Discussão

Xbox Series S: bem mais que um next-gen barato

Às vezes subestimado, o “branquinho” da Microsoft é a porta de entrada mais acessível para a nova geração de consoles.


Lançado em 10 de novembro de 2020, a versão mais modesta da nova série de consoles Xbox chega a ser subestimada por conta de suas especificações técnicas. Mas, na verdade, seu projeto foi pensado justamente como uma alternativa para que mais pessoas tivessem a oportunidade de ingressar na nova geração de consoles. Nesta matéria especial, vamos discutir um pouco sobre o verdadeiro poder do Xbox Series S e por que seu poder vai além dos tão falados teraflops.

Pequeno no tamanho, grande na performance

Em setembro de 2020, produzimos uma matéria especial comparando todas as especificações divulgadas dos novos consoles da Sony e da Microsoft. Na ocasião, apresentamos um comparativo básico sobre o poder de processamento dos Xbox One X, Series S e Series X. Em um ranking, o compacto ocuparia a terceira posição, ficando atrás do One X e do Series X, respectivamente.

Apesar de ser ligeiramente menos potente que o One X, o Series S tem algumas vantagens em relação ao seu irmão da geração passada. A principal delas está no armazenamento, já que ele é munido de uma unidade SSD de alta velocidade com 512GB de capacidade. Ao contrário dos discos rígidos mecânicos, usados como padrão nos consoles da geração passada, os Solid State Drives são bem mais eficientes energeticamente e possuem altíssimas velocidades de leitura e gravação, diminuindo drasticamente o tempo de carregamento dos jogos.

O suporte a discos rígidos externos ainda existe, mas limitado apenas aos jogos das gerações anteriores, por conta da velocidade de transmissão de dados exigidas para os títulos voltados para a geração atual. Para os jogos next-gen, é imprescindível o uso do armazenamento de alta velocidade, que pode ser expandido via acessório oficial.
Equipado com um SSD de 512GB, o armazenamento pode ser expandido com o uso de um dispositivo proprietário.
Com uma meta de performance menor que o Series X, o Series S é capaz de reproduzir jogos em 1440p dinâmico e 60fps, mas ainda é capaz de entregar até 120 quadros por segundo em títulos selecionados. Mas, ao fazer uso do dispositivo para reprodução de vídeos, como em aplicativos de streaming (YouTube, Netflix, etc.), a resolução 4K é suportada pelo pequeno, tornando-o um poderoso dispositivo de mídia pessoal, mesmo sem a capacidade de reproduzir mídias ópticas.

O aparelho foi pensado para suprir uma demanda específica: a de usuários que não possuem condição financeira de adquirir um Series X, que tem preço sugerido de R$ 4.599,00. O Series S custa R$ 2.799,00, 40% a menos que seu irmão mais parrudo. Os preços são os praticados no período da publicação desta matéria.

Além de mais barato, também é alvo dos consumidores que não possuem ou até mesmo não têm interesse em fazer um investimento em um televisor ou monitor com resolução 4K e com taxas de atualização acima dos atuais 60 quadros por segundo da maioria das telas comercializadas hoje, o que acaba sendo uma exigência para quem quer tirar o máximo proveito das melhorias gráficas da nova geração. Jogadores que não fazem questão de gastar com jogos, focando seu investimento na assinatura do Game Pass também são o alvo do produto.
Com preço sugerido de R$2.799,00, o Xbox Series S é o console da nova geração mais barato do mercado atualmente.

O ecossistema Xbox

Falo como uma pessoa que teve pouca vivência com qualquer dos consoles da Microsoft, desde o primeiro até os atuais Series X e S. Porém, sei das várias vantagens de ser um membro da imensa comunidade Xbox. Um dos pontos que mais destacam o sistema atualmente é o Game Pass, serviço que muitos costumam chamar de “Netflix dos games”. O pagamento da assinatura permite ao usuário usufruir de uma vasta quantidade de títulos, incluindo jogos AAA e muitas vezes disponíveis já no dia do lançamento.
O Xbox Game Pass é hoje o serviço que mais estimula o consumo de jogos nos consoles Xbox
O serviço é hoje o principal pilar da popularidade do console por oferecer uma vasta variedade de jogos que podem ser baixados e jogados com total liberdade enquanto a assinatura estiver ativa, sendo renovada periodicamente com diversos títulos de alta qualidade, que é o principal chamariz para manter um serviço de assinatura atrativo. Recentemente o serviço recebeu uma injeção de incentivos de produtoras parceiras.

