As maiores rivalidades em lançamentos de consoles - Parte 2: A Chegada dos Vetores

Os novos gráficos, a entrada dos CD-Roms como mídias de jogos e a entrada da Sony como desenvolvedora de jogos alterou para sempre o mercado dos games.


A segunda parte da série “As maiores rivalidades em lançamentos de consoles” vai contar a história da geração que deixou a pixel art de lado para a entrada dos polígonos. Essa história se inicia no final da geração passada em que Nintendo e Sega travaram uma guerra nos 16 bits. Durante a disputa por novos jogadores, a Sega investiu pesado em lançar periféricos para aumentar o poder do Mega Drive para fazer frente ao Super Nintendo, e com isso um novo paradigma de jogos chegou aos consoles domésticos. Contudo, nenhuma das duas empresas protagonizaram as maiores mudanças no cenário dos games, mas sim um novo rival de peso.


Um novo competidor aparece

No meio da década de 1990, a Sega já tinha um amplo acervo de arcades cujos os gráficos eram gerados a partir de polígonos. Esses gráficos eram gerados a partir da placa AM2, que estava por trás de jogos como Virtua Fighter, Virtua Racing e Daytona USA. Com o conhecimento adquirido nos arcades, a empresa transferiu a tecnologia aos periféricos Sega CD e 32X. Assim, ainda durante a era dos 16 bits, os jogadores já puderam ter um gostinho do que eram os polígonos rodando em TVs caseiras.

Com essa nova tecnologia despontando no mundo dos games, começa a história do que conhecemos hoje como a marca PlayStation. Originalmente, a Sony estava desenvolvendo um periférico, similar ao Sega CD, para o Super Nintendo em parceria com a Nintendo.  O periférico, que se chamaria PlayStation, transformaria o SNES em um console 32 bits.


A jogada de mestre da Sony


Em entrevista, o ex-executivo da Sony Phil Harris afirmou que problemas relacionados aos royalties foi o que findou a parceria das empresas. Logo após o rompimento do acordo, a Sony designou uma equipe para produzir um console completo, uma vez que ele era apenas um periférico para o SNES. Assim surgiu o PlayStation, que tinha como destaques um grande acervo de jogos e parceria com desenvolvedores third party devido à facilidade de desenvolvimento, o baixo custo e mais espaço de armazenamento. O primeiro console da Sony conseguiu desbancar a Nintendo do primeiro posto e colocar a Sega em uma situação bem delicada no desenvolvimento de consoles.

Após quebra da parceria entre Sony e Nintendo, a criadora do Mario decidiu apostar naquilo que já conhecia muito bem: cartuchos. Essa decisão trouxe algumas implicações para o sucessor do Super Nintendo e consequentemente para o mercado num todo. O investimento inicial da Sega e posterior da Sony em CD-Roms para rodar os jogos alterou o perfil de desenvolvimento das empresas e de consumo, fazendo com que a Nintendo ficasse para trás na chegada das novas mídias.



Os 64 bits da Nintendo


Lançado em 23 de junho de 1996 no Japão e em 29 de setembro do mesmo ano nos EUA e Brasil, o Nintendo 64 nascia com a proposta de ser o primeiro videogame de 64 bits. Além do nome do console fazer alusão ao seu poder, o primeiro jogo lançado, Super Mario 64, viria com a intenção de mostrar que o console da Nintendo era o mais poderoso da geração. 

Apesar disso, o Nintendo 64 não se tornou o vencedor da geração por uma série de razões.Dificuldade de desenvolvimento, falta de jogos third party, valor de jogos e console foram alguns dos motivos que fizeram com que a Sony tomasse a frente da disputa. O Playstation conseguiu construir uma biblioteca de jogos mais diversificada e por um valor mais acessível. 

