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Análise: Arrog (Multi) é uma experiência visual arraigada de significados culturais e jogabilidade limitada

Resolva quebra-cabeças e desvende uma história enigmática sobre as antigas tradições funerárias peruanas.

Desenvolvido pelos estúdios peruanos LEAP Game Studios e Hermanos Magia e publicado pela Nakana.io, Arrog é um pequeno e breve conto poético, com muitos símbolos e representações culturais da América Latina disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5 e dispositivos móveis. Por meio de seu visual monocromático e com aproximadamente 30 minutos de duração, você vai explorar e decifrar o subconsciente enigmático de quem deve aprender a aceitar a própria morte.

Um olhar agridoce perante a morte

Arrog é uma pequena experiência monocromática com quebra-cabeças minimalistas que acompanha um indivíduo enigmático que deve aprender a aceitar a própria morte. Em cerca de 30 minutos, você ajuda esse personagem desconhecido a descobrir mais sobre a pós-vida enquanto ele começa a perceber que a morte não é o fim, apenas o começo de outras histórias.

Durante o desenvolvimento da narrativa, o jogador revive os acontecimentos de sua vida e também aprende sobre as tradições funerárias do Peru, que compreende todo o ritual de exumação do corpo e celebrações. As oferendas de alimentos e outros utensílios pessoais, por exemplo, são colocadas no caixão para que a alma em questão possa ir para a outra vida com tudo que necessita.

O visual envolvente em preto e branco faz o jogador mergulhar em um mundo tematicamente interessante, mostrando o significado da morte, do luto e da tristeza. Isso fica claro em cenas em que a silhueta desenhada à mão anda pela chuva, sozinha, seguindo uma estrela que percorria o caminho para a pós-vida ou ainda quando uma comunidade celebrava a morte do personagem em seu próprio túmulo. Arrog é um conto que deve lhe deixar com o coração partido, mas também lhe trazer certa esperança quando finalmente entender o sentido da morte e da vida.

Cada uma das cenas encanta os olhos e os ouvidos do jogador e o seu poderoso conceito artístico e narrativo abstrato é arraigado de significados culturais latino-americanos. A direção artística do jogo traz uma sensação única e maravilhosa, com lindos traços, inundados em cores neutras. O jogo se torna impressionante também pela sua trilha sonora e design de som excepcionais, principalmente por intercalar efeitos melancólicos e sentimentais quando está tratando temas mais obscuros como a morte. Sua música ambiente cria uma encantadora paisagem sonora.

Por conta de sua curta duração e seus aspectos jogáveis simples até demais (vou falar sobre isso no próximo tópico), Arrog pode não surpreender pessoas que esperam por mais longevidade ou desafios. Eu particularmente achei uma experiência artisticamente fantástica, com uma narrativa muito bem construída e não vejo como contar essa história de outra forma. Nesse caso, sua duração não é um problema, porque faz o que promete muito bem em meia hora, sem a necessidade de alongar mais suas ideias.

Uma experiência visual... só isso mesmo!

Arrog pode ser visual e sonoramente exuberante, mas quando se trata de jogabilidade, o título peruano é um pouco genérico demais. O seu único objetivo no jogo é resolver uma série de quebra-cabeças minimalistas utilizando a tela sensível ao toque do smartphone. Existirão enigmas de clicar e arrastar como, por exemplo, acender velas, conectar linhas, entre outros, mas nada muito excepcional. Na verdade, é tudo bem limitado, sem oferecer um grande desafio de interação ao jogador, mesmo que seus comandos no celular sejam satisfatórios.

Há um momento muito interessante durante a experiência, em que você deve memorizar símbolos coloridos que aparecem rapidamente na parte superior da tela. Em seguida, é necessário selecionar os símbolos correspondentes para criar uma nova cena visual animada. Essa dinâmica de gameplay é sempre intensificada de acordo com o momento da narrativa, e tudo é interligado de maneira bastante positiva, mas não muito impressionante.

Memorize os símbolos superiores e clique nos inferiores na mesma ordem.
Arrog traz quebra-cabeças pouco desafiadores, sendo muito fáceis de resolver. São puzzles, muitas vezes, repetitivos e de experiências que já vimos tantas vezes em outras ocasiões. Outro problema é que em algumas situações, você não sabe o que deve fazer para prosseguir e fica clicando na tela para ver se algo acontece. Essa falta de orientação acaba deixando tudo mais confuso e não há motivos reais para retornar ao título, a não ser que queira ter um vislumbre cultural.

Testei o jogo em um ASUS Zenfone 3 com Android 8.0, por meio do serviço de assinatura do Google, o Play Pass. Funcionou com perfeição no meu aparelho, não houve travamentos e a jogabilidade existente ainda foi fluida e bem executada. É uma pena que não existam muitas interações relativamente interessantes, mas se você procura por uma experiência visual e artística, encontrou o título certo.

30 minutos de cultura

Arrog é, em última análise, uma experiência cultural e artística arraigada de significados sobre a morte, o luto e a tristeza. Sua linda estética monocromática desenhada a mão e seu design de som exuberante realçam sua verdadeira natureza: uma obra audiovisual profunda e universal. Infelizmente, suas principais características jogáveis são limitadas por quebra-cabeças obsoletos e pouco desafiadores.

Prós

  • Linda estética monocromática desenhada à mão;
  • Trilha sonora e design de som excepcionais, mesclando efeitos melancólicos e sentimentais;
  • Interessante olhar sobre as tradições funerárias do Peru e das temáticas envolvendo morte, luto e tristeza.

Contras

  • Quebra-cabeças confusos e pouco desafiadores;
  • Jogabilidade limitada.
Arrog – PC/PS4/PS5/Android/iOS – Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Android
Revisão: José Carlos Alves
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo próprio redator

é entusiasta e apreciador de jogos com conceito artístico minimalista e narrativas de significado profundo. No GameBlast escreve notícias, análises, crônicas e especiais; no tempo livre produz roteiros autorais de séries e filmes. Criatividade, imaginação e curiosidade são algumas de suas características marcantes.


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