Análise: Rust Console Edition (Multi) é um game de sobrevivência para quem curte jogar no limite

Individualmente, as partes que compõem o título são modestas, mas em conjunto elas proporcionam uma experiência única.

em 28/05/2021

Se o gênero de sobrevivência constantemente aparece como ingrediente de grandes jogos, obras dedicadas somente a ele são menos comuns. Em meio a concorrentes pontuais, Rust Console Edition (Multi) chegou aos videogames com uma experiência radical. Mas será que ela deu certo? Pegue a sua pedra, beba muita água e não se esqueça da abóbora, pois a análise vai começar!

Nicho de mercado

Embora elementos de sobrevivência sejam bastante comuns nos jogos eletrônicos em geral, o gênero em si não é dos mais populares. Vários argumentos poderiam ser usados para explicar isso, como o nível de dificuldade normalmente mais elevado e a maior exigência na dedicação do jogador. Seja como for, o fato é que os exemplos de sucesso são pontuais.
Um dos gigantes do seu gênero e também do mercado em geral
Mesmo sendo mais conhecido pelas mecânicas de construção e exploração, Minecraft (Multi) certamente é o game de sobrevivência mais popular da atualidade. Outros nomes famosos incluem DayZ (Multi), com seu mundo pós-apocalíptico zumbi, ARK: Survival Evolved (Multi), com sua temática selvagem com dinossauros, e o recente Valheim (PC), baseado na mitologia nórdica.
 
Nesse contexto, temos a chegada de Rust, lançado originalmente em 2018 para PC. O jogo ficou em estado early access por cinco anos, sendo aprimorado utilizando o feedback de jogadores e da comunidade. Em 21 de maio de 2021, finalmente, o título chegou aos consoles.
Prepare-se para explorar a natureza e obter o seu sustento
Tal como no lançamento original, a chegada ao Xbox One e PlayStation 4 (e nos consoles da geração atual via retrocompatibilidade) vem para conquistar novas oportunidades no gênero. O game conta com vários elementos interessantes e boas mecânicas para oferecer desafios de sobrevivência. Infelizmente, elas acabaram tornando o título pouco acessível para o grande público, conforme vamos conferir agora em detalhes.

Fácil de falar, difícil de fazer

A expressão representa bem o desafio que Rust Console Edition apresenta. Afinal, o único objetivo do game é simplesmente sobreviver. A tarefa, entretanto, é tão complicada quanto é simples: ao escolher um servidor e iniciar uma partida, o jogador começa seminu em algum ponto da costa de uma grande ilha. A partir daí, tudo pode acontecer.
O mundo de Rust é repleto de vários pequenos ambientes diferentes e interessantes
Como o único objetivo é sobreviver, não existem missões ou desafios a serem cumpridos. A ideia é manter o seu personagem vivo, o que inclui gerenciar três barras distintas. A primeira registra a vida, a segunda a sede e a terceira a fome. Elas variam de acordo com as ações executadas e do ambiente ao redor, exigindo uma atenção constante. Esses atributos podem ser recuperados de formas variadas, como ingerindo comida, bebendo água de lagos e se aquecendo em fogueiras.
 
Falando em atenção, vale lembrar que a ilha que o jogador habita não é deserta. Pelo contrário, ela pode ter até 99 outros participantes, todos em busca das suas próprias sobrevivências. Embora a cooperação seja possível, na grande maioria das vezes qualquer interação levará ao combate. Além disso, o local tem animais selvagens, cientistas e até helicópteros, que são potenciais ameaças ao grupo.
Infelizmente, encontrar outro jogador é normalmente uma experiência ruim
Para ter alguma chance de sobreviver, é preciso coletar alimentos, como cogumelos e frutas, e materiais, como madeira e pedras. Rust Console Edition conta com um interessante sistema de construção de objetos, permitindo ao jogador confeccionar roupas, armas e outros utensílios essenciais para se manter vivo e saudável. Quanto mais complexa a criação, mais itens serão necessários para o processo.

Sobrevivendo a sobrevivência

Como deve ter ficado claro, são muitos os perigos e desafios para se manter vivo em Rust. Infelizmente, o game não fornece nenhum tutorial ou treinamento adequado ao jogador. Embora esse fato seja explicado pela origem no PC, que possui comunidades e guias próprios, isso não justifica a ausência de ao menos uma introdução adequada. Sofrer por frio, sede ou radiação de forma inesperada é confuso e desnecessário.
As partidas durante à noite são ainda mais radicais
A curva de aprendizado é acentuada e a esmagadora maioria dos outros habitantes da ilha não te dará folga para aprender. Isso, aliás, é outro problema: até o momento da escrita dessa análise, o número de servidores disponíveis proporciona salas sempre lotadas, o que aumenta muito a chance de encontros indesejados e a demora para começar a jogar. Também não é possível criar partidas privadas, ainda que a produtora prometa a adição no futuro próximo.
 
