por turno antes de atacar.

Conforme atinge os inimigos, especialmente utilizando-se de forma eficiente dos elementos estratégicos do combate, o jogador consegue pontos de afinidade com o Monstie atual. Ao encher totalmente a afinidade, é possível utilizá-lo como montaria. Isso recupera os pontos de vida do protagonista e do seu parceiro, além de abrir a possibilidade de usar um ataque especial. Essa habilidade varia de criatura para criatura, mas em geral são golpes poderosos e que podem até impedir que os inimigos ataquem naquele turno.

Apesar de só ter um de seus Monsties disponível por vez, sendo necessário alternar entre eles durante os combates, também podemos contar com aliados humanos. Durante a história, alguns momentos adicionam à equipe dois personagens não-controláveis que podem ser bastante úteis: o humano e seu parceiro. Caso eles também estejam em condição para um ataque combinado, é possível ativar um golpe especial com todos os quatro personagens. O mesmo vale para o co-op online.

Uma verdadeira experiência de MonHun

Apesar de contar com um gameplay baseado em turnos, é impressionante como Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin sabe se apropriar de elementos tradicionais da franquia. É fácil ver como ele adapta a experiência usual da série e isso funciona muito bem para o seu novo formato. Afinal, o loop fundamental de Monster Hunter com caçadas, coleta de materiais e elaboração de novos equipamentos ajuda a valorizar a exploração, que é um conceito sensível ao gênero RPG.

Na vila, podemos pegar várias quests e então partir rumo à aventura. Essas quests envolvem lutar contra certas criaturas, obter itens específicos e algumas tarefas que buscam garantir que o jogador aprendeu alguns funcionamentos básicos do gameplay. Além disso, após um certo ponto da história, também é possível realizar missões co-op ou combates online. Mesmo que não haja oponentes disponíveis, é possível fazer as tarefas com aliados controlados pelo computador.

Ao sair da vila, há vastas áreas com inimigos, materiais para coletar e tocas nas quais é possível obter ovos. Cada Monstie conta com habilidades específicas que podem ser usadas no campo, como saltar, nadar, escalar e a capacidade de detectar ninhos e itens. Graças a isso, a exploração oferece uma boa variedade de atividades para fazer.

Os itens obtidos ao derrotar as criaturas e vasculhar as áreas podem então ser usados como materiais para síntese. Isso inclui a criação de itens úteis, como uma bola de tinta capaz de forçar algumas criaturas a revelar o seu ninho, e equipamentos. Além de criar novas armas e armaduras, upgrades também consomem materiais.

Gostaria de destacar que a tradução em português é, em geral, muito bem-feita. Porém, há alguns erros bem perceptíveis com frases e expressões mal-escolhidas. O exemplo mais claro e comum disso é a mensagem ao obter um ovo, em que Navirou deveria avaliar o cheiro e o peso do item, mas fala que ele "é luz" ao invés de "é leve" (“light” em ambos os casos).

Considerando a obra de forma geral, me parece que esses erros advêm de uma falta de contexto. Muito provavelmente os tradutores só tinham o texto em inglês em mãos sem nem mesmo imagens ou direcionamentos claros, e isso levou a escolhas cujos problemas são nítidos para quem está experimentando o jogo.

A versão de PC também conta com um menu para configurações gráficas que é integrado diretamente ao jogo. Simples, mas direto ao ponto, ele permite escolher entre opções pré-definidas ou ajustar sombras, nível de detalhamento de objetos à distância, fps, v-sync e resolução.

Um RPG exemplar

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin é um RPG bastante detalhado que consegue aproveitar os elementos fundamentais de Monster Hunter para criar uma experiência cativante. Sem sombra de dúvidas é um dos melhores disponíveis no mercado, especialmente quando se fala de jogos focados na captura/criação de criaturas.

Prós

  • Gameplay que recompensa a exploração das áreas amplas do jogo e a realização de missões;
  • Batalhas com muitas opções estratégicas, incluindo a possibilidade de eliminar completamente ataques adversários caso o jogador conheça as dinâmicas de tipos;
  • O ritual do legado permite aproveitar as versões repetidas das criaturas para fortalecer outros Monsties;
  • Criação de itens e equipamentos a partir dos vários materiais que podem ser obtidos ao derrotar as criaturas e explorar as áreas;
  • Missões cooperativas e competitivas online;
  • Ajustes gráficos simples e que podem ser feitos diretamente do menu principal.

Contras

  • Alguns trechos da tradução em português não são adequados ao contexto real.
Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin – PC/Switch – Nota: 10
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Capcom


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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