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Análise: For the King (Multi) — o reino de Fahrul tem jornada para todos aventureiros

Um rpg por turnos pode até ser tradicional, mas For the King mostra que ainda há muito a explorar dessa fórmula.


Olá, viajante! Quase não vejo você entrando em nosso humilde lar. Acredito que a curiosidade sobre as aventuras travadas em nome do Rei lhe trouxe às terras de Fahrul, não é mesmo? Não se preocupe, contarei tudo a você, com o máximo de detalhes. Então, sente-se, fique à vontade e venha entender mais sobre o que For the King traz para os seus habitantes.

O sistema do reino

For the King poderia ser chamado de tradicional jogo turn-based rpg. Só que esse império gosta de pegar as convenções e dar uma temperada nelas, misturando chocolate com pimenta para ver o que vai dar. Para começo de conversa, você pode escolher entre ter uma aventura solo, em que você controla três guerreiros pelas terras do principado, ou, ainda mais divertido, se unir com amigos que tenham objetivos semelhantes ao seu e explorar em grupo o que Fahrul tem a oferecer.

Cada um dos personagens tem um papel a desempenhar de acordo com sua função. São elas:


Blacksmith: é o cara que manja das armaduras, mesmo não sabendo lutar tanto. Quando é atacado, ele resiste a algumas pancadas.
Hunter: é o cara do “um tiro, uma morte”.
Scholar: é tipo uma Hermione Granger: a pessoa que gosta de livros e tenta bater nos outros com a razão.
Minstrel: o famoso bardo. Suas histórias revitalizam a energia do grupo ou diminuem a alegria do inimigo.

Parece pouco, mas acredite, não é. Dentro do título existem algumas classes trancadas e só é possível habilitá-las se você jogar e conseguir pontos, chamados lore. Que nem os jogos antigos, lembram? Em que você destrancava outras mecânicas ou personagens jogando o jogo? Esses pontos adquiridos (lore), você pode trocar por personagens, itens, eventos e até customização de roupa para o grupo ficar mais bonito.

Eu, como gosto de estilo, resolvi abrir umas asas para enfeitar minha personagem.
O jogo funciona com um tabuleiro hexagonal (jogadores de Civilization e semelhantes irão entender o que estou dizendo) que, pode-se dizer, é o “mundo aberto” dos RPGs. Nele, você encontra cidades, constrói tendas para recuperar energia, luta com inimigos aleatórios e participa de eventos! Afinal, você nunca sabe quando pode esbarrar em uma festa carnavalesca no seu mapa. Fahrul é que nem fevereiro no Brasil. Você vira a esquina e tem um bloquinho de carnaval passando.
Os aventureiros de For The King podem encontrar de tudo enquanto cruzam Fahrul
Como dito anteriormente, a batalha é por turnos. Quando o aventureiro cruza o caminho com um inimigo, a tela muda para batalha e cada um tem seu tempo para jogar e montar sua estratégia. E aí entra o momento de usar cada habilidade que seu grupo tem a oferecer. É importante atuar em equipe para entender os inimigos e fazer com que o grupo tenha sinergia para alcançar a vitória.

Por exemplo, é comum encontrar monstros que tenham muita armadura resistente a magia. Então, o melhor é escolher um personagem que dê dano físico e deixar os magos do seu time aprimorarem as habilidades alheias.

Mas não pense que será fácil. Muitas das habilidades precisam ser dominadas por seu usuário para alcançar um bom nível de confiança e tornar sua jogada efetiva. Do contrário, você pode ter azar nos dados e aquele round salvador pode virar o fim de uma linda jornada.

Eu meio que provei isso na pele.
Seu objetivo é vingar a morte do Rei, que foi assassinado. Além disso, o reino está sendo atormentado pelo Chaos — são acontecimentos de maldições aleatórias que ocorrem por toda Fahrul e podem atrapalhar a vida de seus aventureiros. Se o Chaos acontecer três vezes, o mundo será dominado por ele e não há mais nada que possamos fazer para salvar o reino.

Lembrando também que em Fahrul não há muitas formas de contactar o reino além-vida. Por isso, assim como o Chaos, se os três corajosos habitantes perderem a vida em seu destino, o nosso reinado irá acabar.

Mas não se desespere, há muitos moradores que oferecem ajuda e meios para diminuir o Chaos e trazer o equilíbrio para o reinado e também novas oportunidades para quem desbrava as terras. Basta encontrá-los nas cidades e aceitar suas missões para que não chegue a esse nível.

Você pode trocar sua vida por dinheiro, por exemplo.
Para terminar, saiba que cada percalço em Fahrul é único. Sua história, seus personagens, até mesmo a geografia que você encontra, não será a mesma de um amigo. Ou que você encontrará no futuro, caso decida retornar para essas terras. Ou seja, toda vez que você iniciar uma nova história, terá elementos novos, com uma disposição diferente da anterior.

O feudo

Ao chegar nessa cruzada, você irá encontrar uma aventura em uma maquete de arquitetura. Não acredita em mim? Olha como nosso feudo é projetado:
Diz se isso não lembra as maquetes que fazíamos na escola?

