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Análise: Wave Break (PC/Switch) combina animais mafiosos, manobras de barco e clima dos anos 80

Jogo sobre fazer manobras radicais com barcos é interessante, mas um pouco vazio em termos de conteúdo.

Wave Break traz um conceito atípico. Inspirado em Tony Hawk’s Pro Skater, o jogo coloca uma lontra criminosa e outros animais de moralidade duvidosa no controle de barcos e realizando várias manobras. Apesar de apresentar um clima de anos 80 bem interessante, trata-se de um jogo pouco convidativo para novatos.

Muitas influências de Tony Hawk

Para quem já jogou os jogos da franquia Tony Hawk’s Pro Skater, o gameplay é relativamente similar. O jogador abre uma fase e recebe uma série de missões que incluem fazer mais pontos do que uma determinada meta, realizar certas manobras em locais específicos e obter uma fita e as letras de duas palavras.

Há também certas tarefas de história. Basta encontrar o personagem correto (que grita ao jogador em um balão de texto) para começá-las. Essas missões podem variar bastante, sendo usualmente relacionadas às atividades criminosas da lontra Big Pin e de seus comparsas. Nesse sentido, algumas das tarefas incluem usar armas de fogo para atingir inimigos. Elas funcionam com mira automática, sendo tranquilo acertar quaisquer inimigos que estejam na tela.

São ao todo cinco fases apenas e para desbloquear a próxima área é necessário bater uma certa quantidade de missões. O progresso é indicado para o jogador por uma barra que aparece algumas vezes no fim da fase, usualmente após bater um certo número de atividades. Não é necessário fazer as tarefas de história para avançar. Esse sistema de objetivos é também herança dos jogos de Tony Hawk.

Além da campanha principal, o jogo conta com um editor em que é possível criar seus próprios mapas e compartilhar pela Oficina do Steam. Infelizmente isso acaba não adicionando muita variedade para o jogo porque as opções de criação da fase são bastante limitadas. No entanto, ainda é divertido fazer sua própria fase construindo rampas e colocando estruturas variadas para realizar manobras.

Um jogo de entrada difícil

Infelizmente esses aspectos do gameplay, assim como a diversidade de possibilidades de combo, acabam fazendo com que o jogo seja de difícil entrada. Pessoas que nunca encostaram em jogos de skate ou que estão há anos sem jogar algo do tipo terão dificuldade em explorar o gameplay. O sistema de objetivos da campanha acaba servindo como um guia para se aperfeiçoar, mas também uma trava incômoda ao progresso.

Da mesma forma, a campanha single player tem pouco conteúdo e mesmo o seu conceito de humor é um tanto fraco. Fiquei pessoalmente desapontado que a história não consiga explorar o lado louco da premissa. E isso acaba sendo ampliado pelos vários erros da tradução para o português. No geral, a sensação é de que o jogo ainda está um pouco vazio ao olhar esse lado do conteúdo.

Também acabei encarando vários bugs que me prenderam em quinas das áreas e me impediram de avançar. Isso aconteceu inclusive durante a realização de algumas missões de história. Também fui forçado a fechar o jogo algumas vezes porque a interface parou de funcionar, não sendo possível sequer voltar para o menu principal (até o timer desapareceu após contar até o final, sem fechar a partida).

Vale destacar que, conforme o jogador completa missões, é possível obter dinheiro. Isso permite não apenas obter skins variadas (como um cabelo de palhaço), como também aprimorar os atributos do personagem. Na academia é possível torná-lo mais veloz, melhorar a sua capacidade de realizar manobras, etc.

Um aspecto importante do jogo é o multiplayer. Infelizmente, durante o tempo em que joguei, não consegui encontrar nenhum jogador online. Porém há também o modo Partida Personalizada, que permite jogar contra a CPU. Nele há três possibilidades: Jogo Livre, Maratona de Manobra e Deathmatch. Em Jogo Livre é possível ficar a quantidade de tempo que quiser nas fases sem nenhum objetivo.

Já os outros dois são realmente tipos diferentes de partida para aproveitar. Em Maratona de Manobra, ganha quem fizer mais pontos. Já em Deathmatch, o foco é usar as armas de fogo para derrubar os oponentes, ganhando quem matar mais. A IA dos inimigos não é muito boa, mas é possível ver que jogar com amigos localmente ou online é um dos pontos altos da experiência.

Por fim, gostaria de destacar a melhor parte de Wave Break, que é a trilha sonora. Com boa variedade de músicas dentro do estilo synthwave, ela oferece um grande clima de anos 80. São todas de alta qualidade, muito boas de ouvir tanto dentro das fases quanto nos menus. E o jogo não as interrompe ao sair de uma partida ou acessar quaisquer menus, fazendo com que o jogador possa aproveitá-las como se fosse um álbum.

De forma geral, Wave Break é um título que pode ser bem interessante para fãs de jogos de skate que querem algo um pouco mais exagerado em tom. No entanto, a experiência single player acaba não sendo tão interessante para quem é um completo novato no gênero. Além disso, a obra ainda precisa de mais polimento e mais conteúdo para realmente ser um bom exemplar de jogo de esportes radicais.

Prós

  • Trilha sonora original estilo synthwave que adiciona um clima anos 80 ao jogo;
  • Multiplayer divertido com modos focados em manobra ou matança.

Contras

  • Bugs que prendem o jogador ou forçam a reiniciar;
  • Sistema de missões acaba dificultando a progressão para jogadores novatos na campanha;
  • Poucas fases para o single player e poucas opções para construção de parques;
  • Tradução para o português conta com muitos erros.
Wave Break – PC/Switch – Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Funktronic Labs

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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