Jogamos

Análise: Marvel’s Spider-Man: Miles Morales (PS4/PS5): expandindo o aranhaverso da Sony

Apesar da imensa qualidade, inovação é o ponto que merecia mais atenção para a aventura do Spider-Man do Harlem.


Anunciado como um dos principais títulos de lançamento para o PlayStation 5, Marvel’s Spider-Man: Miles Morales recebeu a grande responsabilidade de mostrar os grandes poderes do novo console da Sony. Entretanto, o novo jogo da Insomniac Games posteriormente se revelou como um título de transição de gerações entre o PS4 e PS5.


Na análise de hoje vamos conhecer o título que inicia o encerramento de uma memorável geração que começou em 2013 para a Sony com o PlayStation 4 e se, sozinho, tem o que precisa para assumir a imensa responsabilidade de abrir os trabalhos do PlayStation 5 em 12 de novembro em países selecionados, e em 19 de novembro no Brasil.

O herdeiro da máscara

Um ano se passou desde o atentado com o Bafo do Diabo em Nova York, que culminou em uma batalha colossal entre Spider-Man e Otto Octavius, o Doctor Octopus, com nosso herói aracnídeo saindo triunfante da batalha. Algumas perdas não puderam ser evitadas, mas novos aliados surgiram como fruto dos acontecimentos que sacudiram a "Grande Maçã" em 2018. Um deles é o jovem Miles Morales.
Miles está com 17 anos e vive com sua mãe no Harlem
Filho de um honrado policial que foi vítima de um ataque terrorista causado pelos Demônios, então liderados por Martin Li, o Mr. Negative, Miles e sua mãe, Rio Morales, agora vivem no Harlem. O jovem alterna sua rotina entre o apoio à sua mãe na campanha eleitoral para assumir um cargo como vereadora de Nova York e o difícil aprendizado com seu mentor Peter Parker, treinando para se tornar digno de suceder o herói como o novo Spider-Man.
Rio Morales é candidata a vereadora em Nova York
Enquanto isso, a mega corporação Roxxon deseja inovar no ramo de tecnologia sustentável implantando um revolucionário método de geração de energia no Harlem, como forma de apresentar seu novo projeto ao mundo. A empresa é malvista pelos residentes locais por ostentar um poderio bélico elevado e intimidador que desperta um certo ceticismo da comunidade nova-iorquina, em especial de uma organização criminosa chamada Underground, que tem como meta expor a verdadeira face da Roxxon, que não é tão bonita assim.

Miles se torna o protetor oficial de Nova York quando as obrigações de Peter Parker falam mais alto que o ofício de herói, fazendo-o deixar a metrópole nas mãos de seu pupilo por algumas semanas. Miles gosta muito da ideia de ser herói, mas ainda não se sente confiante o suficiente para assumir a responsabilidade de cuidar sozinho da cidade. Os cidadãos de NY e nem mesmo os bandidos levam ele a sério, tratando-o apenas como “outro Spider”, “Spider falso” ou apelidos parecidos. Isso o incomoda a ponto de cair na real e descobrir que está na hora de sair da zona de conforto que criou ao redor de seu mentor e criar sua própria identidade.
Miles Morales não é o outro, mas o novo Spider-Man
Com grandes poderes, vêm as grandes responsabilidades. Miles então se coloca no fogo cruzado entre a Roxxon e o Underground, com o intuito de não deixar que a rixa entre os dois lados cause danos mais severos à cidade. Durante sua aventura para proteger Nova York do conflito, ele descobre que a máscara do Spider-Man tem um peso muito maior do que imaginava, pois além de simplesmente proteger sua identidade, ele entenderá que o significado de ser o Amigo da Vizinhança vai muito além de apenas se balançar pelos arranha-céus e prender bandidos em teias.

