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Análise: Code Shifter (Multi) te coloca no papel de uma programadora em uma aventura morna

Ajude Stella a combater um bug que está atrapalhando sua empresa… como se ela já não tivesse tarefas demais para fazer.

Caros leitores, confessem: todos nós já nos imaginamos desenvolvendo um jogo. Independentemente do gênero, seria muito legal participar da criação de personagens, cenários, enredos e tudo mais que compõe o universo de um game. Em Code Shifter (Multi), podemos ter um gostinho de como seria trabalhar em uma desenvolvedora com prazos curtos em um platformer criativo, mas que consegue perder a atenção do jogador facilmente.

Vida de programador

Stella é uma das programadoras da Awesome Rainbow Corp, uma grande desenvolvedora de jogos. Seu próximo título está para ser lançado, mas parece que um bug apareceu do nada e começou a causar estranhas alterações no código fonte do jogo. Para resolver este problema, a garota desenvolveu um debug chamado Code Shifter, em que usa um avatar chamado Sera para aniquilar os intrusos malfeitores.

Além das fases estilo plataforma, o jogo te possibilita andar pelo escritório da desenvolvedora. A jovem pode se deslocar pelo lugar e interagir com outros personagens e itens do local. Aqui já encontramos um pequeno problema, pois a movimentação dela é um tanto quanto estranha. Por ela se mexer em um eixo diagonal, algumas vezes ela trava ou vai para onde não queremos, mas nada muito grave, já que o espaço em questão é pequeno.

Debug de mil faces

Stella controla Sera pelo seu computador através das pastas dos seus colegas de trabalho, que funcionam como uma seleção de fases. Cada uma conta com cinco estágios normais e três extras, o que totaliza 40 cenários. Sempre é necessário jogar uma fase para liberar a seguinte e assim por diante.

Os estágios contam com inimigos e resquícios do bug que precisam ser eliminados. A conclusão de cada uma rende uma graduação de C a S, e em caso de nota máxima, ganhamos um item para maximizar um atributo, como velocidade, força ou defesa. Ao final da quinta fase, enfrenta-se um chefe, que tem aparência semelhante aos colegas de Stella. Quando esse chefe é derrotado, libera-se um novo poder especial para o avatar, nos moldes de Mega Man.

Sera pode, e em alguns casos precisa, se transformar em heróis com habilidades distintas. É aí que está uma grande sacada da Arc System Works, desenvolvedora do jogo. Todos os personagens disponíveis para transformação são de franquias suas, como as famosas Guilty Gear, BlazBlue e River City. Ao assumir a forma do herói, seu tema automaticamente começa a tocar, e caso o jogador opte por se transformar de volta, a música normal retorna. Cada um deles foi trabalhado com um visual 8-bit, o que passa a impressão de arquivos usados como uma espécie de antivírus. Além das habilidades de combate, alguns possuem funcionalidades distintas, como pulos longos, usar fogo para derreter paredes de gelo, ativar plataformas através de eletricidade ou se esgueirar por espaços apertados.

Ao todo são cerca de 100 heróis disponíveis, sendo 30 principais e outros 70 que podem ser usados como assistentes. Porém, essa diversidade também traz um pequeno vacilo. Apesar dos nomes conhecidos de Sol Badguy, Ky Kiske, Noel Vermillion e Ragna The Bloodedge, existem muitos outros personagens que além de desconhecidos do público, principalmente o ocidental, não ficam fáceis de reconhecer com o estilo retrô. Com uma quantidade tão grande de personalidades, uma galeria para reconhecer os diversos rostos viria muito a calhar. Esse tipo de modo é praticamente mandatório para qualquer título que queira reunir muitos nomes de lugares tão diferentes.

Outro ponto contra é que ao contrário das transformações, que se movem de maneira rápida e atacam com precisão, Sera é um pouco lenta e seus combos parecem que são feitos por uma heroína sonolenta. Partindo do ponto que ela é usada na maior parte das fases, por ter pulo duplo e poder atacar com combos, não seria nada mal se ela fosse um pouco mais ágil e precisa em seus ataques.

Uma lutinha para relaxar

Assim como toda empresa que visa o bem estar do funcionário, a Amazing Rainbow Corp tem um espaço no seu escritório com alguns consoles para que seus funcionários possam aliviar um pouco do estresse. É nesse canto que pode se jogar Colorful Fighters, um dos maiores sucessos do estúdio, que nada mais é do que um minigame em que podemos escolher entre 30 heróis para entrar numa arena no melhor estilo Super Smash Bros., todo em 8-bit. Até quatro jogadores podem entrar na arena para se digladiar. 

Pode ser um aditivo simples e de mecânica bem básica, mas diverte bastante após conseguir todos os lutadores. Para liberá-los, é necessário confrontar cada um deles nos portais especiais das fases extras.

Em cima do deadline

Code Shifter é interessante e traz elementos bacanas, mas seu plano principal poderia ser melhor trabalhado. Usar Sera não é tão legal quanto as diversas transformações possíveis, e sua movimentação meio lerda nos faz ficar ansiosos em achar logo algum herói pelo caminho. O visual colorido é bacana e utilizar diversas trilhas sonoras foi muito bem explorado, mas os seus pequenos defeitos realmente fazem parecer que ele foi finalizado em cima do prazo de entrega.

Prós

  • Enorme diversidade de personagens das séries da Arc System Works;
  • Utilizar as diversas trilhas sonoras aumenta a satisfação em se transformar no seu herói favorito;
  • Utilização de visual 8-bit é bem explorada como elemento da história do jogo;
  • Grande diversidade de fases, com chefes criativos;
  • Minigame de luta divertido, simples e com suporte para quatro jogadores locais.

Contras

  • Ausência de um Modo Galeria;
  • Movimentação de Stella pelo escritório é travada e não corresponde sempre que acionada;
  • Movimentação de Sera é lenta e nada empolgante.
Code Shifter — PC/PS4/Switch/XBO — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Arc System Works

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.


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