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Análise: Space Invaders Forever (PS4/Switch) é uma coletânea quase injustificável

Pacote com Space Invaders Extreme, Space Invaders Gigamax 4 SE e Arkanoid vs. Space Invaders é parcialmente divertido.

Gostaria de ter admirado presencialmente a era dos fliperamas e ter tido a oportunidade de jogar Pacman, Arkanoid ou Space Invaders em uma daquelas lojinhas antigas. Foi um período muito importante para a indústria dos videogames, revelando jogos bastante simples, mas que se tornaram estrondosos sucessos comerciais. Apesar disso, em pleno ano de 2020, a nostalgia daquela mesma época ainda tem vez e se tornou muito mais acessível graças aos consoles, ao PC e aos dispositivos móveis.

Nos últimos anos, a Taito Corporation lançou inúmeros títulos comemorativos, além, é claro, de coletâneas da série, como Space Invaders Invencible Collection para Nintendo Switch, que conta com onze obras. Este ano, a empresa também lançou Space Invaders Forever, um pacote com três jogos, incluindo Space Invaders Extreme, Space Invaders Gigamax 4 SE e Arkanoid vs. Space Invaders e, embora agrade os fãs, é difícil justificar sua criação ou aquisição.

Space Invaders Extreme: frenético e explosivo, o melhor da coleção

Space Invaders Extreme foi lançado originalmente para DS e PSP em 2008, em comemoração ao 30º aniversário da série e, dez anos depois, ainda ganhou uma edição modernizada que foi disponibilizada no PC em comemoração ao 40º aniversário. Dois anos se passaram e a Taito resolveu lançar o jogo novamente, agora nesta coletânea recheada de explosões.

Como já é de praxe da série Space Invaders, em Extreme controlamos um canhão que deve destruir todos os alienígenas visíveis antes que eles alcancem a parte inferior da tela, na qual você se move horizontalmente. Enquanto você atira, há um sistema de pontuação que contabiliza tudo, o que garante maior profundidade; em vez de eliminar inimigos aleatoriamente, agora você deve pensar estrategicamente e realizar uma abordagem mais sólida como conseguir combos específicos e aumentar seu score.

Esses combos podem ser obtidos derrubando colunas de inimigos com formas semelhantes ou da mesma cor e isso também gera power-ups de armas que podem auxiliá-lo na expansão dos números. Bombas, lasers, disparos múltiplos e escudos podem ser ativados por alguns segundos e conseguem atravessar ondas rapidamente, mas alguns alienígenas têm proteções que repelem o ataque, o que pode ser desafiador. O título é estruturado por meio de rotas ramificadas que são delimitadas por classificações de nível, portanto se você deseja chegar a níveis mais difíceis precisa pontuar muito para desbloqueá-los.

Uma das mais positivas adições em Extreme foi a inclusão de rodadas bônus e as de tempo de febre. Ao destruir dois conjuntos de quatro naves da mesma cor, um OVNI aparece na tela. Ao explodi-lo, você é levado a uma rodada bônus que tem como objetivo eliminar um número específico de naves ou coletar itens em poucos segundos. Se você tiver sorte com isso, retornará à fase original e o modo tempo de febre é ativado, fornecendo um período prolongado de power-ups para realmente atacar os invasores com toda a sua força.

Ao final de todas as ondas, aparece um chefão que assume a forma de um alienígena gigante. Ele pode ser ofensivo lançando uma quantidade absurda de disparos, ou ainda pode ser defensivo, em que é preciso acertar uma base protegida para eliminá-lo, o que requer precisão e movimentos estratégicos. Todas essas características modernas de Extreme o tornam amplamente frenético e explosivo, principalmente ao mesclar a jogabilidade com os elementos musicais e artísticos.

A trilha sonora é tomada pelo eletrônico e as ações no jogo a influenciam de maneira brilhante, oferecendo uma sensação de profundidade e de ritmo mais perceptível e vibrante. O título também esbanja cor e os cenários foram amplamente desenhados com uma paleta de cores neon e tudo fica piscando enquanto você luta nesta guerra intergalática.

