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Análise: Necrobarista (PC) é uma visual novel dinâmica em 3D

Com bom uso da movimentação de câmera e um visual estiloso, Necrobarista é uma experiência interessante dentro do gênero VN.


Desenvolvido pela australiana Route 59, Necrobarista é uma visual novel feita em 3D sobre um café onde os mortos podem passar seus últimos dias na Terra. Lançado para PC e previsto para chegar ao PS4 e ao Switch no ano que vem, o título traz uma experiência bastante dinâmica e instigante.

Entre os planos da existência


Necrobarista se passa em Melbourne, mais especificamente em um café chamado O Terminal. Além de sua atmosfera underground, o lugar serve como um ponto de confluência entre o mundo dos vivos e os mortos. Lá é comum que os mortos tenham um último momento de conforto antes de partir.

Durante um curto período de tempo, o jogador acompanha um pouco da rotina desse café. Antes propriedade de Chay, um experiente necromante que viveu por muitos anos, ele foi passado para a jovem Maddy, que já era a barista do lugar. Outra figura constante é Ashley, uma garota que vive aprontando no lugar com os robôs que ela mesma construiu. Todos os personagens têm seus próprios trejeitos e são bastante carismáticos, o que ajuda o jogador a se sentir envolvido com os eventos.


Além dos personagens e seus relacionamentos, a história também entra em detalhes sobre a natureza do Terminal e as relações entre os planos de existência, além de contar com reviravoltas instigantes. Porém, é importante ressaltar que se trata de uma kinetic novel, ou seja, não há escolhas ao longo do jogo. De fato, o jogador é um observador dos eventos, não encarnando o papel de nenhum dos personagens.

Ao fim de cada capítulo, sete palavras-chave utilizadas ao longo da história podem ser escolhidas. Elas refletem determinados pontos do que aconteceu no capítulo e sua função é abrir textos extras para o jogador. No fim das contas, a ideia não funciona tão bem na prática porque cada palavra-chave é categorizada em um de 12 tópicos e cada texto precisa de três tipos específicos deles para ser aberto.

Para abrir o diário, é necessário três palavras-chave de categorias específicas.

Felizmente, são adicionados pontos para todas as categorias após o fim do jogo, evitando que isso se torne uma trava permanente para o conteúdo. Porém, considerando que esse é praticamente o único elemento de agência do jogador, é uma pena que seja apenas isso.

Os benefícios das três dimensões

Apesar de a história ser bem desenvolvida, o elemento que mais chama a atenção em Necrobarista é claramente o seu visual. Ao contrário do típico do gênero, trata-se de uma obra em 3D. Além de contar com personagens e cenários em três dimensões, o jogo também aproveita bem a escolha com jogadas de câmera que adicionam dinamicidade para as cenas.


Junto com a forte inspiração em anime, a boa utilização do 3D e da trilha sonora composta por Kevin Penkin são elementos fundamentais da atmosfera do jogo. É graças a isso que a obra consegue oferecer uma experiência estilosa e repleta de charme, fortalecida pela história e pela construção dos personagens.

Vale destacar que o jogo conta com textos em português, o que é muito bem-vindo já que é um gênero focado em leitura e é incomum que a opção exista. No entanto, existem vários trechos mal traduzidos, que às vezes não fazem sentido. Por exemplo, em uma cena, é utilizado um termo masculino para se referir a Maddy, que é uma mulher. Erros ortográficos também são comuns, especialmente no uso frequentemente equivocado de crases.

Nesta cena, a tradução erra quem está falando.

Outro problema mais geral é a falta de algumas ferramentas comuns do gênero. Visual novels contam com muito texto, então é normal que o jogador precise de alguma forma de rever o que já foi dito. No jogo, é possível reviver um capítulo desde o início, dar load em um ponto de save ou usar uma opção de rewind, que pode acessar as últimas cinco cenas da história.

A última se assemelha ao tradicional log, mas é muito limitada, fazendo com que o jogador tenha um acesso bem restrito à história. Opções como skip e auto também são comuns para que o jogador possa passar pelos eventos rapidamente. Apesar de não comprometer o jogo, são algumas comodidades que ajudam bastante na navegação de uma visual novel e é uma pena a sua ausência.


De forma geral, Necrobarista é uma jornada estilosa e envolvente por um café em que vivos e mortos coexistem. A experiência é dinâmica graças ao uso de 3D e acessível graças ao uso do português (apesar de seus problemas). Com certeza vale a pena conferir para quem gosta de animações japonesas e tem interesse no gênero.

Prós

  • História instigante;
  • Personagens carismáticos;
  • Visual estiloso que aproveita a dinamicidade do 3D e jogadas de câmera;
  • Trilha sonora excelente e bem utilizada.

Contras

  • Tradução para o português conta com vários problemas;
  • Sistema de palavras-chave apenas restringe o acesso de conteúdo ao jogador;
  • Ausência de skip, auto e log, com uma opção de rewind apenas para as últimas cinco cenas.
Necrobarista — PC — Nota: 8.0
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela Route 59

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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