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Análise: G.I.Joe: Operation Blackout (Multi) é um jogo de ação genérico que não empolga

Nem mesmo o nome da famosa franquia de brinquedos evita que esse título seja raso, cansativo e dispensável.


Entre títulos bons e ruins lançados todos os anos, temos aquela parcela baseada em produtos licenciados de grandes marcas de brinquedos, que nem sempre trazem uma grande experiência para os fãs. Infelizmente, G.I. Joe: Operation Blackout (Multi) faz parte desta massa cinzenta que não possui grandes qualidades e nem consegue ser memorável para quem acompanha a saudosa série de bonecos Comandos em Ação desde os seus anos dourados.

YO JOE!

A narrativa é o famoso clichê da época: o bem contra o mal simbolizado no combate entre Joes e Cobras. Para acompanharmos o desenrolar dos fatos, realizamos missões que nos colocam no foco da ação dos dois lados. Ou seja, ora seremos Joe, ora seremos Cobra.


Com essas idas e vindas entre pontos de vistas diferentes, temos um total de 17 missões que parecem se passar num mesmo lugar, com baixa variação de cenários. Os personagens também se movimentam de maneira similar, se diferenciando apenas pelas suas armas e seu ataque especial. 

Na primeira vez que a missão é realizada, escolhemos entre dois combatentes. Se quisermos completá-la uma segunda vez, atrás dos colecionáveis, já podemos optar entre os seis integrantes disponíveis de cada equipe, que possui objetivos principais e secundários. Inclusive, se não prestarmos atenção durante o jogo, essas tarefas paralelas podem passar batidas. Inclusive, é aqui que está outro defeito de Operation Blackout: a repetitividade. 


Ao prosseguirmos pelas fases, nos são dados diversos objetivos, que consistem sempre na mesma coisa: devemos esperar em um local durante certo tempo, abatendo hordas de soldados inimigos que aparecem incessantemente. O jogo inteiro se baseia nisso, sem uma variação decente entre metas em cada local.

Para conseguir liberar todos os trajes de cada personagem, temos que completar algumas fases duas vezes, o que é uma tarefa bastante cansativa devido a uma série de fatores, como jogabilidade e duração das fases, que em sua maioria levam entre 20 e 30 minutos para ser concluídas. Agora, caso você seja um caçador de troféus/conquistas, será necessário concluir cada estágio em todas as cinco dificuldades existentes, o que torna tudo ainda mais arrastado.


Cada estágio é percorrido com um parceiro, que é o personagem que não escolhemos. Ele pode ser um segundo jogador ou a inteligência artificial. Caso a IA esteja no controle dele, é normal parecer que você está sozinho, uma vez que tem-se a impressão que esse companheiro entra em ação em momentos aleatórios.

Além de os estágios serem meio longos e repetitivos para o tipo de ação rápida que propõem, o jogo em si peca pelo pouco conteúdo. Além das missões, o título se resume a ter apenas uma pequena galeria que reúne curtas biografias de cada personagem e os colecionáveis, como capas de HQs e as skins de armas e combatentes disponíveis para serem desbloqueadas.

Ruim de mira

Operation Blackout é um jogo de tiro em terceira pessoa. Isto por si só já pode causar estranheza para quem é mais adepto dos FPS. Ainda assim, o maior problema está no ato de se movimentar e mirar ao mesmo tempo. Focar em um alvo não é uma tarefa precisa e acertar um inimigo pode parecer um trabalho mais complicado do que deveria ser. 


Além da mira não ter a velocidade que necessitamos, os soldados rivais se movem em momentos e direções aleatórias, tornando a imprevisibilidade uma prova de paciência. Caso se trate de um inimigo aéreo, como alguns drones, tudo se torna ainda pior, pois eles se movem rapidamente e é difícil acompanhar seus movimentos. 

Se acertar alguns tiros já é desafiador por si só, ataques de perto se tornam algo ainda mais problemático. Ao tentar se aproximar de alguém para acertar um golpe de faca, espada ou cotovelo, os oponentes começam a nos rodear como se fossem mestres de capoeira e vão para pontos cegos, o que nos obriga a ficar rodando incessantemente até encontrá-los.


Nem mesmo as fases em que temos que pilotar um tanque conseguem ser divertidas. Apesar da proposta um pouco diferente e da munição infinita, atirar com o enorme veículo também é um trabalho estranho, uma vez que os tiros cessam sem motivo aparente e demoram um tempinho para voltar.

Como um quadrinho

Talvez um dos poucos acertos de Operation Blackout seja seu visual. Em vez de trazer algo mais realista e até apoiado em versões cinematográficas, a aposta foi em um visual mais cartunesco e cenas desenhadas que lembram histórias em quadrinhos. A dublagem de cada um dos integrantes de ambas as equipes é bastante competente, apesar das frases canastronas dignas dos filmes de ação dos anos 1980.


Entretanto, isto não quer dizer que esta escolha esteja livre de falhas. Os soldados que precisam ser combatidos são muito parecidos em algumas áreas, apesar de uns precisarem tomar mais tiros que outros. Então acontece uma pequena confusão entre quais inimigos acertar primeiro, mas nada que seja tão grave, uma vez que a jogabilidade em si já é uma vilã.

Merecia mais carinho

G.I. Joe: Operation Blackout nada mais é que um título genérico de tiro que ganhou uma identidade visual baseada em uma franquia consagrada. Sua jogabilidade é imprecisa, seu conteúdo é escasso e ele não consegue ser empolgante, abusando de uma repetitividade que cansa. Infelizmente, esta é mais uma derrota tanto para os Joes quanto para os Cobras.



Prós

  • Boa dublagem;
  • O visual cartunesco foi uma escolha acertada.

Contras

  • Jogabilidade imprecisa, principalmente para mirar;
  • Objetivos de fase repetitivos;
  • Pouca variedade de cenários;
  • Inimigos com padrões de movimentos aleatórios;
  • Fases extensas e cansativas;
  • Pouco conteúdo no geral.
G.I. Joe: Operation Blackout — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 4.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Game Mill Entertainment


é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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