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Análise: Cobra Kai: The Karate Kid Saga Continues (Multi) expande o universo da série de forma divertida

Vá com tudo para cima de seus inimigos no controle de personagens icônicos da famosa série e desvende um novo episódio que expande o universo de Karat

Certos clássicos nunca saem de moda, e a prova fica por conta do grande sucesso do seriado Cobra Kai, que não só reinicia parte da sua cronologia, como expande o contexto da trama para um nível mais próximo do real. A ideia dos produtores foi de se aprofundar mais em uma teoria que ganhou força na internet, que dizia que os papéis de mocinho e vilão estavam na realidade invertidos. Independente do protagonismo, os fãs ganharam uma narrativa que explora diversos dilemas e estereótipos atuais de forma diferenciada, além de contar com uma bela evolução de personagens. 

Embarcando na popularidade da franquia, a Flux Game Studio apostou forte em trazer a emoção dos combates ao mundo dos jogos. Cobra Kai: The Karate Kid Saga Continues chega com a proposta de entregar ao jogador mais daquilo que ele experimentou na série. Será que a empreitada foi bem-sucedida? É o que iremos descobrir a seguir, portanto, vista seu quimono e leia sem misericórdia!

Rivalidade eterna

A trama do jogo se passa entre a primeira e a segunda temporada. Isso fica evidente, pois detalhes como o resultado do torneio de caratê são mencionados em alguns diálogos. Aqui, Hawk e Demetri aparecem brigando na sala do diretor da escola. Ao conseguir apaziguar os jovens, ele pede então que expliquem o motivo de toda a confusão. É quando a campanha nos permite escolher de qual escola de caratê iremos testemunhar os fatos. Ao optar pelos Cobra Kai, seguiremos no controle de Johnny Lawrence e seus alunos Miguel, Tory e Hawk. Enquanto o Miyagi-Do nos coloca na pele de Daniel LaRusso, sua filha Sam, Robby e Demetri. O roteiro segue uma ordem linear dos fatos, sob o ponto de vista dos dois adolescentes rivais, alterando essencialmente os diálogos e as cenas de acordo com o dojô selecionado.




No lado dos Cobra Kai, Miguel recebe um estranho convite de Sam para encontrá-la no minigolfe da cidade. Ao chegar no local, ele percebe que tudo não passava de uma cilada, sendo obrigado a lidar com a dupla de valentões Trey e Cruz, e uma gangue de brigões fantasiados de esqueleto. Ao final da contenda, descobrimos um mapa que revela um plano de ação em diversos locais da cidade, o que leva Johnny a acreditar que tudo não passa de um esquema de Daniel para arruinar a reputação de sua escola. Ele então parte com seus alunos a fim de checar cada localidade de All Valley.

Na prática, se estivermos do lado dos Miyagi-Do, os papéis se invertem e Sam é quem recebe o convite de Miguel, passando pela armadilha até enfrentar os dois baderneiros da série, culminando na discussão com o pai sobre o mapa. Sentindo-se provocado pelo uso da fantasia de esqueletos, LaRusso rapidamente associa o bullying a Johnny e decide investigar a situação.




Apesar de ambas as campanhas percorrerem o mesmo trajeto, é divertido ver a reação e a interação dos personagens de cada lado da moeda nessa história. Os Cobra Kai com toda sua atitude explosiva e agressiva, enquanto Daniel e seus alunos tentam usar a razão e argumentar, sendo inevitavelmente pegos pelo calor do combate. Sem contar que as narrativas de ambos os lados se completam no final, o que, sem dúvida, te levará a buscar o real desfecho de todo o conflito.




Batendo forte ou apenas para defesa?

O combate de Cobra Kai é outro ponto positivo aqui e ele ressalta algo que sempre combinou muito bem com o gênero beat ‘em up: o exagero. Estamos falando de um contexto de dois dojôs rivais de caratê em conflito e sob a ameaça de outros vilões. Até aí temos o palco perfeito para uma jogabilidade repleta de pancadaria, contudo, foram adicionados poderes especiais a essa mistura frenética, o que no resultado final apenas contribuiu ainda mais para o fator diversão.




