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Análise: DreadStar: The Quest for Revenge (PC) é um retro indie digno de uma epopeia espacial

Não tem Han Solo, nem Millennium Falcon, aqui no vasto espaço você procura a DreadSkull e sonha com vingança.



Os saudosos tempos em que naves e inimigos em 8 bits ou 16 bits marcavam os consoles com muito tiro retornaram neste título. O gênero famoso, principalmente em consoles do século passado, preenchia a tela com aliens e meteoros. O espaço era desbravado com tantas explosões e inimigos que parecia que não haveria bala para tudo. Com esse escopo apresento-lhes DreadStar: The Quest for Revenge (PC), cuja nostalgia retrô e o charme artístico não deixam a desejar.


DreadStar é um jogo simplesmente fantástico: junte um pouco de nostalgia, muito tiro no espaço, acrescente umas pitadas de RPG e pronto. A simplicidade gritante dá como resultado um conteúdo viciante que você pode passar horas jogando, ou surtando, cada vez que desbloqueia um novo setor ou perde todas as suas vidas. A vida urge no espaço sideral onde ondas de mercenários, aliens, androids e meteoros combatem pelo estrelato. Sua evolução e seu destino marcam a jornada da luta de vingança e heroísmo.

Um causo espacial

O game foi desenvolvido e distribuído pelo estúdio indie Augmented Irreality. Seu lançamento oficial ocorreu em 20 de outubro de 2020, sob o gênero shoot ‘em up vertical (considere isso como um “atire pra caramba”, com jogos como Aero Fighters e Sonic Wings). Sua única preocupação, então, deve ser derrubar inimigos e não ser acertado! Com uma pixel art caprichada entre mapas, cutscenes e bastantes sprites de naves e armas, o investimento na simplicidade trouxe um resultado memorável e a aparência do game entrega bastante disso.




O enredo da aventura espacial não é das mais emboladas, e nem precisava. Em uma simples jornada de exploração pelo espaço, você e seu pai encontram o perigo: a DreadSkull. Você é só uma criança e não têm tempo para nada, e seu pai te joga dentro de uma cápsula de fuga. A nave de emergência é ejetada, mas, diferente de sua fuga, seu pai não escapa. A forte imagem paterna, agora só em lembrança, nutre seu sentimento de vingança. Dez anos se passam e você assume a vida de um mercenário no vasto espaço. Você luta contra toda ameaça que se ergue contra a liberdade, desde que por um bom preço ou com a possibilidade de chegar mais perto de sua vingança.

O início da aventura se dá com você em uma nave simples fazendo um exame de direção. Esse tutorial te ensinará as mecânicas básicas e, no enredo, é o que te faz conseguir a licença de “caçador espacial”. Não tarda para você já ingressar na linha de largada para a exploração. Agora é contigo, explorar o mapa dividido em 6 seções com ambientações próprias e inimigos ainda mais únicos, sem falar dos bosses.




De início sua aventura não lhe dará muitas respostas. A verdade é que a sua ambição, em acertar as contas, é só uma pequena chance num gigantesco espaço de possibilidades. Inicialmente você se confronta com pedidos de ajuda, lutas contra mercenários espaciais que estão num lado diferente de você. Às vezes também terá a missão de abrir caminho em setores recheados de asteroides e meteoróides, para que a nave maior passe. Contudo, seu destino te perseguirá, não importa em qual sistema solar distante você estiver. 

Eventualmente a DreadSkull estará no seu radar, e esse será o seu momento de redenção.

Recruta, prepare os motores, vamos explodir alguns alienígenas!




A mecânica do jogo segue o mesmo escopo de simplicidade, mas os elementos de RPG que te permitem customizar sua nave dão um ar mais sofisticado. Você até consegue comprar modelos mais avançados de espaçonaves que trarão mais espaços para armas e terão suas características próprias.

Na sua tela inicial, a cápsula de controle de sua nave, é possível ver (além de uma latinha muito charmosa que lembra muito um certo refrigerante de cola) diversas luzes que brilham além do vidro. O cenário à frente é um vislumbre da sua visão, mas a situação geral da nave e seu status ficam logo onde os olhos alcançam. Armadura, dano que as armas causarão, velocidade e suas defesas. 

Olhando para o outro lado é possível identificar um menu. Ali se pode incrementar os níveis das armas (são 3 ao todo) e de seu escudo. É importante ter atenção, pois tal incremento só estará disponível quando você passar de nível. Cada ponto melhora algo, seja o dano que suas armas causam, o quanto sua nave resiste a danos ou o quanto suas armas aguentam atirando antes de superaquecer. 

Um pouco acima você encontra o mapa. A visão geral do universo ao seu alcance é exibida ali. Apertando nessa interface é possível ver todos os setores existentes, dos liberados aos ainda bloqueados.




