Blast Test

Resident Evil 3 Remake (Multi): o que achamos da demo do próximo lançamento da Capcom

A atmosfera sombria e cheia de suspense de seu antecessor dá lugar para um ritmo mais veloz e repleto de tensão.



Resident Evil é incontestavelmente uma das séries mais influentes e marcantes do mundo dos jogos. Embora a franquia tenha perdido o rumo e desagradado parte dos fãs, um novo fôlego vem sendo dado por meio dos remakes tão solicitados pelo público. Em 2019, revisitamos a delegacia de Raccoon City e revivemos a estreia de Leon Kennedy e Claire Redfield em uma jornada repleta de mistério e conspirações tramadas pela Umbrella.

Agora é hora de levarmos a luta pela sobrevivência às ruas da cidade e reencontrar Jill Valentine e os membros da U.B.C.S. em Resident Evil 3 Remake. Enquanto o lançamento do título não chega, a Capcom liberou no dia 19 de março uma demo batizada de Resident Evil 3: Raccoon City Demo, contendo um trecho da gameplay mostrada cerca de duas semanas atrás. Fizemos questão de jogá-la repetidas vezes e explorar cada aspecto disponível. Veja o resultado a seguir.

Aliados improváveis

A demo tem início com Jill entrando no refúgio improvisado feito pelos mercenários da U.B.C.S. (Umbrella Biohazard Countermeasure Service), aqui representados pelo ferido Capitão Mikhail Victor e o soldado Carlos Oliveira, dentro de um metrô abandonado. Logo de cara sentimos o clima tenso entre nossa protagonista e os dois mercenários, por serem agentes da organização responsável pelo caos estabelecido. Alfinetadas à parte, a maturidade de Mikhail consegue convencer de que a situação atual não era sobre a bandeira de uma corporação, mas sim a sobrevivência de inocentes.



Além da notável melhora nas questões gráficas, fica evidente o capricho dos desenvolvedores em trabalhar mais a participação de cada membro. Mesmo se tratando de uma versão reduzida para teste, é reconfortante ver personagens que antes tinham uma participação mal aproveitada mostrarem muita personalidade no curto período disponível. O veterano Mikhail esbanja seu sotaque russo e se mostra a voz da razão do grupo, enquanto o novo visual de Carlos passa um ar mais sério. Entretanto, basta ele abrir a boca, principalmente com Jill, para soltar suas piadas infames.



Se na versão original de 1999 Jill já deixava clara uma evolução em sua personalidade, no remake é evidente que a mudança está ainda mais acentuada. A ex-membra do S.T.A.R.S. (Special Tactical and Rescue Service) demonstra muito mais atitude. É inevitável sua surpresa frente ao terror causado pela epidemia, mas em momento algum nos trailers ou na demo a vemos relutante ou receosa da situação.

Tudo pelos sobreviventes

A fim de garantir a fuga dos civis resgatados, Jill é requisitada a religar a energia da rede metroviária, podendo assim remover os bloqueios de segurança nos trilhos. Logo de cara nos deparamos com o caos nas ruas de Raccoon City ao encontrar cidadãos em fuga tomados pelo medo. Apesar de ser o único momento em que encontramos essa interação em ambiente externo, acredito que esse será o tom que a Capcom pretende passar durante a campanha: uma cidade tomada por uma epidemia recente, deixando toda a população desesperada e abandonada.

Até chegar em nosso destino, passaremos por ruas largas, vielas apertadas e estabelecimentos abandonados. A única coisa comum entre eles é a destruição ocasionada pelo vírus e a infestação dos mortos-vivos. É interessante ter essa dinâmica de localidades e observar o impacto que uma crise desse tipo é capaz de causar em uma grande metrópole.

Tiro, facada e esquiva!

A estrutura do menu, câmera e movimentação permanece conforme o que vimos em Resident Evil 2. A grande adição na mecânica de jogo fica por conta da esquiva presente na terceira edição para incrementar ainda mais o ritmo de ação proposto pelos desenvolvedores. A novidade aqui é que realizar a manobra, no tempo exato antes de ser atingido, garante um rolamento perfeito, deixando os infectados em câmera lenta e expostos. Nesse momento, é possível atingir vários tiros de forma segura. Caso esteja armada com a faca, Jill investe contra o alvo que a tentou atacar, acertando-o com um corte ascendente. Por sinal, o objeto de corte em Resident Evil 3 Remake volta a ser indestrutível.



Pegar a prática desse movimento requer muitas tentativas já que a movimentação dos zumbis não segue um padrão exato. Não tente abusar da técnica, pois repeti-la seguidamente deixará Jill esgotada, tornando-se um alvo fácil. Quando o assunto é o Nemesis, a conversa muda um pouco de tom. Seu repertório de ataques é bem diversificado, mas muita cautela e uma bela estudada em seus golpes nos permitem antecipar suas ações de forma segura. Por falar no nosso Tyrant favorito, ele surge no cenário após pegarmos um item chave para o objetivo e vai fazer de tudo para eliminar seu alvo.



Logo de cara, ele demonstra sua nova habilidade. Nemesis é capaz de contaminar os zumbis por meio de seus flagelos, transformando-os em criaturas que lembram os Ganados com tentáculos na cabeça. Eles são capazes de atacar à distância e, se nos aproximarmos de forma impensada, dá brecha para que eles mordam a cabeça inteira de Jill. Criar seu exército pessoal de infectados não é o bastante e Nemesis também irá persegui-lo por todo o mapa. Apesar de não vir armado na versão de teste, seus golpes têm um grande raio de alcance e causam muito dano em Jill. Sua velocidade é espantosa, permitindo-o nos alcançar rapidamente. Se isso não bastar, ele ainda pode realizar grandes saltos para bloquear nosso caminho e ainda nos puxar com seus tentáculos.



