Blast from the Past

Resident Evil CODE: Veronica (Multi): o clássico esquecido da saga

Criado inicialmente para ser um spin-off, Resident Evil Code: Veronica se destacou com seu enredo complexo e novas mecânicas, o que o tornou um dos melhores jogos de toda a franquia.

Estamos comemorando 20 anos desde que um jogo da saga Resident Evil fez sua primeira entrada na era 128 Bits, por meio do console da SEGA, o Dreamcast. Resident Evil Code: Veronica foi lançado pela Capcom em 03 de fevereiro de 2000 e completa neste ano duas décadas desde que foi lançado.



Em tempos de jogos refeitos e o iminente lançamento de Resident Evil 3 Remake, é hora de revisitarmos o clássico e incrível game que acabou sendo deixado de lado ou subestimado por muitos, mas que é tão importante para a saga quanto RE2 ou RE3. Muitos questionam a Capcom para que também seja feito um remake do game, mas será que é preciso? Ou RECV deve permanecer um clássico intocável?

Resident Evil Code Veronica é aclamado pela crítica e considerado um dos melhores de toda a saga, com uma trama intrigante e inteligente, jogabilidade clássica como os antecessores, com alguns upgrades, personagens complexos e cativantes e gráficos incríveis para a época.



O jogo é considerado por muitos como o verdadeiro RE3, visto que sua história é uma continuação direta dos eventos de Resident Evil 2. Entretanto, devido a um acordo da Capcom com a Sony de produzir três jogos numerados da série para o Playstation, RE Nemesis foi escolhido pela empresa para ser o terceiro jogo numerado da franquia. Sendo assim, RECV seria de início um spin-off, porém devido ao grande sucesso que fez, uma nova versão do jogo foi lançada, chamada de Resident Evil Code Veronica X (ou Complete no Japão). A edição melhorada contava com novas cenas e um final estendido, fazendo com que o título fosse incluído na trama principal da saga e no cânone.

Em busca do irmão desaparecido

Três meses após os acontecimentos vistos no final de Resident Evil 3 com a destruição de Raccoon City, RE Code: Veronica traz de volta Claire Redfield, que vai para a Europa em busca do seu irmão Chris Redfield, protagonista do primeiro game, que estava desaparecido. Claire invade a sede francesa da Umbrella Corporation procurando por pistas sobre o paradeiro dele e é capturada e levada para a ilha Rockfort Island, onde é mantida presa. É importante ressaltar que é a primeira vez que a trama do jogo é levada para fora de Racoon City e seus arredores, expandindo o universo da franquia e mostrando que a Umbrella Corporation e suas armas biológicas também são uma ameaça em outros países e localidades.



Logo no início do jogo você é libertado pelo personagem Rodrigo Juan Raval, um dos chefes de segurança da Umbrella e o mesmo que capturou Claire. Após um ataque e a liberação do vírus por toda a ilha, ela foge da prisão e seu objetivo então passa a ser descobrir onde está, o que aconteceu com a ilha e tentar escapar dali em meio a vários zumbis e outros monstros. Pouco depois do começo da trama você encontra um personagem até então desconhecido chamado Steve Burnside, parecidíssimo com o ator Leonardo di Caprio na época, e que no início é bastante irritante, mas aos poucos você vai conhecendo um pouco mais sobre o personagem.


Embora a história vá se desenrolando de forma linear, há algumas ótimas reviravoltas. Somos apresentados a personagens novos e interessantes e vemos o retorno de velhos conhecidos. Em pouco tempo você descobre que a ilha isolada é controlada por Alfred Ashford e, à medida que avança no jogo, vai descobrindo mais sobre a família Ashford, uma das fundadoras da própria Umbrella.

O ponto alto do jogo para mim certamente é a presença marcante de Albert Wesker. O grande vilão do primeiro Resident Evil retorna com tudo aqui, muito mais cruel, com força sobre-humana, mais arrogante e com a ótima dublagem de Richard Waugh (na minha opinião o melhor dublador do Wesker) com sua voz trovoada clássica para o personagem, influenciando outros dubladores que vieram depois.


















Aprimorado, porém ainda fiel aos anteriores

Resident Evil Code: Veronica quando foi lançado era de longe o mais bonito da saga, era possível ver as expressões faciais dos personagens e, pela primeira vez na série, os cenários eram construídos com elementos 3D. Por causa disso, a câmera estava mais dinâmica, e em diversos momentos ela acompanha o personagem à medida que ele anda, até chegar ao ponto de precisar trocar de câmera novamente ou mudar de ângulo. Os efeitos de luz e sombra ficaram magníficos: a ambientação e atmosfera era inspirada no estilo terror gótico europeu, com iluminação mais escura, muitas vezes à luz de velas onde as sombras projetadas nas paredes traziam muito mais imersão e ampliavam o fator horror do game.



O jogo segue a premissa básica da série Resident Evil de avançar pelo jogo matando vários monstros pelo caminho e resolver puzzles eventualmente. Há novos inimigos e novas armas. As mecânicas seguem a jogabilidade estilo tanque vista nos anteriores, o que pode afastar jogadores mais novos, porém levemente mais fluidas. Como era de praxe, o título tinha restrições aos moldes do gênero survival horror, como pouca munição e inventário limitado. O jogo conta também com o giro em 180º para trás, como visto em Resident Evil 3.

Vale lembrar que a dificuldade do jogo é bastante elevada. Com exceção dos zumbis, o restante dos monstros é bem difícil de escapar, e a necessidade de poupar munição tornava tudo ainda mais difícil, mas aos poucos você vai pegando o jeito. 



Em Resident Evil Code: Veronica era possível examinar os itens no inventário girando-os para tentar achar outros objetos escondidos. Outra novidade foi o Visual Memory Unit (VMU), acessório exclusivo do Dreamcast, que mostrava o status em seu pequeno visor, como o Life e o rosto do personagem, por exemplo.



Code Veronica pode ser dividido em duas grandes partes, o jogo utilizava dois GDs, e era maior que todos os antecessores da série. Na segunda parte do jogo é possível controlar Claire e seu irmão Chris, inclusive revisitando lugares em momentos e perspectivas diferentes. O jogo introduz também uma mecânica de compartilhamento dos itens entre eles que é essencial para o avanço no jogo, pois, para resolução dos puzzles, um vai precisar contribuir com o outro repassando seus itens.

Vale a pena um remake?

Chegamos então naquele momento onde indagamos se há a necessidade para que um remake desse jogo seja feito.



Há de se admitir que apesar de ser um jogo incrível e muito divertido, Resident Evil Code: Veronica não envelheceu muito bem. Os gráficos e a jogabilidade aparentam ser muito datados, mas em questão de história ele é extremamente importante, mesmo não sendo da série numerada. Seria incrível ver toda aquela ambientação ótima do jogo refeita nos moldes de Resident Evil 2 e 3 Remake, a imersão seria incrível. Então vale sim, a produção de um remake.

Mesmo com esses aspectos, o jogo é definitivamente um dos meus favoritos de toda saga, talvez perdendo o pódio apenas para o Remake do primeiro Resident Evil, lançado inicialmente como um exclusivo de Gamecube em 2002. Fiquei extasiado com os lindos gráficos na época, de poder jogar com Claire novamente, com o enredo, a trilha sonora maravilhosa, a possibilidade de jogar com Chris Redfield também e com a presença do meu vilão favorito de todos os tempos dos games, Albert Wesker.

Revisão: Farley Santos

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.


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