E essa forma de cenário dá todo um charme que é, literalmente, encantador. Quando estava visitando Fahrul, eu ficava deslumbrada como essa arte encaixava tão bem nesse jogo.

A música não deixa a desejar. Ela é bem suave e acredito que seja assim para que não atrapalhe as conversas entre jogadores ou até a forma de pensar, porque em muitos dos encontros é preciso parar e refletir junto aos seus amigos para encontrar a melhor solução.

Além disso, ela muda dependendo do cenário em que está. No mundo, você encontra vários terrenos diferentes: deserto, floresta, montanhas e viagens marítimas e aéreas. A música acompanha você pode onde for e se adapta a esses lugares.
Terra, água e ar não são só os elementos do Avatar. Também são os ambientes do jogo
Entretanto, os efeitos sonoros do jogo deixam a desejar e pesa a falta de diálogo. É tudo por texto. E, apesar de ter uma história, ela é rasa. Até as piadas acabam sendo repetidas durante uma sessão, o que faz o jogador se importar pouco com o que está acontecendo e jogar para realmente concluir suas tarefas e ganhar a famosa experiência.

Mas o que importa, e é bem isso que jogo quer passar, é: faça sua própria história. A oportunidade de escolha entre jogar sozinho ou com amigos é a cereja do bolo. Quem gosta desse tipo de jogatina sozinho, vai ter uma experiência boa de um RPG de turnos. Agora, para quem joga de galera, pode até tentar fazer um role play ou partir para a zoeira e ter muita diversão explorando Fahrul.

Novas colônias

Quando você adquire as terras do reinado do jogo For The King, além de explorar todos os cantos que o mundo tem a oferecer, você ganha outros modos para encarar. São eles:

Dungeon Crawl: um modo de achar os geradores de Chaos e explorar as masmorras. Excelente para quem quer aventura mais concentrada em recompensa.

Frost Adventure: explore as terras congeladas de Fahrul enquanto combate não apenas os inimigos, mas também o inverno rigoroso.


Hildebrant’s Cellar: esse é para quem o Dungeon Crawl não foi o suficiente. Você visita à casa de Hildebrant, onde cada andar contém 10 (ISSO MESMO, DEZ) salas de inimigos e no final de cada uma delas, um chefão. Até que andar você consegue chegar e quantos inimigos consegue atravessar? Dica: não é pouco.

Gold Rush: não seria RPG sem um toque de PVP (Jogador contra Jogador), não é mesmo? Esse é o cenário para se travar disputas contra outros jogadores mercenários e quem levar 100 peças de ouro ao Fergus, o Louco, ganha.

Into the Deep: só há uma coisa pior que o Chaos no mundo: a invocação do Chaos em um ser. O Kraken. Nesse modo, você tem que correr contra o tempo antes que invoquem o poderoso monstro no oceano.

Com certeza, o que o reinado de For the King tem muito a oferecer são: modos de jogo. Além de o jogo em si ser randômico, ele te trará várias opções para encarar esse mundo aleatório de acordo com seu gosto. É só escolher a aventura que você está a fim de ter.

Minha experiência

Chegamos ao final dessa conversa, mas devo compartilhar a história que tive. Tive a sorte de poder jogar com amigos e me divertir muito com isso. Não sou muito fã de jogar com pessoas por ter que esperar as atitudes delas (quem nunca), mas como muito das jogadas dependiam das atitudes em grupo, eu não só senti que contribui para o resultado do time, como me importava com o que meus companheiros iriam fazer.

Mas notei que minha jornada não foi nada fácil. Mesmo no nível considerado normal, foi puxado. E tive um encerramento que não foi dos melhores, como já foi dito.
Só em For the King mindflayer pode ser alvejado por flechas e continuar vivão.
Mas o fato da minha jornada não ter sido bem-sucedida não significa que resultou em fracasso. Pelo contrário. Não só eu ri horrores chegando até aqui, como ficou a vontade de explorar esse terreno novamente. Mais forte, mais preparada. Usando o que aprendi na minha experiência anterior para conquistar essa nova aventura.

Espero encontrar vocês em Fahrul, forasteiros e forasteiras. As terras podem não ser impiedosas, mas você sairá delas melhor do que entrou.

Prós

  • Eu que não sou fã de RPG de turnos, achei um jogo EXCELENTE;
  • A arte poligonal fica bem única;
  • Se utilizar do próprio jogo para abrir novos itens e te dar novas expansões de GRAÇA é sempre bom;
  • A porcentagem é justa. Muito raro você ver algo de 90% de chance dar errado.

Contra

  • A dificuldade escala de uma forma muito abrupta;
  • Algumas classes ficam prejudicadas porque o papel que desempenham não ajuda tanto o grupo;
  • A história poderia ser melhor contada. Acho que pelo estilo do jogo, eles podiam apelar mais para a comédia.  
For the King — Switch/XBO/PS4/PC — Nota: 8.5.
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Emanoelly Rozas
Análise produzida com cópia digital adquirida pela própria redatora

Jogadora que gosta de dançar nas horas vagas. Ama gatos, mesmo sendo alérgica a eles. Acha que xinga muito no Twitter, mas só saber da RT de bichinhos. Nas redes sociais é só buscar por @vampirap.


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