Inicialmente apenas dois setores estão disponíveis. O Redbeard's Burrow é uma espécie de hangar onde é possível melhorar seus equipamentos ou repará-los. O outro é o setor inicial a ser explorado – chamado de Faraway Sector –, onde seus inimigos são piratas. 

O menu é simples e intuitivo. Ali você escolhe seu destino, customiza sua nave indo em Equipment e ainda confere a quantidade de gemas que você coletou, logo acima do rádio.

O sistema monetário do jogo funciona por meio de gemas, cristais verdes ou laranjas que podem ser coletados depois de destruir alguns inimigos. Só fique esperto, pois, assim que você é destruído em uma das fases, você perderá certa quantidade de gemas. Para mim parece aleatório: às vezes são só 6, outras são 24, e nem pense que é fácil conseguir essas gemas aos montes, pois não é.




Controlar sua máquina é simples, e cá entre nós, você já passou na autoescola. Os lados, a frente e a parte de trás, tudo segue a direção que sugere. Com esses controles você tem a missão de se locomover pelo mapa, que fica difícil mesmo em níveis mais fáceis de cada fase onde inimigos e projéteis enchem o campo de visão e esquivar vira tarefa complicada. 

Sobre os tiros, não se engane. Você pode atirar com todas as armas que sua nave tiver e que seus dedos consigam apertar simultaneamente. Isso salva as vezes em que meteoros e raças alienígenas ou naves inimigas preenchem o campo de visão. Acredite, uma boa estratégia com tiros diferentes ajuda a limpar o mapa. 

À medida que você avança e melhora suas habilidades e peças, é possível investir em mais recursos. Um escudo para diminuir o dano recebido, um motor mais potente que melhore seu controle, entre outros incrementos. No início, sobreviver é um pouco complicado. Você dispõe de poucas vidas – isso aí, esqueça a barra de HP, pois um tiro é uma morte –, mas lembre-se que ao comprar novas peças elas também podem aumentar.

Canhões superaquecidos, senhor! Devemos recuar?

Os combates de DreadStar serão um desafio progressivo. Quanto mais tempo na fase, mais inimigos surgirão e cada um deles poderá ter um padrão de ataque e movimentação diferente. Se cuidar para não ser atingido ou não colidir contra um deles é só uma de suas tarefas. Você pode, sim, segurar o instinto sanguinário e se concentrar mais em se esquivar e evitar dano do que em destruir todos os inimigos. É sua escolha, sua estratégia.




Os famosos chefões do game são desafiadores, e muitos possuem mais de uma forma ou alteram seu modo de jogo depois de determinada quantidade de dano causado. De dragões alienígenas a robôs que parecem um super canivete, tudo isso fica ainda mais memorável ao som da trilha sonora feita no estilo 8 bits em ritmo bem animado ou ainda dos efeitos de som que junto da arte ficam aos moldes do Atari-ST e ZX Spectrum.

Eu sinceramente não tenho palavras para definir o quanto gostei desse jogo. Sem plots complicados e investindo na mais pura diversão de destruir inimigos e escapar de tiros. A diversão é certa, com momentos desafiadores e outros que você tem vontade de xingar bem alto. Pode ir se acostumando com a ideia de às vezes jogar de forma cautelosa e voltar para a base em vez de arriscar perder todas as gemas.

Uma opinião no fim do universo



DreadStar: The Quest for Revenge é um jogo fantástico feito para os novos e antigos jogadores. Para todos aqueles que não se preocupam com jogos cujo gráfico não parece o de um filme em 4K. Sua jogabilidade é intuitiva e vai fazer você pensar em manobras para evitar os tiros. Uma dica: jogar com um controle, dos caros aos baratinhos, deixa a experiência bem agradável. 

O jogo coleciona análises positivas na Steam e está sendo visto com bons olhos em portais como a IGN e o Indie Gamer Team, no qual foi premiado. Então, deixo aqui minha forte sugestão para um jogo tão bom e divertido que é razoavelmente barato e não exige uma máquina potente para rodar. Aproveitem!

Prós

  • Pixel art simplesmente fantástica;
  • Jogabilidade simples e prática, para qualquer periférico;
  • Fases desafiantes e chefões ainda mais.

Contras

  • Um enredo um pouco mais trabalhado viria a calhar.
DreadStar: The Quest for Revenge – PC – Nota: 9.0

Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Augmented Reality



É formada em Arquivologia pela UNIRIO. Amante de RPGs antigos e que quase enfartou com Fatal Frame, é fã assumida da série Red Dead e sempre se pergunta quando farão um crossover de Jurassic Park e Dino Crisis.


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