Seu estrondoso grito nos deixa atordoados e abertos para um ataque. Felizmente, a demo te fornece munição suficiente para dar cabo dos infectados e brincar um pouco com o gigante perseguidor, mas não tente eliminá-lo. Nemesis está mais para seu antecessor, Mr. X, do que sua versão no jogo original onde era possível matá-lo e ainda ser recompensado com um item especial. Somos capazes de incapacitá-lo momentaneamente, mas fique certo de que ele irá se regenerar e voltar. Acreditem, não foi por falta de tentativas. O máximo que consegui fazer foi destroçar parte de seus dois braços, o que não diminuiu em nada seu ímpeto de acabar comigo.

Machucou, Nemesis? É, acho que não...


E não se engane se ele sumir repentinamente, pois quando menos você esperar ele vai saltar do alto de um prédio ou aparecer correndo de forma intensa de alguma viela (o que é muito mais apavorante). A única coisa que nos ajuda a identificar esses momentos é a mudança na música de fundo, que passa a ter um ritmo mais tenso. Pessoalmente, adorei a nova versão feita para o remake. Jogar a demo repetidas vezes me deixou mais confortável para enfrentar o Nemesis, mas estou certo de que essa será apenas uma das muitas formas e aparições do Tyrant… Que a magnum nos proteja!

Referências, nós amamos referências

A Capcom tratou de lotar os cenários com os famosos easter eggs, curiosidades que fazem referências a detalhes da própria série ou de outros jogos famosos. Eles estão dispostos essencialmente na forma de cartazes espalhados na estação de metrô e nas lojas.

Pôster do Mega Man

A franquia do famoso Blue Bomber é muito querida pelos fãs e, mesmo sem receber novas sequências, tem um apelo muito grande. Logo na saída do vagão de metrô, encontramos diversos cartazes fixados nas paredes. Um deles mostra o que seria uma adaptação cinematográfica mostrando o Dr. Light e o Dr. Willy, antigos parceiros que foram transformados em rivais graças à mente malígna de Willy. Seria uma simples homenagem ou talvez o prenúncio de alguma novidade?


1942

Seguindo as propagandas, vemos outro anúncio que remete ao filme Top Gun e a um dos primeiros jogos da Capcom para o arcade: 1942. O jogo de nave nos colocava como pilotos de aeronave na guerra do Pacífico em plena Segunda Guerra Mundial. O esquema de percorrer o trajeto em linha vertical, desviando dos projéteis e abatendo outras aeronaves, ficou muito popular nos anos 80-90.



Pet shop do Eagle

Ao se aventurar pela cidade, podemos nos deparar com um letreiro luminoso indicando uma pet shop batizada com o nome de um dos lutadores que integravam a primeira edição de Street Fighter. O desenho do personagem deixa clara a referência pela camisa branca com suspensórios, o cabelo loiro e o vistoso bigode do competidor que usava dois bastões durante as lutas.



Mega Man original

Logo na saída da base improvisada da U.B.C.S, encontramos a chamativa loja do Mr. Uncle, que, por sinal, seu mascote é o bonequinho espalhado pelo jogo e que deve ser destruído para uma possível liberação de conteúdos extras. Ao se aproximar do estabelecimento, nos deparamos com uma série de propagandas de um boneco da primeira arte utilizada para o Mega Man nas capas de seu jogo. É a segunda referência ao nosso robô azul e eu realmente espero que isso signifique novidades a caminho.



Disaster!

Ainda na onda das propagandas de cinema na estação de metrô, uma delas mostra um thriller em que a arte tem uma construção muito peculiar que lembra uma das artes de capa de Resident Evil 6. Embora não tenha sido confirmado, a semelhança é notória e o fato do nome do filme se chamar Disaster comprova ainda mais a intenção dos desenvolvedores, dado o fracasso nas vendas e críticas negativas.



Jogando no fácil

Ao morrer durante a demo, temos a opção de diminuir a dificuldade do jogo, deixando inimigos mais fracos. Além desse facilitador, é acrescentado um assistente na mira, regeneração automática da vida quando em níveis críticos, maior espaço no inventário, uma quantidade de munição extra ao combinar pólvoras e a adição de um rifle igual ao usado por Carlos. O curioso é que na versão original, ao iniciarmos no modo fácil, Jill começava a campanha portando o mesmo armamento no lugar da clássica pistola das demais dificuldades.



Que venha o mês de abril!

A demo traz uma experiência agradável, sem problemas de desempenho e, melhor de tudo, sem o limitador de tempo usado em Resident Evil 2, permitindo uma exploração minuciosa. São evidentes algumas imperfeições gráficas, principalmente nos cenários, mas que certamente não irão refletir o resultado do produto final. Poder explorar áreas diversificadas e rever personagens queridos da série me leva a crer que esse título caminha no rumo certo para atender às expectativas do público.



Para aqueles que gostam de edições de colecionador, a Capcom tratou de produzir uma edição especial nos moldes do segundo remake e que conta com uma bela estátua de Jill Valentine, um livro de artes, mapa de Raccoon City, trilha sonora em CDs e uma caixa especial que replica a aparência dos baús onde guardamos nossos itens. Na versão digital, aqueles que fizerem a compra no período de pré-venda, garantem os trajes clássicos de Jill e Carlos.

Resident Evil 3 Remake tem lançamento marcado para o dia 3 de abril e contará com versões para PlayStation 4, Xbox One e PC.

  Revisão: Ives Boitano


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