A Bethesda, que foi absorvida pela Microsoft com a aquisição da Zenimax Media, possui todos os principais jogos de seu catálogo disponíveis no Game Pass. Outro serviço que foi recentemente integrado é o EA Play, semelhante ao oferecido pela Microsoft, sem custo adicional aos assinantes e com um catálogo fixo de games e descontos na compra de alguns jogos da EA.
O EA Play, que agora está integrado ao Game Pass, dá mais força e credibilidade ao serviço da Microsoft.
Outro ponto a favor é sobre a questão da retrocompatibilidade do console com as gerações Xbox anteriores, desde o primeiro. O Xbox Series S, assim como sua contraparte mais potente e seu antecessor direto, o Xbox One, é totalmente compatível com os jogos de seus antecessores. Obviamente, por conta da ausência do drive de mídia óptica, não é possível utilizar os discos do One, 360 ou do Xbox original nele, mas os jogadores que possuem acesso a versões digitais destes títulos poderão jogá-los no aparelho sem dificuldade alguma.

Abro um parêntese aqui sobre esse tema. Dos consoles disponíveis no mercado atualmente, ele, juntamente com o Series X, são os únicos sistemas que possuem essa funcionalidade cômoda e que demonstram um respeito para o legado da marca, garantindo que um game adquirido em uma geração passada terá suporte ou atualização gratuita para a mais recente, dispensando que o jogador gaste com o mesmo jogo mais de uma vez. Hoje esse serviço é chamado de Smart Delivery.
Jogadores da comunidade Xbox tem muita facilidade em acessar jogos da vasta biblioteca das gerações anteriores da plataforma.

A opinião de quem nunca teve um Xbox

Cresci na época de ouro dos consoles, durante a década de 1990, marcada pela enorme rivalidade entre Nintendo e Sega, e vendo o nascimento da potência que marcou a segunda metade do período, o PlayStation. Naquela época, era comum, sendo uma criança que gostava de videogames, ter que escolher um lado e defendê-lo enquanto pudesse. Confesso que comecei a década sendo um apreciador de tudo que fosse relacionado ao Super Nintendo, que é meu console favorito de todos os tempos, ignorando e até desdenhando o que vinha dos outros.

Mas quando abri minha mente para “outros mares”, tive a oportunidade de apreciar o que os demais sistemas tiveram a oferecer. Fui privilegiado de poder jogar diversos jogos de plataformas diferentes e sempre pensei em como seria a experiência com os videogames no futuro. Naquela época era complicado ter acesso a tantos jogos, e vendo hoje a facilidade em ter acesso a tantos, admito que esse seria o principal motivo de eu ter um Xbox Series S.
Custo-benefício: na ponta do lápis, o Xbox Series S é a forma mais barata de entrar mais cedo na nova geração de consoles.
Não teria um Series X, por um motivo simples: o preço. Nada contra quem tem condição de adquirir um, mas sejamos francos: ser gamer no Brasil é caro, o que torna esse hobby mais difícil. Antigamente, era comum ter um contato para facilitar a aquisição de um console, geralmente de países vizinhos como o Paraguai, e a pirataria sempre foi a principal fonte para obtenção de jogos, mas chega uma época que a gente alcança o status de “quero comprar meus jogos” e começa a investir em uma biblioteca pra valer.

Com um Xbox Series S, eu teria a condição de acompanhar os principais lançamentos da nova geração por um preço menos salgado, e ainda poder jogar bastante coisa assinando o Game Pass. Optei por ser membro da comunidade PlayStation por comodidade, pois meus amigos estavam todos nesta plataforma e também por conta de muitos títulos exclusivos, mas hoje eu migraria meu investimento de tempo e dinheiro no Xbox por conta da facilidade, comodidade e até a eficiência do suporte, que também costumo sempre ouvir bem.

O importante é continuar jogando.

Espero ter expandido um pouco mais sua percepção do porquê um console “mais fraco” está disponível neste início de geração. Vejo o Xbox Series S não só como um next-gen barato, mas uma poderosa e eficiente ferramenta de inclusão para quem não quer ficar lá atrás nessa nova etapa na indústria de games graças a esta forma de acessibilidade que dá mais um ponto para a Microsoft.

E você, leitor, já possui um console da nova geração? Qual? Por que? E se ainda não tem, mas já está fazendo planos, qual e por que motivo pretende adquiri-lo? Compartilhe sua opinião nos comentários e vamos ampliar nossa discussão. Até a próxima!

Revisão: José Carlos Alves

Tecnólogo em Gestão Ambiental, produtor do BlastCast e sincero até demais. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora jogos multiplayer que causam discórdia e fogo no parquinho. @XelaoHerege


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