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Análise: DIRT 5 — Sujo, radical e muito divertido

Nova entrada na franquia vem com tudo para injetar adrenalina nas veias de quem busca um bom título de corrida arcade.


Derivada da antiga franquia Colin McRae Rally, DiRT chega ao seu quinto título numérico. Com pistas variadas, belos visuais e jogabilidade viciante, DIRT 5 (Multi) chega para ser um dos melhores títulos de corrida arcade do ano com louvores.

Rodas para que te quero

DIRT 5 tem poucos modos de jogo. Além do já esperado modo Carreira, tem um modo de corrida livre, para entrar em qualquer pista com as condições desejadas, disputas simples em rede e uma área para criação de pistas.

A Carreira é colocada como uma volta ao mundo por diferentes localidades e tipos de prova. São mais de 70 trajetos em lugares como Estados Unidos, Itália, China, África do Sul e até o Brasil foi representado com ladeiras íngremes ao pé do Cristo Redentor e nos morros da Tijuca (não confundir com a Barra da Tijuca, ok? São lugares diferentes no Rio de Janeiro).


Cada etapa tem sua especificidade: corridas em terrenos arenosos, mistos, no gelo, circuitos ovais ou com curvas fechadas em s, deslocamento de um ponto a outro, escaladas em rochas com veículos próprios e gincanas — aqui chamadas de Gymkhanas. Ao conquistar uma posição no pódio, são desbloqueadas as provas seguintes e assim é feita a progressão entre cada um dos cinco capítulos rumo ao topo.

Como se não bastassem as particularidades das etapas em si, as condições climáticas também adicionam um tempero interessantíssimo nas corridas. Elas influenciam bastante no comportamento dos carros e rivais, tornando uma disputa mais empolgante que a outra. Não é surpresa um terreno seco se tornar um lamaçal traiçoeiro após uma tempestade na segunda volta, por exemplo.


Destaque especial para as provas no gelo, que são irritantemente desafiadoras, e as Gymkhanas. Tratam-se de provas de habilidades que exigem bastante perícia por parte dos condutores na hora de realizar zerinhos, saltos e derrapagens. Quanto mais precisas as manobras, mais pontos elas rendem.

Ao final de cada corrida ganhamos experiência e pontos de reputação junto aos patrocinadores, além de dinheiro e itens desbloqueáveis. Estes pontos servem para liberar novas pinturas para os carros e itens cosméticos para deixar o cartão do jogador com um visual único, misturando fundos, cores, efeitos e adesivos.


Por fim, a área de criação de pistas tem um charme único e traz mais longevidade ao jogo. Em um esquema parecido com Tony Hawk's Pro Skater 1+2 (Multi), é possível elaborar um trajeto do zero, com diversos tipos de rampas, obstáculos e itens, e colocar na rede para que outros jogadores ao redor do globo possam experimentá-la e dar seu voto positivo ou negativo.

Qualquer carro serve

Se as condições climáticas e variedade de traçados de DIRT 5 trazem diversão aos pilotos, o mesmo não se pode dizer dos veículos. Os 62 carros enchem a garagem de diversidade visual, mas na prática conduzi-los é algo bastante parecido, para não falar igual. Isto não chega a ser uma falta grave, ainda mais para um título com proposta mais arcade, mas seria mais bacana sentir a diferença entre guiar um pequeno coupé e uma picape enorme.


Este fator específico desencoraja o desbloqueio de todos eles, que é feito por meio de dinheiro ganho após cada corrida. Nem mesmo a customização consegue ser um atrativo nesse quesito, apesar das inúmeras opções de texturas que a área oferece.

De olho na próxima geração

Já foi confirmado que DIRT 5 terá versões para PlayStation 5 e Xbox Series X/S. Prova disso é que o jogo já vem com a opção de rodar a 30 ou 60 frames por segundo. Enquanto tudo a 30 fps roda de maneira tranquila no PS4 Slim — console utilizado para esta análise — o mesmo não pode ser dito à 60 fps. 

Em momentos bem pontuais, percebe-se pequenos quadriculados à medida que o carro vai ficando sujo de poeira ou passa por uma poça. Outra falha isolada foi uma instabilidade na renderização de uma pista, com parte do céu azul ficando preto durante a largada. Isto deixou de ocorrer após a corrida ser reiniciada pela quarta vez. Além disso, o modo carreira traz algumas telas de carregamento um tanto quanto demoradas, principalmente ao sair da corrida e voltar para o menu do modo Carreira.


A trilha sonora também é muito bacana e combina com a adrenalina proposta, com bandas como Wolfmother e Pearl Jam. O único deslize aqui é não poder ver o nome das músicas em lugar nenhum da tela, nem mesmo no menu de áudio.

Estas faltas são mínimas, mas precisam de atenção quanto antes se a franquia quer chegar esbanjando a beleza visual que se propõe na nova geração.

Se sujar faz bem

DIRT 5 tem falhas leves, mas ainda assim te proporcionará horas de adrenalina com sua enorme variedade de pistas e condições climáticas. Criar traçados incomuns e improváveis também é algo que renderá muito tempo de diversão.



Prós

  • Grande variedade de pistas com belos visuais;
  • Diversos tipos de provas, que tornam cada corrida única;
  • Variações climáticas trazem emoção à cada prova;
  • Muitas opções de customização;
  • Criação de circuitos é divertido e bastante variado;
  • Excelente trilha sonora.

Contras

  • Jogabilidade simples demais, a ponto de todos os carros se parecerem, independente do tamanho ou velocidade;
  • Quando à 60 fps, acontecem algumas falhas visuais;
  • Algumas telas de carregamento são um pouco demoradas;
  • Nome das músicas do não é mostrado em nenhum momento ou área do menu de áudio.
DIRT 5 — PC/PS4/XBO — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Emanoelly Rozas
Análise feita com cópia digital cedida pela Deep Silver


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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