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Análise: Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning (Multi): um mundo genérico de possibilidades

Se você gosta de quantidade e não de qualidade, sinta-se em casa.



Lançado originalmente em 7 de fevereiro de 2012, Kingdoms of Amalur é um jogo de RPG de mundo aberto que dá uma liberdade imensa ao jogador em termos de construção de personagem, exploração, combate e, de certa forma, até de narrativa. Foi um título bem recebido na época exatamente por isso, mas toda essa liberdade no fim traz um jogo desconexo. Re-Reckoning é basicamente a remasterização do jogo com algumas melhorias gráficas e de balanceamento, prometendo também uma nova expansão no futuro.




Livre das amarras do Destino

Na história, você é o "Sem Destino" (Fateless One), um personagem que é trazido de volta à vida pelo Poço das Almas, uma criação feita para ser usada na Guerra de Cristal, da qual todo o reino está fazendo parte e sofrendo suas consequências. Sem memórias, seu personagem parte em uma jornada para descobrir o mundo de Amalur e aprender mais sobre suas histórias.

Não há missões novas, nem modos melhorados de fazê-las, como menus aprimorados para melhor visualização das histórias e suas sequências. É exatamente o mesmo jogo original, sem tirar nem pôr. Essas missões estão espalhadas por todas as localidades, chegando a ser absurda a quantidade de conteúdo que apenas uma área do jogo pode ter. Eu, por sinal, demorei mais de 15 horas para sair das Florestas de Dalentarth, a área principal do jogo, e chegar a ver os outros cenários. É um jogo imenso, tanto em diálogos, quanto em localidades e exploração. Dá até pra ter uma casa.




Ambientação cheia de potencial

Há uma grande quantidade de áreas no jogo que cobrem todo tipo de tema fantástico que você pode estar habituado em RPGs: há florestas densas, catacumbas lotadas de monstros, cavernas com trolls, cânions, planícies bem verdes e mais. Todas enormes, mas extremamente genéricas. Os locais tentam te prender com tamanho e quantidade, mas acabam sendo apenas isso, lugares gigantes em que você passa várias e várias vezes para realizar missões das quais você nem se importa tanto. 

O que traz também uma desconexão ao jogo. Não há uma maneira clara de progredir e muitas vezes você estará fazendo missões que não têm nada a ver com o que você acabou de fazer e que não terão referências ou sequências ao decorrer da história, já que não há ligação entre a grande maioria delas.

Menu sem interatividade. 

Junto com a remasterização, teria sido muito legal se a desenvolvedora tivesse melhorado os menus do jogo, para facilitar o entendimento da aba de missões, já que parece e é um estilo muito velho. Muitas vezes é complicado saber onde as missões se localizam e do que exatamente se tratam, já que você é apresentado a várias o tempo todo.


Batalhas repletas de possibilidades

O combate de Kingdoms of Amalur por sua vez, é muito interessante e te dá bastante liberdade na construção do seu personagem, oferecendo várias possibilidades de armas, habilidades e especializações. Basicamente, você pode equipar uma arma principal e uma secundária, mudando entre elas durante a batalha e misturando seus ataques durante os combos. Cada um dos 9 tipos de armas tem ataques e habilidades diferentes, que podem ser especializadas ainda mais ao escolher cartas de destino que ficam disponíveis ao subir de nível e melhorar habilidades daquele estilo de jogo. Não há restrições; você pode ser um mago ladino guerreiro, é só escolher.

A jogabilidade é o grande diferencial do título, já que muita gente pode não se importar tanto assim com a história, mas gostar bastante de como o combate é fluido e dos vários encontros com monstros que você terá durante sua jornada. A quantidade de missões até reforça o jogo nesse sentido. Você terá tempo de sobra pra testar todas as habilidades poderosas e legais que desbloquear. Para além disso, há a opção de reiniciar todos os seus pontos de aprimoramento, fazendo com que o jogador sinta-se mais à vontade para testar as diferentes opções que o jogo oferece.



Apesar de tudo, não é tão fantástico assim

É possível sentir a velhice no jogo, já que não houve mudanças tão grandes nos filtros, nos gráficos (além do aumento natural de resolução) e nos menus, que não têm interatividade alguma. Posso dizer que o jogo envelheceu mal em diversos aspectos, tendo elementos extremamente genéricos, como a progressão das missões, os personagens, as localidades e até a criação de personagem, que não te oferece tantas opções assim. 

Esse relançamento é até um pouco esquisito, já que o jogo é exatamente o mesmo; e mesmo que a explicação possa ser pelo fato de ser um remaster e não um remake, algumas melhorias já trariam uma qualidade maior e uma motivação a mais para o consumidor, além de convidar novamente as pessoas que gostaram dele no passado.




Por fim, posso dizer também que os elementos que eram interessantes no seu lançamento inicial continuam interessantes na remasterização. O combate é incrível e a progressão do personagem também. Há algumas missões realmente interessantes (como a série da House of Ballads) e uma boa variação de ambientes exploráveis, mas é uma pena que, embora o jogo tenha elementos divertidos e momentos legais, seja soterrado pelo genérico e que se arraste por áreas e missões repetitivas, de forma extremamente desconexa.

Prós:

  • Combate divertido;
  • Várias possibilidades de construção de personagem;
  • Resolução melhorada;
  • Atmosfera convidativa.

Contras:

  • Missões genéricas, repetitivas, desinteressantes;
  • Áreas são muito grandes sem necessidade;
  • Nenhuma adição além do conteúdo original;
  • Nenhuma melhoria dos menus ou outras ferramentas que melhorem navegação e jogabilidade.
Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning — PC/PS4/XBO — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela THQ Nordic

Aprecio bons jogos independente de plataforma e gênero, mas possuo um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Se gostou do meu conteúdo, me siga na Twitch ou no YouTube.


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