Space Invaders Extreme é de longe a melhor adição à nova coletânea. No entanto, a ausência de novos modos de jogo, bem como modalidades competitivas, faz com que o título seja memorável por um breve período de tempo e, embora esteja muito mais desafiador, é uma experiência bem passageira. Contando com apenas 16 fases no Free Mode, não há mais muito do que se ver aqui depois de finalizado pela primeira vez, apesar de possuir um fator de rejogabilidade.

Space Invaders Gigamax 4 SE: um inédito jogo obsoleto

Space Invaders Gigamax 4 SE foi um jogo lançado originalmente no Japão por um breve período de tempo e é uma experiência mais tradicional da série, com jogabilidade e apresentação semelhante ao clássico de 1978, mas adaptado em um modelo multiplayer local. Em Gigamax, você e mais três pessoas assumem o comando de quatro versões mais antigas do canhão de Space Invaders e devem movimentá-los horizontalmente, enquanto enfrentam ondas alienígenas.

O que diferencia esse jogo em relação aos demais é que cada uma das três ondas jogáveis tem movimentações e quantidade de elementos diferenciados; a primeira é a padrão, em que o objetivo é atirar nos inimigos e eliminar todos antes que cheguem à superfície; na segunda onda, as naves inimigas patrulham à esquerda e à direita da tela à medida que vão ficando mais baixas, mas quando são atingidas por um tiro, aumentam de tamanho até explodirem; por fim, a terceira onda é a batalha final contra o chefe que vem em forma de um OVNI e que preenche metade da tela. A cooperação neste último nível é fundamental, pois o ataque é multiplicado de acordo com o número de jogadores, embora seja necessário que todos ocupem o mesmo espaço e atirem ao mesmo tempo.

Esse último ponto é o que faz do título ser terrível, porque não há diversão predominante e o aspecto cooperativo não funciona da melhor forma possível. Sincronizar cada um dos canhões é uma tarefa extremamente problemática e dificilmente os quatro integrantes vão fazer todas as ações ao mesmo tempo. A segunda onda, por sua vez, embora divertida, é um tanto quanto aleatória e caótica.

Entretanto, o maior problema de Gigamax é que ele acaba sendo obsoleto demais na coletânea. Apesar de ser inédito, a melhor e mais positiva maneira de jogá-lo é com mais três pessoas, pois é bem improvável que você passe da segunda onda controlando o canhão sozinho, tornando tudo bem frustrante. A inclusão de um modo multiplayer online poderia facilmente torná-lo mais atrativo e convincente, mas infelizmente nada disso foi acoplado. No final das contas, é como se ele não fizesse parte de nada e nem sequer existisse dentro da coleção, por mais que a jogabilidade e os controles façam jus ao nome de Space Invaders.

Em questões relacionadas ao visual e à trilha sonora, Gigamax é o que mais se assemelha ao clássico com estética minimalista e simples e ainda conta com músicas extremamente atraentes como qualquer outro jogo da série, até porque explodir naves alienígenas é muito empolgante.

Arkanoid vs. Space Invaders: divertido, mas um pouco repetitivo e problemático

Arkanoid vs. Space Invaders foi lançado originalmente para dispositivos móveis em 2017 e combina habilmente as duas franquias para criar uma experiência bem inusitada. Nele, você é responsável por comandar o Vaus, uma plataforma horizontal que repele o poder de fogo enviado pelos inimigos para realizar ataques, explodir blocos e destruí-los. Cada uma das 300 fases do jogo (divididas em dois níveis de dificuldade com 150 fases cada) apresenta um limite de tempo e o seu objetivo é eliminar todos os alienígenas antes que ele acabe.