O Nintendo 64 foi pioneiro em vários aspectos que geraram mudanças significativas no desenvolvimento de jogos. O uso de uma alavanca analógica no controle foi popularizada no console da Nintendo. Super Mario 64 também mudou como como os jogos com mascotes de empresas seriam encarados, e ele introduziu um novo gênero focado em exploração livre em três dimensões. Sendo assim, mesmo o Nintendo 64 não tendo sido o sucesso de vendas que a Nintendo esperava, ele foi muito significativo e importante para o mercado.














A promessa da Sega que não vingou


Na outra ponta da disputa, a Sega tinha todos os elementos para ser um concorrente de peso nessa disputa, contudo uma série de erros fizeram com que a empresa iniciasse a sua derrocada no mercado de hardware. O investimento pesado em periféricos para o Mega Drive com o Sega CD e o 32X fizeram com que a companhia perdesse tempo para desenvolver um novo console. 

A Sega criou uma guerra interna por desenvolver ao mesmo tempo Sega CD e 32X pela Sega America, e o novo console, o Sega Saturn, pela sede do Japão. Essa divisão criou uma confusão dentro da empresa, fazendo com que ela corresse contra o tempo para lançar o console juntamente com o PlayStation. Com esforços divididos, a empresa não conseguiu focar no desenvolvimento de um único dispositivo.

Com os rumores de que a Sony estava desenvolvendo um console com foco em jogos 3D, a Sega correu para mudar o perfil do Saturn, que rodaria somente jogos 2D. Para isso, o console foi desenvolvido com oito processadores diferentes o que aumentou o custo e fez com que o desenvolvimento de jogos ficasse muito difícil.

A pouca oferta de jogos aliada à forte concorrência fez com que o Saturn vendesse menos que o esperado. Apenas três jogos estavam disponíveis em seu lançamento: Virtua Fighter, Clockwork Knight e Daytona USA, todos jogos da própria Sega. Durante sua curta vida, uma vez que o console foi descontinuado em 1998 por baixas vendas, o Saturn nunca teve um grande catálogo de jogos third party

Por fim, a Sega nunca conseguiu lançar um jogo do Sonic que fizesse juz aos 32 bits do console, o que pode ter frustrado muitos fãs da empresa. Aliado a isso, está o lançamento do Nintendo 64 em 1996, que prejudicou consideravelmente as vendas do Saturn. Apesar da Sega ter conhecimento e experiência em jogos 3D de arcade, CD-Roms e novas tecnologias, suas decisões ceifaram o seu sucesso nessa geração.

Unidades vendidas:

Playstation: 102,4 milhões
Nintendo 64: 32,93 milhões
Sega Saturn: 9,26 milhões

Com a morte prematura do Saturn, a Sega começou os movimentos para o lançamento de um novo console. Ela sairia dos 32 para os 128 bits, e a Sony viria em seguida para emplacar o console mais vendido de todos os tempos. A Nintendo, por sua vez, não estava em um bom momento, mas conseguiu segurar as pontas com um novo console. Porém, essa é uma história para outra matéria. Não perca o próximo capítulo da série “As maiores rivalidades em lançamentos de consoles” aqui no GameBlast

Referências:

  • VIDEO Game History - Timeline & Facts. History.com, 2017. Disponível em: <https://bit.ly/2REW1K8>. Acesso em: 23 de jan. de 2020
  • THE Evolution of Playstation Consoles.Gamespot.com, 2016. Disponível em: <http://bit.ly/2unPbAX>. Acesso em: 05 de fev. de 2020
  • EX-SONY Exec Explains Why The Failed Nintendo/Sony Project Was Great For The Industry. Robert Barnett, 2019. Disponível em:<http://bit.ly/2SkF5ZR>. Acesso em: 05 de fev. de 2020
  • SEGA Saturn - Game Console. Computinghistory.org.uk. Disponível em <http://bit.ly/381AF0D>. Acesso em: 05 de fev. de 2020

Revisão: Farley Santos

Jornalista amante de games campanha com uma boa história e saudosista dos 16bits (especialmente da Sega). Curte uma jogatina degustando um bom achocolatado!
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