O novo defensor de Nova York

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales expande o universo criado pela Insomniac em 2018. Estamos na mesma Nova York do jogo anterior, com alguns lugares facilmente reconhecíveis e atividades que já criamos o hábito de realizar quando estávamos na pele de Peter Parker. Como em Marvel’s Spider-Man, ao assumir o balanço de Miles podemos explorar livremente a ilha de Manhattan em toda sua extensão. Apenas o visual nos surpreende, não por ser ainda tão bonito quanto o título anterior, mas por apresentar uma cidade coberta pela neve e devidamente decorada para as festividades de fim de ano.
É Natal em Nova York
Além disso, a identidade do game combinada com a personalidade de nosso novo protagonista tem uma ótima apresentação. A fotografia está para Peter Parker no jogo anterior como a música está para Miles Morales aqui. Tanto a trilha sonora principal quanto os momentos-chave do título contam com esse toque que realça a personalidade de Miles, dando ainda mais identidade à aventura do rapaz. Alguns momentos chegam a ser emocionantes por causa desse detalhe musical dado a importantes cenas da campanha principal.

Se balançar para se deslocar por toda a extensão do mapa continua sendo uma atividade até terapêutica, de tão gostoso que é. Muitas vezes é preferível atravessar toda a ilha de Manhattan se balançando a usar as cômodas viagens rápidas, simplesmente pelo prazer de viajar dessa forma pela cidade. O que muda mesmo são as formas como interagimos com os acontecimentos da metrópole.
Se balançar pela cidade ainda é uma atividade muito prazerosa
Ganke é um amigo fiel de Miles, e para te ajudar ele desenvolveu um aplicativo em que as pessoas de NY podem entrar em contato diretamente com o herói. É através deste aplicativo que temos acesso às missões secundárias no game e também aos relatos de crimes que estão acontecendo pela cidade. Essas atividades rendem fichas que são usadas para realizar os aprimoramentos dos equipamentos de Miles e também o desbloqueio da maioria dos trajes que podem ser usados pelo herói.
Os cidadãos podem pedir ajuda ao Spider-Man pelo app
Dentre as outras atividades também temos a coleta de equipamentos que fornecem outro tipo de ficha para aprimoramentos, programas de treinamento deixados por Peter para Miles e atividades relacionadas a outros personagens da trama principal do game. Conforme avançamos na campanha, estas atividades vão naturalmente sendo incorporadas ao cotidiano do Spider, rendendo fichas e pontos de experiência que premiam o jogador com pontos a serem atribuídos em sua árvore de habilidades.

O combate de Miles Morales é muito semelhante ao de seu mentor, com golpes e finalizações acrobáticas e uso de aparatos tecnológicos para ajudar em suas abordagens diretas e de forma furtiva. As novidades ficam por conta de seus poderes Venom, que fazem uso da bioeletricidade naturalmente gerada por seu corpo, e de sua capacidade de se tornar invisível.
A finalizações continuam espetaculares
Esses dois elementos adicionam uma nova dinâmica durante os combates. Os poderes Venom são usados para mobilidade e aumento no dano contra os inimigos, e a camuflagem lhe dá uma vantagem tática diferenciada ao agir de forma furtiva e para escapar de momentos com muitos oponentes, facilitando sua fuga para pensar em uma nova abordagem.

Um novo jogo ou uma generosa expansão?

A meu ver, Marvel’s Spider-Man: Miles Morales funciona melhor como uma expansão do título de 2018. A inovação em relação a Marvel’s Spider-Man é mínima. Naturalmente temos algumas melhorias como gráficos mais detalhados e tempos de carregamento mais rápidos – isso no PS4 – ou melhor camuflados, como em God of War, em que somos guiados por algum trajeto enquanto o carregamento é realizado em segundo plano. As telas de carregamento que víamos com certa frequência no primeiro jogo quase não aparecem aqui.
Os tempos de carregamento e transições, mesmo no PS4, estão melhores 
Em questão de jogabilidade e ritmo de jogo, eu diria que o que temos aqui são simples melhorias. Se você adquiriu uma certa memória muscular de tanto jogar o anterior, ao começar Miles Morales você vai se sentir muito à vontade com os controles, pois eles herdaram a mesma fluidez e agilidade do primeiro game. Quanto ao ritmo, não temos momentos como o de Peter Parker resolvendo quebra cabeças genéticos ou quando assumíamos o papel de Mary Jane em missões de espionagem.

