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Análise: Taxi Chaos (Multi) é um arcade com bons táxis, mas pouco caos

Um título divertido e gostoso de jogar, mas repetitivo e com pouca personalidade.

Taxi Chaos é um jogo de ação arcade onde você é um taxista que deve levar seus passageiros a diversos destinos pela cidade no menor tempo possível. A cada passageiro entregue você ganha uma quantidade de dinheiro, referente ao valor da corrida, e alguns segundos adicionais ao seu tempo de jogo, que é limitado

Claramente inspirado em Crazy Taxi, este jogo seria um sucessor espiritual do clássico arcade da Sega. Será que ele conseguiu realizar este feito?




Olha os modos!

Existem três modos principais de jogo: Arcade, Profissional e Percurso Livre. Todos eles são single player, não há nenhum tipo de multiplayer.

O Modo Arcade é basicamente um clone de Crazy Taxi, onde você tem um tempo limitado de jogo, que pode ser estendido quando se realiza corridas bem-sucedidas. Você coleta passageiros na rua e tem que levá-los até o destino solicitado dentro de um tempo definido pelo passageiro. Chegar ao destino com tempo sobrando aumenta o valor ganho na corrida, assim como realizar proezas no caminho, como passar raspando em outros carros, saltar ou usar atalhos. O jogo continua até que o tempo se esgote.


O Modo Profissional simula como seria o trabalho de um taxista na vida real, na época em que não havia GPS. Neste modo o jogo não fornece as indicações visuais para ajudar na rota, então você precisa confiar em sua própria memória e conhecimento da cidade para chegar até os objetivos. Esse modo só é viável para quem tem tanta prática com o jogo que memorizou as ruas e os pontos de referência do mapa.

O Percurso Livre é o modo de jogo onde você dirige sem limitação de tempo. Ainda é possível pegar passageiros e fazer corridas, mas não há penalidades por não completar estas corridas. Você pode dirigir à vontade até pedir para retornar ao menu principal. Este é o modo indicado para conhecer melhor a cidade, treinar para o Modo Profissional, coletar itens, testar atalhos ou simplesmente sair dirigindo sem compromisso. Eu recomendo este modo para crianças pequenas, que vão se divertir explorando e destruindo a cidade sem a pressão do tempo.



Vai pra onde, chefia?

Se por um lado Crazy Taxi se passa nas ladeiras íngremes de São Francisco, Taxi Chaos tem como cenário os prédios altos e os parques de New Yellow City, uma versão cartunizada da cidade de Nova Iorque.

O design da cidade foi muito bem planejado. Existem avenidas largas, ruas estreitas, parques, pontes e muitos prédios. A arquitetura é bem variada com outdoors, marcos, sinalizações e locais que podem ser usados como referências visuais para você se localizar na cidade, exatamente como acontece ao dirigir na vida real. Existem avenidas onde o tráfego é mais intenso e com a prática você se acostuma a evitar os congestionamentos instintivamente.




A jogabilidade é bastante acessível e os táxis são bem gostosos de dirigir. Taxi Chaos não é um simulador de corrida, mas sim um arcade casual: os carros fazem curvas fechadas com muita facilidade e você não precisa ser habilidoso na direção. Na verdade, as barbeiragens geram situações engraçadas e podem até render pontos extras, fazendo com que esse jogo possa ser apreciado por pessoas que não curtem jogos de corrida realistas. Ah, caso você esteja se perguntando, não há suporte a controles do tipo volante.

Uma novidade? É que os táxis têm habilidade de pular. Isso acrescenta uma camada de verticalidade ao jogo, pois é possível acessar telhados e lajes de prédios para criar atalhos, bem como saltar paredes ou outros carros no meio do trânsito.


O jogo tem gráficos bonitos; a modelagem dos carros e da cidade é bem colorida e vibrante. Minha reclamação aqui fica por conta do visual dos passageiros, que poderia ser um pouco melhor trabalhado. O cenário tem vários itens destrutíveis, que transmitem uma impressão legal de caos enquanto você dirige loucamente pela cidade.

Você pode optar por dois motoristas, Vinny ou Cleo. Não há nenhuma diferença de jogabilidade entre eles, é apenas uma questão estética. Já em relação aos táxis, existem sete modelos para escolher, mas apenas um está disponível no começo do jogo. Os outros podem ser desbloqueados cumprindo certos requisitos, o que traz uma competente sensação de progressão. Ao contrário da escolha de motoristas, a escolha do carro impacta bastante na jogabilidade, com variações em velocidade, aceleração, frenagem, peso e impulso.



Posso ligar o rádio?

A trilha sonora, infelizmente, é um dos pontos que deixam a desejar em Taxi Chaos. Obviamente é injusto comparar os recursos de uma empresa indie como a Lion Castle com o orçamento da Sega, que pôde colocar faixas de The Offspring e Bad Religion em seu jogo. Mesmo levando isso em conta, a trilha sonora pouco empolgante tira muito do clima de Taxi Chaos. A desenvolvedora já lançou uma atualização que adicionou diversas trilhas de rock, que melhoraram consideravelmente a experiência do jogador, mas ainda assim ainda não chegaram lá.




Mais chata que a trilha sonora é a repetição das conversas. O motorista puxa papo com os clientes, o que é legal, mas existem poucos tipos de passageiros e após alguns minutos de jogo as conversas começam a se repetir. Existem personagens especiais que têm diálogos próprios, mas estes são raros e difíceis de achar no meio das centenas de outros clientes “comuns” no meio da cidade. Os diálogos são todos falados em inglês com legendas em português.

Nos primeiros dias de jogo eu fiquei empolgadíssimo com o gameplay rápido e com a dirigibilidade dos táxis, o que me fez jogar por várias horas seguidas para tentar desbloquear mais veículos. Porém, com o passar das horas, a repetição de objetivos, diálogos e músicas fez com que meu ânimo pelo jogo esfriasse.

Caiu do céu!

Durante as minhas jogatinas presenciei alguns bugs, normalmente carros reaparecendo do nada, literalmente caindo do céu. Em alguns casos é engraçado, mas às vezes eles caem em cima de você, roubando segundos preciosos do seu objetivo. Outro problema que precisa de polimento está na seta que indica a direção, que nem sempre aponta para o melhor caminho. Às vezes ela fica maluca, mais atrapalhando do que ajudando.




Taxi Chaos é um jogo simples e divertido para uma jogatina casual ou para curtir com crianças pequenas. O controle dos táxis é acessível e os cenários são muito coloridos e bem trabalhados. Esse sucessor espiritual cumpriu bem a missão de reproduzir a jogabilidade de Crazy Taxi, mas falhou em trazer a atmosfera caótica do título que o inspirou. A repetitividade nos objetivos, diálogos e música fazem com que ele rapidamente fique enjoativo. Para um jogo que tem Chaos no nome, faltou exatamente um pouquinho mais de caos.

Prós

  • Jogabilidade simples e acessível;
  • Os táxis são gostosos de dirigir;
  • Estética agradável, colorida e simpática;
  • O sistema de saltos acrescenta verticalidade ao gameplay;
  • Bom para crianças e jogadores casuais.

Contras

  • Falta de personalidade e atitude na ambientação;
  • Jogabilidade repetitiva;
  • Trilha sonora pouco empolgante;
  • Os diálogos repetitivos incomodam com o tempo;
  • Bugs eventuais, como carros reaparecendo do céu.
Taxi Chaos - PS4/XBO/Switch - Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Xbox One
Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Orange One

é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação.


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