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Análise: Alba: A Wildlife Adventure (PC/iOS) oferece férias relaxantes em uma ilha no Mediterrâneo

Acompanhe uma ativista-mirim neste título que combina exploração e fotografia.


Em Alba: A Wildlife Adventure, novo título da ustwo games (de Monument Valley), uma garotinha prova que a união é capaz de fazer a diferença. No jogo, desbravamos uma ilha no controle de uma criança curiosa, em um misto de simulador simplificado de fotografia de vida natural e exploração. A atmosfera é relaxada e evoca um clima de férias, por mais que a trama trate de alguns assuntos mais sérios e contemporâneos.

Uma dupla de garotas em defesa da natureza

Uma garotinha chamada Alba vai para a ilha de Pinar del Mar durante as férias para visitar seus avós. O local é um pequeno paraíso no meio do Mediterrâneo por causa da natureza selvagem, de muitos animais e da população amigável. Chegando lá, a menina descobre que seu santuário está ameaçado: o prefeito da ilhota anuncia que vai acabar com uma reserva natural para construir um hotel de luxo. Em face desse futuro sombrio, Alba se junta a sua amiga Inês e a dupla vai fazer de tudo para reverter a situação.


Para impedir os planos do prefeito, as meninas decidem criar um abaixo-assinado, e o foco da aventura é conseguir assinaturas suficientes. Para isso, precisamos convencer os moradores por meio de ações, como curar animais machucados, coletar lixo, restaurar bancos e mesas quebradas pela ilha ou fotografar pássaros raros. As mecânicas focam em comandos simples e intuitivos, sendo bem tranquilo saber com facilidade qual é o próximo passo a ser feito.

Alba está de férias, logo ela também aproveita para relaxar e passear por Pinar del Mar. Com seu smartphone, a garota pode catalogar a fauna local por meio de fotos: um aplicativo identifica as criaturas e preenche um álbum, e encontrar todos é um grande desafio. Além disso, podemos explorar livremente a ilha, que conta com habitantes carismáticos e vários locais visualmente belos.

Um passeio por uma ilha aconchegante

Jogar Alba: A Wildlife Adventure me trouxe a sensação de estar de férias em uma bela ilha. O ritmo da aventura é tranquilo e relaxante, e temos liberdade de avançar na história no ritmo desejado. Há uma lista de tarefas, mas em muitos momentos eu simplesmente explorei a região à procura de algum pássaro ou criatura diferente para fotografar.


A ambientação é a minha característica preferida do título: a ilha no Mediterrâneo é repleta de vistas belíssimas, e o contraste entre a terra laranja e o céu azul é impactante. A natureza é uma constante, com animais em todo canto. Gostei do cuidado da desenvolvedora ao construir os cenários, como a cidade que lembra uma pequena vila na beira da areia, uma trilha na montanha que permite observar tudo do alto e uma praia isolada tomada por pedras e gaivotas. Há também vários pequenos detalhes cativantes, como Alba dando pulinhos ao andar (como qualquer criança que está se divertindo) ou aparelhos de rádio com músicas latinas espalhados pela ilha.


A trama explora conceitos interessantes, como ativismo pelo meio ambiente e a união de uma comunidade por um bem comum. Alba e seus amigos visam restaurar a ilha e é cativante ver animais voltando ao seu habitat depois de nossas ações. Os temas são tratados de forma suave, às vezes até de forma superficial ou absurda, mas é justificável por se tratar do ponto de vista de uma criança. Mesmo assim, a narrativa não deixa de ser envolvente.
 


Descomplicado até demais

Como jogo, Alba: A Wildlife Adventure é bastante simples, com ações que se resumem a andar, interagir com objetos e fotografar. A intenção é mergulhar na experiência relaxante, o que justifica os sistemas sem complicações, mas às vezes eles são básicos até demais. A aventura leva por volta de três horas para ser concluída, quatro se você for atrás de fotografar todos os animais. Além disso, o texto está completamente em português do Brasil. Essas características tornam o título bem acessível, especialmente para os pequenos.

O conceito funciona bem, mas alguns detalhes me incomodaram. Ao sacar o smartphone para tirar fotos, não podemos mover a personagem, o que às vezes implica em guardar o aparelho, se reposicionar e depois pegá-lo novamente, quebrando a imersão. Não há viagem rápida, o que significa andar longos trechos — uma bicicleta, por exemplo, seria uma boa opção para locomoção mais ágil. Para se orientar, é necessário abrir o mapa com frequência, pois não há marcações fora dele. Estas reclamações são mínimas, mas acredito que a inclusão de alterações para resolvê-las deixaria a experiência mais fluida.
 

Um ótimo momento de escapismo

Alba: A Wildlife Adventure oferece uma experiência imersiva e bela. É cativante explorar uma ilha em busca de animais para fotografar ao mesmo tempo que tentamos impedir a ganância do prefeito e a degradação da natureza. A ambientação me conquistou com o seu visual estonteante e inúmeros locais deslumbrantes para visitar, e o ritmo leve cria uma atmosfera relaxante. Os temas abordados são interessantes e a simplicidade dos sistemas torna a aventura acessível, porém acredito que não faria mal algum um pouco mais de profundidade. No fim, a aventura de Alba esbanja personalidade e é uma ótima opção para aqueles que procuram uma experiência tranquila.

Prós

  • Ótima ambientação focada em explorar uma bela ilha no Mediterrâneo;
  • Conceitos simples tornam o jogo acessível;
  • Narrativa interessante que explora temas sob a ótica de uma criança.

Contras

  • Ausência de elementos de qualidade de vida;
  • Algumas mecânicas são simples demais.
Alba: a Wildlife Adventure — PC/iOS — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela ustwo games

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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