Escolher um servidor também é uma tarefa chata. Ao morrer ou desligar o game, o jogador pode retornar para o mesmo servidor e tentar recuperar os seus pertences, mas é importante ser rápido, pois os mundos dos servidores são reiniciados em intervalos definidos. É até possível construir um saco de dormir para facilitar o processo, mas como algumas salas são competitivas demais, a chance de encontrar alguma coisa ainda intacta é quase nula.
Com esforço e recursos, é possível até construir uma habitação com horta
Outro ponto negativo no game é o seu nível geral de qualidade. Visuais (incluindo personagens e cenários), jogabilidade (como na exploração e combate) e mecânicas (como construção e coleta) são boas o suficiente, mas sem nenhum destaque. Alguns elementos funcionam melhor que outros e, felizmente, o resultado final é superior à soma das partes.
Deixar animais em situação indefesa é vital para ter sucesso na caçada
Olhando somente os últimos parágrafos, Rust Console Edition pode parecer um jogo pouco convidativo. E, de fato, ele não é muito agradável. Até iniciar uma partida pode ser traumático, pois começar em uma região muito fria, quente, populosa ou até mesmo radioativa pode ser muito complicado. Porém, caso o jogador se dedique, existe muito entretenimento por trás das dificuldades.

A diversão escondida no sofrimento

Usando como exemplo a minha experiência, eu diria que, em média, somente duas em cada dez partidas de Rust Console Edition são suficientemente divertidas. Ou seja, apenas 20% delas me permitiram utilizar a minha pedra e tocha, que são os itens iniciais, para começar a sobreviver na busca de recursos. Quando isso acontece, a sensação de recompensa é enorme, tornando todo aquele sofrimento virtual valer a pena.
Um inventário bonito é um inventário cheio e diversificado
A tensão em colher madeira para construir sua primeira lança, correndo risco de ser atacado por uma fera ou outro jogador, é um exemplo de como cada momento tem valor. Com esforço, tempo e sorte, é possível encontrar sucata, construir armas de fogo e até criar um pequeno forte com plantações e armadilhas. Enquanto o servidor não é reiniciado, é possível voltar para as suas coisas e defendê-las dos inimigos.
Embora um pouco travadas, as mecânicas de construção são repletas de opções
Jogar com os amigos no mesmo servidor é outra ótima atração do título. Montar um grupo com pessoas aleatórias é uma aposta de alto risco, então essa opção é ótima para poder sobreviver e explorar o game. Como Rust tem crossplay entre o Xbox e o PlayStation, fica ainda mais fácil convidar alguém, mesmo que seja de outro console.
Jogar em grupo por um objetivo comum torna Rust muito mais divertido
O PC tem servidores exclusivos, logo não espere fazer um grupo com quem usa computadores. É válido lembrar que o game é original dos computadores, então a Console Edition é, de certa forma, uma adaptação. Tal como em outros jogos, essa situação pode se tornar vantajosa, visto que várias novidades e qualidades, já existentes no PC, poderão chegar nos consoles em um futuro próximo.
 
Uma grata surpresa foi a incidência relativamente baixa de bugs. Muito comuns em títulos novos, sobretudo em adaptações vindas do PC, eles foram pouco significativos. A maioria se limitou a certas texturas mal carregadas e algumas telas congeladas no dia do lançamento. Minha única decepção foi em uma das partidas de 20%, que acabou encerrando abruptamente e voltou ao menu principal logo depois de eu ter derrotado um urso.
Problemas pontuais, mas que devem ser solucionados com o tempo
Felizmente os meus problemas foram só os anteriores, mas parte dos jogadores relataram mais dificuldades. Falando neles, jogar Rust me fez entender o porquê dele ter apelo para vídeos e lives. A chance de ocorrerem situações engraçadas ou emocionantes é alta, uma combinação perfeita para transmissões, embora nem sempre para quem esteja jogando.

Um jogo para poucos

Rust Console Edition não é pra qualquer um. Por um lado, não existe um tutorial, os visuais não são chamativos, a jogabilidade é relativamente travada... Ou seja, a maioria das suas partes são apenas modestas e pouco convidativas. Por outro lado, caso o jogador curta o gênero de sobrevivência e encare o pacote como um todo, o game proporciona partidas emocionantes e divertidas. Atualizações futuras podem mudar esse quadro, mas, por enquanto, o título atende a apenas um pequeno nicho do mercado.
Bem-vindo a Rust, espero que sobreviva a experiência!

Prós

  • Proposta de jogo de sobrevivência com ótima relação risco/recompensa;
  • Sistema de gerenciamento é profundo, com várias opções de objetos para criar e usar;
  • Depois de um começo acidentado, mecânicas são intuitivas e funcionam bem;
  • Muitas formas de jogar, sejam de forma agressiva, sejam de forma cadenciada;
  • Potencial para futuras atualizações importantes, sobretudo pelo que já foi visto na versão de computadores.

Contras

  • Jogo é pouco amigável com novatos e jogadores pouco familiarizados com o gênero;
  • Servidores quase sempre lotados e ausência de partidas privadas diminuem as chances de começar e aproveitar uma partida;
  • Nenhum dos elementos básicos, como gráficos, jogabilidade e mecânicas, é particularmente interessante.
Rust Console Edition – PS4/XBO/PS5/XSX/PC – Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Farley Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Double Eleven

é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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