Análise: Balan Wonderworld (Multi) é um embrulho bonito, mas que possui uma série de defeitos

Criado por um dos grandes nomes da indústria, a aventura peca em pontos-chave do gênero e não consegue se tornar uma experiência encantadora.

em 07/04/2021

O nome de Yuji Naka é bastante conhecido no meio dos games. O criador de personagens célebres da época de ouro da Sega, como Sonic e Nights, volta aos holofotes com Balan Wonderworld (Multi). Apesar de trazer no DNA as marcas registradas de seu criador, a aventura não consegue cativar o jogador a desbravar seus segredos.

Redescobrindo o seu coração

Logo de cara podemos escolher entre um menino ou uma menina, porém isso não interfere em nada no decorrer do jogo, além de uma abertura e um final próprios para cada um. Nosso escolhido é uma criança retraída e fechada para os amigos. 


Um belo dia, ao vagar pela cidade, eles entram no Teatro Balan, onde a criatura mágica de mesmo nome os envia em uma jornada para enfrentar Lance, a manifestação negativa de seus sentimentos. Inclusive, vale citar que Balan e Lance são antagonistas que lembram muito a dupla Nights e Reala, de NiGHTS Into Dreams (Multi).

Esta viagem mágica para nos redescobrirmos envolve conhecer a história de 12 pessoas, que também passaram por um momento de escuridão em suas vidas. São essas narrativas que constituem as fases pelas quais precisamos passar, cada uma dividida em dois atos e tematizada com o que esses indivíduos faziam para ter alegria, como nadar, pintar, ser bombeiro, colecionar insetos, jogar xadrez e até tentar conquistar uma princesa.

Ao final dos dois atos, temos que enfrentar um chefe que é a personificação da frustração, ressentimento, mágoa, tristeza ou desilusão da pessoa que estamos conhecendo. Apesar de cada um ter sua mecânica, o padrão de como superá-los é o mesmo: rebata seu projétil ou espere que ele exponha seu ponto fraco para acertá-lo. Repita isso por três vezes e seu desempenho será recompensado com mais estátuas colecionáveis.


Visualmente falando, é tudo muito bonito, com cada ato trazendo elementos que remetem a à história correspondente. Porém, a beleza é a única coisa que chama a atenção, pois o design das fases e dos inimigos não dão aquela vontade de explorar cada canto possível. Mesmo com o forte apelo estético, alguns trechos são repetitivos e até mal-estruturados, causando confusões sobre o caminho a ser seguido. Tudo isso pode ser somado à câmera, que em alguns momentos cria pontos cegos e ângulos estranhos

Por causa dos colecionáveis, iremos revisitar cada fase pelo menos duas vezes e a segunda se torna bastante entediante, pois coletar as estatuetas espalhadas por cada área é uma tarefa um tanto quanto complicada, já que nem sempre fica claro onde elas estão


Os minigames, chamados de Desafios de Balan, também não são nada divertidos. Balan percorre um trajeto, destruindo obstáculos e perseguindo Lance. Durante esse trecho, temos que apertar qualquer botão no momento em que a sombra se sobrepor exatamente sobre a pose de Balan. Nossa precisão determina uma nota e caso consigamos acertar todas, somos recompensados com um colecionável. Os primeiros atos possuem apenas um minigame, mas no decorrer da partida as fases seguintes têm dois ou até três, o que torna o trabalho ainda mais enfadonho.


Por fim, temos uma área comum, que interliga cada ato. Nele podemos andar livremente, alimentando os tims, pequenos pássaros que nos seguem entre as fases e também rodam um contador no meio dessa área. A cada número estabelecido atingido, a nova parte de uma torre se forma. Eles são alimentados com os cristais em forma de gotas que coletamos pelos atos.


Toda essa combinação de atos rasos, minigames repetitivos e uma área comunal sem graça faz uma composição estranha e desinteressante. Até a trilha sonora tem variações esquisitas, sendo um bom acompanhamento em alguns momentos e totalmente desconexa em outros.

Com que roupa eu vou?

A mecânica-chave de Balan Wonderworld é o uso de roupas que conferem habilidades à nossa criança protagonista. Ao todo são 80 trajes diferentes, que também têm inspirações em cada área; porém, a distinção entre alguns deles é meramente estética. Esse guarda-roupa inflado poderia ser cortado no mínimo pela metade se eliminássemos as vestes com habilidades similares ou iguais.


Outra escolha curiosa é que não existem comandos básicos, como pular ou agachar. As roupas fazem exatamente o que têm que fazer com qualquer botão e ponto final. Pode ocorrer de algumas delas serem dotadas de pulo ou não, o que chega a ser até um tanto quanto absurdo para um jogo que é basicamente constituído por plataformas e diferentes níveis de elevação. 

Além de tudo isso, as roupas precisam ser desbloqueadas e acumuladas. Se tomarmos um ataque ao trajar uma delas, temos que desbloqueá-la de novo na fase. Se isso acontece com uma fantasia de uma área diferente da qual estamos, perdemos ela de vez e só a recuperamos quando voltamos ao seu ato de origem, a coletamos de novo e chegamos ao final do ato.


Este é mais um motivo que torna o fator replay extremamente maçante, pois só podemos explorar por completo cada área com trajes coletados em outros lugares, mas se perdermos eles, temos dois trabalhos novamente.

Um coração com buraquinhos

Balan Wonderworld é uma aventura visualmente linda e que até tenta ter uma história cativante. Entretanto, suas falhas se sobressaem e o tornam um jogo muito desinteressante. Nem mesmo o nome de peso de Yuji Naka consegue trazer algo de chamativo para este título, o que é uma pena.



Prós

  • Belos visuais de cada fase;
  • Grande variedade de trajes criativos;
  • A história é um ótimo pano de fundo para os eventos do jogo.

Contras

  • Alguns estágios têm level design repetitivo e confuso;
  • A trilha sonora oscila demais, quebrando a imersão do jogador;
  • Muitos trajes tem habilidades bastante similares;
  • O método de acúmulo de roupas prejudica o andamento da exploração;
  • A câmera cria alguns pontos cegos;
  • Fator replay mal-aproveitado;
  • Minigames repetitivos;
  • Não existem funções básicas do gênero para todos os momentos, como o pulo;
  • Todos os botões fazem a mesma coisa.
Balan Wonderland — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 4.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Square Enix


é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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