Combinado com a agressividade dos Cobra Kai, seus membros possuem golpes de fogo propensos a causar muito dano em seus inimigos. Já do lado do Miyagi-Do, os lutadores são especialistas no contra-ataque e na habilidade de manipular o gelo, o que vai perfeitamente ao encontro de sua filosofia serena e mais contemplativa. Tudo isso se mistura em sequências de golpes de soco, chute e agarrões em conjunto com esses poderes, proporcionando uma série de combinações onde a diversão reside em alcançar o maior número de acertos possíveis no adversário. Para incrementar ainda mais a experiência, cada personagem conta com uma árvore de habilidades que se ramifica em dois caminhos distintos, nos levando a pensar, mesmo que de forma simples, em uma composição adequada a cada lutador.

Sou suspeito para falar quando o assunto é beat ‘em up, por se tratar de um gênero que me cativou desde a infância, contudo, o elogio aqui é devidamente merecido. A diversidade de golpes especiais não deixa que o combate sofra de repetitividade. Pensar em novas sequências cada vez mais destruidoras e ver o ranque do combo subindo da nota D até o máximo NM (no mercy) é uma satisfação tremenda.



E, assim como o sensei Lawrence ensinou na série: atacar nem sempre será a única opção. Pensando nisso, ao apertar um botão podemos realizar um bloqueio que não só defende do golpe inimigo, como também emenda em um contra-ataque poderoso e que ainda regenera uma porção de vida. Ao combinar esse mesmo comando com o direcional, executamos uma esquiva para a direção indicada. Esse recurso se mostrou ainda mais útil que o bloqueio, pois ele cancela a ação anterior, o que acabou me salvando diversas vezes ao evitar um ataque iminente durante uma sequência de golpes.

O único ponto que me incomodou em sua jogabilidade foi durante a agarrada, tanto em pé, quanto nos inimigos caídos. Nesse instante geralmente temos a opção de desferir uma sequência de golpes que varia de lutador para lutador, contudo, senti dificuldades de cancelar essa ação. Foram muitas as vezes em que estive sob um oponente enquanto fui obrigado a assistir outro se aproximando e me batendo.

Bagunçando a vizinhança

Durante a nossa jornada percorremos diversos locais conhecidos da série, como a loja de veículos LaRusso, o colégio dos jovens lutadores, a arena do torneio, entre outros. As fases se intercalam entre missões principais que acontecem nesses locais famosos, geralmente com a presença de um grande vilão. Aqui veremos os já mencionados Trey e Cruz, Kyler e sua turma de brigões e até mesmo pessoas inusitadas como Tom Cole com toda a sua baboseira com o Bubba. Todos eles contam com a ajuda de outros malfeitores, o que aumenta ainda mais os desafios. Cada uma dessas fases principais é intercalada por trechos menores, apresentando um subchefe ao final do trajeto.

Algúem já viu essa sinopse?

No geral, há uma boa variedade de oponentes. Alguns deles aparecem em versões mais fortes, caracterizados por uma mudança na cor das roupas, o que já é de praxe nesse tipo de jogo. Eles costumam trazer pelo menos dois golpes em seu arsenal, podendo ser combinados com o ataque de outros que estiverem ao seu redor. Ou seja, evite ficar cercado a todo custo. Para piorar, eles ainda possuem dois status indicados por uma cor: vermelho significa que um movimento ininterrupto está a caminho e amarelo significa que ele está invencível.

Os cenários apresentam um percurso bem linear, sempre com uma seta indicando para onde se dirigir. O visual é bem simples, dando mais destaque para a animação dos golpes. Contudo, vale destacar a grande diversidade entre os ambientes. Você sente que realmente está percorrendo por várias localidades durante cada jogada. Na fase do minigolfe, iniciamos o trecho na praça de alimentação, passando pelos fliperamas e encerrando na área de golfe. A transição entre cada local fica evidente.




E para deixar a jogatina ainda mais interessante, além das clássicas comidas para recuperação de vida, encontramos ferramentas e armas brancas como taco de beisebol, pá, garrafas e afins, que podem ser utilizados contra seus oponentes. É possível descer ainda mais o nível ao chutar objetos na direção dos inimigos como placas e sacos de lixo. Achou pouco? Pois então atraia os valentões para próximo de objetos marcados pela cor verde, bastando apertar o R1/RB para dar início a uma animação destrutiva que, muitas das vezes, chega a incapacitar o alvo. Carros estacionados, barracas de cachorro-quente, latas de lixo, aqui vale tudo… Afinal de contas, estamos falando de uma briga de rua!

