As maiores rivalidades em lançamentos de consoles — Parte 1: A Guerra dos Pixels

As primeiras disputas entre consoles foi no momento em que os jogos ainda eram desenvolvidos exclusivamente em pixel art e duas empresas destacaram-se nesta guerra: Nintendo e Sega.


O ano de 2020 será mais um daqueles que entrarão para a história com o lançamento de uma nova geração de consoles de videogames. Foram diversas ocasiões em que isso aconteceu desde a era dos 8 e 16 bits com a rivalidade entre Nintendo e Sega e, na geração 32 bits, com a entrada de um rival de peso, a Sony. Por fim, a dona do Windows, Microsoft, que entrou na jogada e se estabeleceu como uma das grandes do setor de games. Em uma série de matérias aqui no GameBlast, serão lembrados os maiores e mais conhecidos embates que aconteceram nas últimas décadas.


Nesta série, você irá conferir as grandes rivalidades de lançamento dos consoles, com suas especificações, rumores, estratégias de marketing e o fim da geração. Serão lembrados os lançamentos de consoles de mesa, portanto aqui não serão abordados PCs e dispositivos móveis como consoles portáteis e smartphones.

Para a primeira matéria, teremos a “Guerra dos Pixels”, em que Sega e Nintendo protagonizaram nos 8 e 16 bits. A disputa das duas empresas forrou o terreno para chegada de consoles mais poderosos e novos investidores nos jogos eletrônicos.

Não foram somente Nintendo, Sega, Sony e Microsoft que produziram consoles e games, contudo foram elas que protagonizaram as maiores rivalidades e que geraram mudanças no mercado. Outras empresas também fizeram parte do mercado dos games com hardwares relevantes como é o caso da Atari. A empresa popularizou os jogos eletrônicos domésticos no final da década de 70 e de lá para cá os videogames evoluíram muito.

O cenário em que o Atari 2600 foi lançado era bem diferente do atual e da era dos 8 e 16 bits, pois não havia concorrentes de peso para o console. A empresa conseguiu emplacar seu hardware sem ter que se preocupar com um rival que estivesse tentando conquistar novos jogadores. Desta forma, não é possível estabelecer uma rivalidade de lançamento em 1977, quando o console foi lançado.


A batalha dos 8 bits: NES vs. Master System

Essa disputa iniciou-se em 1983 no Japão quando a Nintendo lançou o Nintendo Family Computer, Famicom como ficou conhecido por lá. O lançamento da Nintendo fez com que o mercado de games domésticos se recuperasse da crise de 83, quando várias empresas de games faliram por conta do desinteresse do público. Isso aconteceu por uma série de fatores, dos quais se destacam a falta de qualidade dos jogos lançados e a saturação do mercado por conta do monopólio do Atari 2600.

A crise de 83 foi tão forte que dois termos se tornaram proibidos para quem se aventurasse em investir em jogos eletrônicos: computador e videogame. Por esta razão, a Nintendo adotou uma estratégia diferente ao lançar o Famicom nos Estados Unidos. Uma mudança de nome era necessária mas não o suficiente para determinar o sucesso do console.

Dois anos mais tarde, em 1985, a Nintendo lança no mercado americano o Famicom reformulado. Ele passa a se chamar Nintendo Entertainment System, ou NES como ficou mais conhecido, e foi o primeiro videogame a receber jogos third party, ou seja de outras produtoras que não fossem a própria Nintendo. Assim, a dinâmica do mercado ficou mais parecida com o que se vê hoje em dia, onde há jogos exclusivos e aqueles produzidos por outras empresas. Além disto, foi lançada uma pistola juntamente com o console para mostrar que era um produto totalmente diferente.

Apesar do pioneirismo da Nintendo em fazer um console tão diferente do que havia até então, ela não estava sozinha nesta empreitada, pois uma outra empresa japonesa, a Sega também quis entrar na briga. Porém, o seu caminho não foi tão simples quanto o da concorrente.


A Sega já tinha dois consoles no mercado que vendiam razoavelmente bem: o SG-1000 e o SG-1000 II. Porém, a chegada do computador MSX, que também rodava jogos, e do Famicom no Japão fizeram com que a Sega perdesse terreno por lá. Assim a empresa precisava lançar um novo produto para fazer frente ao novo cenário que se apresentava. Sega Mark III foi lançado em 1985 na Ásia de onde jamais saiu, pois as vendas foram muito abaixo do esperado pela Sega.

A Sega não conseguiu emplacar o Mark III no Japão e tentou lançar o console nos EUA em 1987. Com isto, a Sega adotou a mesma estratégia da Nintendo com uma mudança de nome, passando a chamá-lo Master System e melhorando o hardware. Infelizmente o console também não figurou bem no mercado americano, uma vez que a Nintendo tinha melhores contratos third party e uma base instalada muito grande.

