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Análise: Neversong (Multi) e a esperança através da música

Ajude Peet na sua árdua missão de salvar sua namorada do temível Dr. Smile, os amigos e a música serão de grande ajuda nesta busca pelo seu final feliz.

Em Neversong, acompanhamos o órfão Peet que na companhia de uma passarinha terá a missão de salvar sua amada Wren. A aventura de Peet usa o estilo plataforma 2D e é recheado de puzzles e momentos de ação nas batalhas contra os chefes.

A jogabilidade é simples e serve para nos contar uma história profunda, sendo aqui o objetivo maior a progressão dela do que a exploração dos cenários. A arte de Neversong brinca com o irrealismo em seus cenários, personagens e inimigos que parecem ter saído de algum filme ou animação do diretor Tim Burton. Assim como a direção de arte num todo excepcional temos a música, que junto da história é um dos pontos fortes do título e que irei comentar mais no decorrer desta análise.

Era uma vez um coma...

Peet é um garoto órfão que vive num mundo de tristeza até que ao conhecer Wren seu mundo se transforma. Ela se torna a pessoa mais importante para ele. Os dois começam a passar mais tempo juntos e epae ensina a tocar piano.

O temível Dr. Smile.


Numa noite eles decidem procurar um lugar para tocar, mas se deparam com uma criatura do mal. Peet é um garoto tímido e fraco e com o susto entra em estado de coma. Após acordar, ele se encontra preso num lugar sinistro e precisa sair de lá, e para escapar deste lugar temos de resolver um puzzle, assim que resolvemos o primeiro puzzle o jogo nos apresenta o temível Dr. Smile que tem a forma de uma figura fantasmagórica e assustadora abrindo uma porta. Peet então descobre que sua amada foi raptada e está nas mãos do Dr. Smile e cabe a ele salvá-la.

Um mundo que precisa da narrativa para prosseguirmos

A narrativa é contada através das cutscenes e diálogos com os personagens que em sua maioria são os amigos de Peet. O primeiro a nos dar informações dos acontecimentos é Jon. Ele só se importa em bater seu recorde de pular corda e almeja um dia ter um cabelo grande, mas nos explica que todos os pais dos seus amigos saíram em busca de salvar Wren. Também ganhamos a companhia de uma passarinha após salvá-la e que nos ajuda carregando chaves e outras coisas para prosseguirmos na narrativa, ela é bem carismática e sua identidade só nos é revelada no final do jogo.

Cada personagem tem a sua peculiaridade, incluindo os chefes que são os pais dos amigos de Peet que estão sendo transformados em monstros pelo Dr. Smile. Teremos de ajudar alguns destes amigos, como o arrogante Simeon que nos dá a missão de achar uma agulha para então resolver seu problema de hipoinflamação.


A exploração no início é necessária, pois Peet não tem nenhum item ou habilidade que faça ele avançar no mapa. Ao entrarmos numa barbearia, por exemplo, conseguimos a nossa primeira partitura de piano. 

Sempre que conseguirmos uma partitura nova temos de voltar a casa de Wren onde está seu piano e tocá-la para termos acesso aos itens presentes no jogo, como: um bastão de beisebol, um skate, um guarda-chuva e luvas especiais. As próximas partituras só nos são dadas após enfrentarmos os chefes e conforme desbloqueamos os itens mais próximos do fim chegamos.

Os chefes são bem fáceis de enfrentar, só os inimigos comuns que não podemos errar o timing do ataque se não tomamos dano. Temos aqui uma variedade de inimigos comuns bem pouco diversificados, consistem apenas em aranhas bizarras e homens loucos.

Mrs. Richardson é a primeira chefe que enfrentamos, ela é mãe de Simeon.

É possível conseguirmos corações extras, só temos de coletar um número de cem Chiadeiras de Coração. Adquirimos elas conforme andamos pelo mapa ou matando os inimigos. 

Outro colecionável são os Cartões de Coma, eles trazem informações sobre os personagens, inimigos e a vegetação do mundo de Neversong, alguns deles podem ser equipados em Peet ou na passarinha como itens cosméticos.