Em vez de apenas movimentar Vaus para a esquerda e à direita, na versão de console e plataforma pode ser livremente movida por todo o segmento inferior da tela, além de contar com alguns power-ups que permitem acertar inimigos difíceis de alcançar. Você também pode jogar com vários pilotos diferentes incluindo alguns dos clássicos personagens de New Zealand Story e Chase HQ  que oferecem vantagens e habilidades específicas, que variam entre deixar Vaus mais longo ou ainda adicionar um efeito de direção.

Arkanoid vs. Space Invaders foi projetado exclusivamente para as telas sensíveis ao toque dos smartphones, sendo assim a Taito decidiu manter essa fórmula no PlayStation 4 e obriga o jogador a utilizar o touch pad do DualShock 4 para controlar Vaus, mas isso não é muito agradável. Embora seja resposivo na maior parte do tempo, é tudo muito impreciso e liberar ataques especiais é bem complicado.

Ao soltar o touch, o ataque é acionado, por isso as vezes, quando você precisa ajustar uma seta para controlar a direção do disparo, a sensação é como se você estivesse com o dedo no pino de uma granada, em que uma pequena ação resulta em um desastre completo. No caso do jogo, ao soltar o comando, o ataque simplesmente voa por aí sem rumo.

Esse comando sem ajuste de sensibilidade acaba desanimando o jogador, que provavelmente não conseguirá jogar por muito tempo. Em adição a isso, estão mais de 150 fases que simplesmente são iguais, só complementadas com alguns elementos adicionais, o que torna a experiência bastante repetitiva e ociosa. No final das contas, mesmo jogável, Arkanoid nada mais é que um título descompromissado e potencialmente divertido para quando se está no sofá querendo relaxar e procurar passar o tempo. A trilha sonora e o visual são excelentes e com certeza fazem a diferença para tornar tudo menos problemático.

É um pacote realmente necessário?

Space Invaders Extreme continua extremo e excepcional e é o melhor jogo do pacote com ritmo frenético de algumas atualizações atrativas; Arkanoid vs. Space Invaders é potencialmente divertido, embora o uso do touch pad do DualShock 4 como controle principal não seja muito eficiente; enquanto isso, Space Invaders Gigamax 4 SE é uma verdadeira decepção e não poderia ser mais obsoleto.

Por consequência disso, Space Invaders Forever é uma coletânea questionável e difícil de ser recomendada, logo seria muito mais atrativo ver todo o seu conteúdo em um compilado mais robusto e completo. Embora a jogabilidade, a trilha sonora e os visuais dos títulos incluídos sejam, na maior parte do tempo, satisfatórios, há uma deficiência de novidades e adições de novos modos de jogo que deixam a coleção mais próxima de um port do que de uma reimaginação. No geral, é divertido, jogável e deve agradar a todos os fãs da série Space Invaders, mesmo sendo um tanto quanto superficial.

Prós

  • Space Invaders Extreme continua excepcional, com ritmo frenético e algumas atalizações;
  • Arkanoid vs. Space Invaders é potencialmente divertido;
  • Adições de novas músicas e visuais atraentes;
  • A jogabilidade geral dos três títulos é satisfatória, embora Arkanoid vs. Space Invaders tenha controles mal projetados.

Contras

  • Ausência de novos modos de jogo e multiplayer em Space Invaders Extreme;
  • Space Invaders Gigamax 4 SE é uma experiência obsoleta;
  • Sem ajuste de sensibilidade no touch pad do DualShock 4 para Arkanoid vs. Space Invaders;
  • Minímas adições de novos conteúdos em geral.
Space Invaders Forever  PS4/Switch  Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: PS4

Revisão: José Carlos Alves
Análise produzida com cópia digital cedida pela ININ Games

é entusiasta e apreciador de jogos mobile e de plataforma 3D com conceito artístico minimalista e narrativas de significado profundo. No GameBlast escreve notícias, análises, crônicas e especiais; no tempo livre produz roteiros autorais de séries e filmes. Também está aprendendo mais sobre Realidade Virtual, Computação Gráfica, Bioinformática, Psicologia Positiva e Neurociência, enquanto espera por Rayman 4.


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