O NES detinha 90% do mercado e a Sega brigava pelo restante com o Atari 7800. O Master System ficou conhecido pela qualidade do seu hardware e as versões de seus jogos de arcade. No Brasil, a parceria firmada com a Tectoy faz com que o Master System seja comercializado até hoje em diferentes versões e formatos. Com isto a Sega se viu pronta para entrar em uma disputa ainda maior com a Nintendo na era dos 16 bits.

Unidades vendidas:

  • NES: 61,91 milhões
  • Master System: 2 milhões


Era dos 16 bits: O Confronto

Após a Nintendo ter levado a melhor na era dos 8 bits deixando Atari e Sega para trás, este novo embate não seria tão simples quanto o anterior. A Atari já vinha em uma derrocada, portanto não apresentava tanta ameaça à homogeneidade da dona do Mario Bros. Contudo, a Sega tinha sentido um pouco do gosto de estar na disputa e aqui se inicia um confronto direto entre as duas empresas.

Desta vez a Sega saiu na frente lançando o Mega Drive em 1988 no Japão. Ele já vinha sendo desenvolvido quando o Master System foi lançado sob o nome de Mark V. Com várias mudanças de especificações de hardware, como o uso inicial de um chip de 8 bits, o Mega Drive foi lançado com a intenção de rodar jogos arcade. Contudo, mais uma vez a Sega teve problemas em emplacar o console na sua terra natal.

O NES ainda figurava como o console mais vendido e o lançamento do computador MSX2 16 bits tirou muito da atenção ao console da Sega. A SNK com o seu Neo Geo também complicou as vendas do Mega Drive fazendo com que ele ficasse apenas com a terceira colocação em vendas no Japão. A empresa nunca revelou quantos consoles foram vendidos por lá mas estima-se algo em torno de 3 milhões de unidades, bem abaixo dos concorrentes.


A Nintendo lançou em 1991 o Super Famicom no Japão, fazendo alusão ao nome do console anterior. A especificação técnica do console foi considerada de difícil programação pelas empresas third party, mas os jogos exclusivos e a fama da empresa no Japão fizeram com que o console fosse um sucesso por lá. Ele teve um bom desempenho e ao final de sua trajetória vendeu 17,17 milhões de unidades no país.

Nos Estados Unidos a história foi bem diferente, por vezes pendendo mais para a Sega do que para a Nintendo. Lançado em 1989, o Mega Drive teve que mudar seu nome em solo americano por já existir um aparelho que utilizava o mesmo nome. O Sega Genesis, como foi batizado nos EUA, tomou a dianteira no país e apresentou versões de jogos de arcade e uma publicidade bem agressiva. Todos estes fatores fizeram com que o console se tornasse um sucesso por lá. No mesmo ano a Sega já havia vendido por volta de 500.000 unidades.

Em 1991, o Super Nintendo foi lançado no mercado americano com a intenção de vender mais que o Genesis. Entretanto, a publicidade agressiva da Sega alegando que seu console era mais jovem e bacana e o lançamento do primeiro jogo do Sonic fizeram com que a Nintendo não alcançasse tão cedo o seu objetivo. O visual do Super Nintendo também não era tão atraente quanto o do Genesis com seu logo impresso em dourado em letras bem grandes.

Apesar desta vantagem da Sega, não demorou para que o Super Nintendo vendesse mais unidades que o concorrente. A Sega lançou diversas versões de seu console, o Sega CD e 32X, reduzindo o valor do console para fazer frente à Nintendo. Esta estratégia funcionou bem, fazendo com que este fosse um confronto direto em que ambas as empresas usassem a publicidade para atacar a concorrência.

Unidades vendidas:

  • Super NES: 49,1 milhões
  • Mega Drive: 30,75 milhões


O final deste embate provavelmente foi o que permitiu a entrada de um novo competidor na geração seguinte. Porém esta é uma história para um outro momento. Não perca a segunda parte da série, “A chegada dos vetores”.

Referências:

  • VIDEO Game History - Timeline & Facts. History.com, 2017. Disponível em: <https://bit.ly/2REW1K8>. Acesso em: 23 de jan. de 2020
  • GOLDEN Age of Video Games, The: The Birth of a Multibillion Dollar Industry. Roberto Dillon, 2016. Disponível em: <https://bit.ly/37mIvkT>. Acesso em: 23 de jan. de 2020.
  • HISTORY of the Sega Mega Drive. Sega Retro, 2016. Disponível em: <https://bit.ly/2TRhxy7>. Acesso em: 23 de jan. de 2020.
  • SUPER Nintendo Entertainment System - Game Console. Computing History. Disponível em: <https://bit.ly/2GgWvkj>. Acesso em: 23 de jan. de 2020.


Revisão: Thiago Monte

Jornalista amante de games campanha com uma boa história e saudosista dos 16bits (especialmente da Sega). Curte uma jogatina degustando um bom achocolatado!
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