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Análise: Panzer Paladin (PC/Switch) — muitas armas em um ótimo jogo de plataforma retrô

Este título indie utiliza clássicos como inspiração em uma aventura simples, porém divertida.


Em Panzer Paladin, o mundo foi invadido por terríveis demônios e a única esperança é uma androide que pilota um robô gigante. Produzido pela desenvolvedora indie Tribute Games, o jogo resgata conceitos de ação e plataforma 2D, em uma aventura tradicional, com um sistema de armas interessante. O título utiliza o passado como inspiração em seu visual pixel art no estilo 8-bits e estrutura simplificada, o que resulta em uma agradável e intensa experiência retrô, mesmo apresentando alguns tropeços pelo caminho.

Uma androide e um robô enfrentando uma ameaça do Submundo

Um dia, armas gigantes caíram em diferentes partes do planeta e abriram portais para o Mundo Inferior, e deles saíram terríveis demônios. Um comitê de crise descobriu que a única maneira de derrotar as criaturas é com suas próprias armas, o problema é que estes objetos corrompem os seres humanos, mas, felizmente, não afetam máquinas. Sendo assim, a androide Flame é convocada para enfrentar os demônios, e para isso ela contará com a ajuda do robô gigante Grit.

Panzer Paladin utiliza a fórmula clássica de ação e plataforma. No controle do robô gigante, precisamos completar fases de progressão 2D espalhadas pelo mundo. Os estágios têm desafios diversos, como sessões que exigem pulos precisos, armadilhas, confrontos contra inimigos, e um chefe espera no final do caminho. Na maior parte do tempo guiamos o robô gigante, no entanto a piloto Flame pode ser controlada com o toque de um botão. Ela é mais frágil, mas é a única capaz de passar por corredores estreitos ou atravessar buracos com a ajuda de seu chicote.


O ataque básico de Grit é um soco fraco e de alcance limitado. Para ter uma chance de acabar com os demônios, é necessário utilizar equipamentos mais fortes, e este é o diferencial de Panzer Paladin: inimigos derrotados às vezes deixam armas diversas que podem ser utilizadas pelo herói. A forma mais básica de uso dos armamentos são golpes à curta distância, mas eles também podem ser lançados como projéteis poderosos. Cada arma conta também com um feitiço especial, como aumentar a defesa, refletir projéteis, recuperar vida ou lançar raios, mas para ativá-lo é necessário destruir o armamento.

Inúmeros tipos de armas estão espalhadas pelas fases do jogo, cada qual com atributos diferentes, como força, alcance e velocidade de ataque. Todos os armamentos têm durabilidade limitada e quebram com o uso, existindo a possibilidade de guardar alguns como reserva. Sendo assim, durante as partidas, a dificuldade é saber balancear o uso dos equipamentos para não ficar completamente indefeso ou com uma arma ruim para a situação atual.


A aventura principal de Panzer Paladin apresenta mais de 15 estágios, e modalidades adicionais além do modo história estão disponíveis, como Speed Run (termine as fases no menor tempo possível), Boss Rush e Remix (as fases são levemente alteradas). Há também um editor que permite construir armas, sendo possível desenhar a aparência, definir seus atributos e escolher um feitiço. A versão para PC tem suporte à Oficina do Steam para compartilhar as criações.

As belezas e os terrores de um título retrô

Jogar Panzer Paladin me trouxe a sensação de estar experimentando um título da era 8-bits com alguns toques de modernidade. O conceito principal é extremamente simples (andar, pular e derrotar inimigos até chegar no chefe), mas não deixa de ser divertido por causa da soma de suas características.

A mecânica de armas é claramente o maior atrativo do jogo. Gostei bastante de pegar e usar diferentes armamentos, e a durabilidade limitada de cada objeto me forçou a repensar minhas estratégias constantemente — foram várias as vezes que uma lança poderosa quebrou e tive que me virar com uma faca curta, por exemplo. Além disso, os feitiços trazem dilemas: os efeitos são poderosos, no entanto é necessário sacrificar a arma para obtê-los. Equilíbrio é importante, pois não adianta nada ter mais ataque e defesa se você não tem armas para usar, principalmente nas lutas contra os chefes.


As fases de Panzer Paladin se passam em diferentes localidades do globo, como Grécia, Japão, Rússia e Tanzânia. Cada estágio passa uma atmosfera distinta com seus visuais belos em pixel art e música enérgica com toques de chiptune, e algumas poucas cenas não interativas tornam o mundo mais elaborado. Mas, mecanicamente, as fases são bastante parecidas. Algumas etapas contam com elementos únicos, como trechos mais verticais, partes com carrinhos de mina ou sessões repletas de plataformas móveis, porém a variedade limitada de situações e inimigos pode trazer uma sensação de repetição a longo prazo. Ao menos os chefes são bem únicos, sendo um dos maiores destaques do título.

Mesmo assim, é divertido superar os desafios dos estágios. A dificuldade de Panzer Paladin é moderada e explora trechos que exigem destreza nos saltos, combate contra vários inimigos simultâneos e chefes com padrões de movimento complexos. Pelo caminho, aparecem também pequenos duelos contra monstros mais resistentes em que é necessário defender na hora certa e atacar na altura exata. A progressão é completamente linear, por mais que existam alguns segredos a serem descobertos, principalmente em salas que só podem ser exploradas pela piloto Flame.


Curiosamente, um dos detalhes que mais impacta a dificuldade e a experiência no geral é uma escolha de design duvidosa: os checkpoints são muito distantes entre si. Não vejo problema em refazer trechos dos estágios após morrer, mas em Panzer Paladin isso se torna enfadonho por causa da longa duração dos estágios e da ausência de rotas ou situações alternativas. Para piorar, perigos que matam instantaneamente são frequentes e basta um simples deslize para ter que atravessar novamente grandes partes. Acredito que a inclusão de mais checkpoints ou mudanças nos buracos tornariam a experiência mais prazerosa.


Uma carismática aventura de plataforma

Panzer Paladin é um título que se concentra em executar bem alguns poucos conceitos ao mesmo tempo em que apresenta toques de modernidade. Controlar um robô gigante e um pouco desajeitado é interessante, principalmente por causa da presença constante de desafios de plataforma e combate. O sistema de armas é o destaque: é divertido testar diferentes armamentos, e vários detalhes trazem aspectos estratégicos às partidas. A ambientação retrô tem seu charme com o visual em pixel art, mas o passado também atrapalha o ritmo com escolhas duvidosas de design que trazem repetição e irritação. Por fim, Panzer Paladin se revela um bom jogo de ação, principalmente para aqueles que buscam um desafio mais clássico e simplificado.

Prós

  • Conceito de ação e plataforma simples e bem executado;
  • Sistema de armas interessante com boa variedade de objetos e aspectos estratégicos;
  • Ambientação retrô marcante com pixel art estilo 8-bits e trilha sonora com chiptune.

Contras

  • Variedade limitada de situações traz leve sensação de repetição;
  • Checkpoints distantes tornam a morte muito frustrante.
Panzer Paladin — PC/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Mariana Mussi S. Infanti
Análise produzida com cópia digital cedida pela Tribute Games

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


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