No total o jogo tem 7 áreas exploráveis. Todas são bem diversificadas, indo de uma simples aldeia até um asilo sinistro. Cada uma delas tem seus objetivos, como alcançar níveis, resolver puzzles e etc. Há também as lareiras espalhadas por vários cantos e servem para salvar seu progresso. O título tem loadings de uma área para outra, cada loading demora em torno de 25 segundos, o que é estranho, pois ele é bem leve.

Sua trilha sonora é constante, está presente a todo momento e consiste em melodias suaves tocadas no piano ou xilofone e outras usam sons ambiente para trazer uma atmosfera mais sombria, principalmente quando estamos mais próximos de enfrentarmos Dr. Smile. Quando enfrentamos os chefes ela fica mais densa para nos deixar tensos. Alguns gritos sinistros são apresentados quando nos deparamos com os homens loucos e também conforme o narrador conta a história durante as cutscenes.

Lindo e tocante, porém curto demais

Neversong tem como principal objetivo nos contar uma história, esta história se trata da perda de alguém. No primeiro frame isto já nos é apresentado com um aviso de ajuda para os que estão passando pelo sentimento de perda, como o luto por exemplo.


O jogo foi desenvolvido graças a uma campanha de financiamento coletivo no Kickstarter e o criador, Thomas Brush, gosta de criar jogos que exploram o tema sobre perda, na época do desenvolvimento o título era chamado de Once Upon a Coma. 

Thomas tem outro título no currículo que aborda o mesmo tema, Pinstripe (Multi) tem como protagonista Teddy que sai em busca de salvar sua filha que foi sequestrada. 

Porém, Neversong nos traz uma outra perspectiva, a de nós acreditarmos na esperança, como a de Peet que é a música. Wren conversa com Peet toda vez que ele consegue mais uma partitura, aí sabemos como é a relação dos dois. Ele vê na música um meio de chegar mais próximo de sua amada.

A primeira partitura que encontramos.
O jogo tem alguns problemas, sendo o principal deles ser curto demais e podendo ser finalizado em torno de 3 horas. Sei que o foco é a narrativa, mas muita coisa ali poderia ser mais explorada. Os puzzles só ficam mais desafiadores pro final, os colecionáveis não são instigantes, em momento algum eu quis parar a narrativa para ir atrás deles, poderiam ter uma função mais interessante do que adicionar uma bandana na testa de Peet.

Outra coisa que me incomodou foi a falta de viagem rápida, achei desnecessário o vai e volta só para ir à casa de Wren tocar o piano. Custava usar as lareiras também como forma de viagem rápida? Facilitaria muito a vida do jogador.

Neversong é lindo e tocante, porém é um jogo linear, a sua principal função é contar uma história triste e emocionar o jogador. É um bom título para os que gostam de apreciar uma boa história de jogabilidade simples e rápida, sem ter que ficar presa a ela por várias horas para chegar ao seu fim, é compreensível também por se tratar de um indie onde o orçamento não é tão grande. 

Sua trilha sonora é fantástica e estou escutando enquanto escrevo esta análise, mas não sinto vontade alguma de jogar ele de novo, só uma vez para mim já basta, pois não existe algo nele que me leve ao fator replay.

Prós

  • História tocante, narrativa simples e personagens carismáticos;
  • Direção de arte e design dos personagens são excepcionais;
  • Trilha sonora marcante.

Contras

  • Puzzles e chefes pouco desafiadores;
  • Colecionáveis pouco instigantes;
  • Falta de viagem rápida torna o jogo não muito dinâmico.
Neversong — PS4/XBO/Switch/PC — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: XBO
Revisão: Emanoelly Rozas
Análise produzida com cópia digital cedida pela Serenity Forge

Poderia estar dando um rolê na Epoch, ou participando do torneio Mortal Kombat, e quem sabe escapando de alguns zumbis, mas estou aqui, feliz por estar escrevendo sobre games.


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