O que seria de um carateca sem seu quimono e sua faixa? Pensando nisso, foram colocados esses objetos, que costumam ser deixados por adversários derrotados. Cada um conta com uma cor característica que o distingue dos demais e um efeito especial, que pode ser cura, regeneração do tempo de espera de uma habilidade, uma explosão ao final de um ataque, etc. Esses itens têm duração limitada e ficam válidos apenas na fase em questão.
 

São muitas opções a serem usadas a seu favor e, mesmo com tudo isso, não pense que estará em grande vantagem com relação aos inimigos. As fases trazem um nível de dificuldade acima da média, lembrando que não há como regulá-la. Sobreviver à horda de inimigos em cada ponto do cenário é um desafio à parte. Mesmo entrando com quatro personagens intercambiáveis durante a luta, é comum perdermos vários deles durante o trajeto. Por sorte, você consegue revivê-los com menos da metade da vida ao atingir pelo menos um combo de nota B.

A jogabilidade frenética de Cobra Kai casa muito bem com a riqueza dos detalhes em suas fases. A curva de aprendizado aqui é tremenda e vocês irão sentir o peso da dificuldade, principalmente no começo. O segredo consiste em aprimorar os membros de sua escola, dominar seus movimentos e saber antecipar os do oponente. Em alguns beat ‘em up de antigamente era possível se preocupar somente em atacar, aqui você será punido se não souber balancear seu lado ofensivo e defensivo.



O dojô é sua casa

A base de cada escola é seu dojô. Cada um deles está bem representado com os detalhes que vimos na série. Aqui é onde você irá fazer os seus upgrades. Cada membro possui um total de quatro golpes especiais e um golpe assinatura destrutivo disponível ao encher o medidor no canto inferior. Além desses poderes, as escolas possuem suas técnicas especiais que são de uso comum. O Cobra Punch, por exemplo, pode ser utilizado por todos os membros do Cobra Kai.




Para melhorar todos esses aspectos, você utiliza moedas recebidas dos oponentes derrotados, mas principalmente ao completar as fases cumprindo alguns requisitos: não levar dano, não deixar ninguém morrer, conseguir combos NM, usar as interações de cenário, matar inimigos com o golpe assinatura, etc. Uma nota será atribuída mediante seu desempenho, podendo chegar até a S caso você tenha se saído bem.

O jogo meio que te instiga a buscar sempre a nota S, contudo, no começo isso será quase impossível. Ter o melhor desempenho possível será o somatório de diversos fatores, como se afeiçoar a um personagem e dominar seus movimentos, antecipar os ataques para não perder a cadeia de combos e tirar o máximo de proveito dos recursos presentes em cada estágio. Portanto, não se preocupe com isso no início e vá desfrutando da campanha. Mesmo porque você pode retornar quantas vezes quiser em cada fase.




No mercy!

Cobra Kai: The Karate Kid Saga Continues se mostra uma excelente opção para aqueles que curtem a boa e velha pancadaria dos beat ‘em up. Você e até um companheiro local terão uma campanha extensa pela frente, um sistema de progressão de personagem bem elaborado, além de uma mecânica de combate muito divertida e fluida. Já aqueles que gostaram de Cobra Kai encontrarão aqui, além desse somatório de benefícios, uma série de referências ao universo de Karate Kid. O título ainda conta com a voz de alguns atores do elenco, como Ralph Macchio, William Zabka, Jacob Bertrand, entre outros, aumentando a imersão e o fan service para o público.


Prós

  • Campanha vasta e com mais de um final;
  • Combate repleto de recursos, fluido e divertido;
  • Cenários diversificados e com opções de interação;
  • Vozes de alguns atores do seriado;
  • Sistema de aprimoramento bem construído;
  • Multiplayer local.

Contra

  • Mecânica de agarrões trava o personagem;
  • Acabamento do visual dos cenários deixa a desejar.
Cobra Kai: The Karate Kid Saga Continues — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela GameMill


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