Aqui o ritmo de jogo intenso, junto com uma ótima narrativa, nos acompanham na maior parte do tempo até o final. Claro que haverá momentos que você deverá exercer alguma outra atividade, mas dessa vez a equipe da Insomniac deu um foco maior à ocupação ininterrupta. Você tem mais liberdade para escolher seu próximo passo. Seja com foco na campanha principal ou acessando o aplicativo para cumprir os objetivos secundários e realizar outras tarefas pela cidade.

Os pontos-chave para que eu veja Marvel’s Spider-Man: Miles Morales como uma expansão são seu volume e duração, que são menores que Marvel’s Spider-Man. No decorrer da campanha comecei a sentir isso. O primeiro jogo é extremamente volumoso em atividades secundárias para se realizar, muitas ao mesmo tempo e em grande quantidade. Sem falar na grande campanha de Peter Parker até o embate contra Doc Ock no fim da história.
Modo foto? Temos também, e com mais ferramentas!
Eu fiquei surpreso ao chegar em determinada missão e já receber um aviso de que aquela seria minha última chance de realizar outras atividades pois já estava alcançando o fim da história. Soltei um sonoro “Ué? Mas já?!” e comecei a contabilizar o tempo que gastei até chegar lá. Não foi pouco, mas se comparado com o primeiro game também não foi tanto assim. A cena pós-créditos, para mim, foi um xeque-mate nessa dúvida, mostrando para que realmente serviu este jogo e o que esperar na verdadeira continuação.

Outro ponto que dá relevância à minha opinião é o fato da Insomniac ter criado a edição Ultimate do game no PS5, que traz a remasterização de Marvel’s Spider-Man junto com a aventura de Miles Morales. Juntos, os dois jogos funcionam de forma perfeita. Não quero deixar a impressão de que o jogo não é bom, pelo contrário. Marvel’s Spider-Man: Miles Morales é extremamente competente e uma ótima adição a qualquer coleção para quem tem um PS4. Além do mais, os jogadores da atual geração têm um upgrade gratuito garantido para o PS5.
Spider-Ginga

Faltou um pouco de “Seja você mesmo!”

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales se destaca por realçar ainda mais um dos melhores jogos do PS4 em uma excelente expansão do universo criado pela Insomniac em 2018. O que já era bom foi mantido e o que realmente poderia ser melhorado foi feito. Com apresentação impecável e uma excelente aventura, seu único problema é ainda estar à mercê de seu antecessor quando o assunto é inovação.

Se você pretende jogá-lo no PlayStation 5, ainda acho mais vantajoso adquirir a edição Ultimate, contendo a remasterização de Marvel’s Spider-Man. Com certeza será favorecido pelo poder do novo console e isso vai agregar mais valor ao game. Os dois jogos funcionam de forma perfeita juntos, somando suas qualidades em uma das melhores aventuras do Homem-Aranha já feitas até hoje fora dos quadrinhos.
Alguns temas atuais não foram esquecidos
Por fim, reitero que a versão de PS4 não deixa a desejar e não merece ser ignorada. E só pra deixar registrado, mas sem efeito de avaliação, já temos a nova cara do Peter Parker em cena. Sou um dos que não curtiu muito, mas é como dizem por aí: aceita que dói menos.

Prós

  • Apresentação impecável com uma ótima narrativa, trilha sonora marcante, momentos cinematográficos e gráficos belíssimos;
  • Excelente localização para o português brasileiro, mantendo a maioria dos dubladores do título anterior;
  • Ótimo ritmo de jogo, com menos atividades ou missões focadas em quebra-cabeças ou espionagens;
  • Ótima performance no PS4, com tempos de carregamento menores ou melhor maquiados;
  • Poderes Venom e camuflagem invisível adicionam uma nova dinâmica de gameplay;
  • Versão para PS4 com upgrade gratuito para PS5.

Contras

  • Pouca inovação em relação ao jogo anterior por conta de dinâmicas, sistema de evolução de personagem e gameplay reciclados;
  • Campanha e quantidade de atividades secundárias menores se comparadas ao antecessor.
Marvel’s Spider-Man: Miles Morales – PS4/PS5 – Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Sony Interactive Entertainment

Tecnólogo em Gestão Ambiental, produtor do BlastCast e sincero até demais. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Adora jogos multiplayer que causam discórdia e fogo no parquinho. @XelaoHerege


Disqus
Facebook
Google