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Análise: EarthNight (Multi) é uma mistura curiosa e viciante de roguelike e runner

Exterminar dragões e arrancar seus dentes nunca foi tão divertido.

Dragões são criaturas fantásticas, poderosas e destrutivas, admiradas por muitos. Porém, se eles decidem que querem dominar o planeta e destruir todos que se oporem, quem se arriscaria a enfrentá-los? A premissa de EarthNight (Multi) é justamente esta, colocando o jogador no controle de Sydney e Stanley, que não vão deixar essas enormes criaturas quilométricas acabarem com o nosso querido mundinho azul.

O que vem de cima atinge sim!

Os nossos protagonistas são as únicas pessoas que não pretendem entregar a Terra de mãos beijadas para essas criaturas enormes. Então, buscaram isolamento no espaço e, com ajuda de um estranho cientista, é do alto que eles planejam sua investida contra os dragões. Para exterminá-los, a dupla deve percorrer todo o seu corpo em direção à cabeça e acertar golpes até que a vida deles se esgote.

A corrida é automática, cabendo ao jogador a decisão apenas de escolher o melhor momento para saltar nas diversas plataformas que aparecem pelo caminho ou na cabeça dos pequenos inimigos que aparecem para atrapalhar. Enquanto Stanley pode usar uma espada, Sydney confia em uma estranha energia que habita seu corpo e se manifesta em seu braço na hora de apunhalar os gigantes. Esse é o andamento básico do jogo.

EarthNight conta com diferentes camadas espaciais, cada uma com diferentes tipos de dragão. As duas primeiras possuem quatro, enquanto a terceira possui apenas um e a quarta possui outros quatro, só que mais fortes e longos. Ao pular da nave, sempre caímos direto em um dragão roxo, que funciona como fase inicial. Ao derrotá-lo, pulamos novamente em queda livre, podendo escolher o próximo a ser enfrentado, e assim por diante, como uma seleção de fases. Vale ressaltar que é possível prosseguir sem matar nenhum dos dragões, pois eles se chacoalham e te derrubam se você não for rápido o bastante na hora de abatê-los. Isso não impede de prosseguir, mas não obter a prova da sua vitória adia a evolução de equipamentos que serão importantes no futuro.

Os caminhos percorridos em cada uma das feras nunca são iguais. Nem mesmo a localização dos itens e atalhos se mantém entre uma partida e outra. Logo, inimigos encontrados nas costas de um tipo de criatura podem não estar lá na sua próxima jogada. Mesmo assim, a sensação de mesmice aparece depois de um tempo, reforçada pelo fato de sempre que morremos e recomeçamos, o dragão roxo é o ponto de partida obrigatório.

Sydney e Stanley possuem os mesmos comandos, com leves alterações. Enquanto o rapaz só pode dar saltos simples e longos, a jovem consegue dar pulos duplos e dashes horizontais ou diagonais, meio difíceis de dominar. Isso torna a jogabilidade entre eles levemente diferenciada, o que influencia na hora de encarar os inimigos pelo caminho. Entretanto, ambos possuem a mesma maneira de exterminá-los: pulando sobre suas cabeças. Se quiser algo mais simples, opte por Stanley, e quando estiver seguro em movimentos mais ousados, arrisque-se com os "voos" de Sydney.

Equipados e hidratados

Além de inimigos, as fases possuem diversas bugigangas que são coletadas durante a corrida. Ao voltar para a nave, elas são convertidas em água, que é utilizada como a moeda do jogo. Porém, os itens mais importantes são os ovos de dragão. Cada criatura espalha três ovos em pontos específicos da fase, e eles servem para evoluir os artefatos que nos ajudam em nosso trajeto.

Os artefatos são obtidos como um prêmio após derrotar cada dragão pela primeira vez, e são dados ao retornar à nave com algum dente ou olho do colosso derrotado. Estes itens especiais servem para auxiliar na hora de derrotar os inimigos menores e variam entre espadas, escudos refletores, poções, pães que dão força e botas que conferem pulos diferenciados. Eles são encontrados no meio das fases e podem ser usados em um determinado período de tempo. Às vezes são meio difíceis de serem notados, por causa da velocidade do jogo, mas como estão sempre em quantidades abundantes, não chegam a criar um problema enorme.

Só mais uma…

EarthNight conseguiu misturar os estilos roguelike e runner de uma maneira que o jogador sempre irá querer tentar mais uma vez antes de desligar o console, tudo por causa daquele dragão que ainda não matou ou daquele ovo que não conseguiu pegar. Junte isso aos belíssimos visuais pintados à mão e à trilha sonora bastante grudenta, e temos aqueles famosos 10 minutos que logo viram 3 horas. A repetitividade do mecanismo consegue ser suavizada graças aos power-ups e mesmo sem ter falas, Sydney e Stanley são dois personagens adoráveis. É um jogo que vai prender até quem não é fã do gênero.


Prós

  • Jogabilidade geral simples e viciante;
  • Belo trabalho artístico visual e sonoro;
  • Quase nenhuma tela de loading.

Contras

  • Algumas vezes bate a sensação de estarmos em algo muito repetitivo;
  • Em alguns momentos é difícil acompanhar a velocidade e enxergar os itens na tela.
EarthNight — PC/PS4/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela Cleaversoft

é pai do próximo Batman, tio de uma princesa e viúva da Sega. Só sabe jogar títulos de luta, se mata frequentemente em FPS e adora uma velharia (que todo mundo agora gosta de chamar de retrô). Ah, ele está esperando até agora pelo Ridge Racer dessa geração também.

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