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Análise: Ghost Parade (Multi) e a jornada para salvar um bem maior

A floresta misteriosa precisa de ajuda, e Suri, com os fantasmas e seres que ali vivem, farão de tudo para salvá-la dos homens que estão a destruindo.

Ghost Parade (Multi) é um jogo de ação e aventura de estilo plataforma 2.5D, lançado no dia 31 de outubro de 2019 e desenvolvido pelo estúdio indonésio Lentera Nusantara Studio Corporation. O título me lembrou Child Of Light (Multi), desenvolvido pela Ubisoft, por ter uma garotinha como protagonista e por ter como principal cenário uma floresta com a tonalidade de cores mais puxadas para o verde e azul. Mas as semelhanças acabam por aí e a originalidade de Ghost Parade se apresenta com uma história tocante sobre uma garota que se importa em salvar o lar de seus amigos e uma dificuldade de início tímida mas que aumenta conforme avançamos.

O grande propósito de Suri

Suri é uma garota que, um dia, acaba perdendo o ônibus depois da escola. Diante disso, ela decide voltar para casa a pé pela floresta, porém ela acaba se perdendo. Por sorte Bunian, uma senhora que é responsável por guardar a entrada da floresta, ajuda Suri ao dar a ela uma lanterna. Sendo assim, a garota continua sua caminhada e acaba encontrando Tuyul, um fantasma que também está perdido. Suri, acompanhada por Tuyul, continua a sua jornada e outro fantasma aparece: Mr. Poci, um fantasma que diz ter dormido por 70 anos e que acredita estar vivo.

Suri após ganhar a lanterna de Bunian.
Pelo caminho, Suri e seus amigos fantasmagóricos notam que os seres que vivem na floresta estão muito violentos, e eles descobrem que o motivo é a exploração da floresta pelos humanos. Sendo assim, a volta para casa fica em segundo plano e os heróis decidem salvar a floresta dos humanos exploradores. Para isso, a garota contará com a ajuda de seres e guardiões da floresta, além de outros fantasmas que aparecem no decorrer da história — são muitos os que podem se juntar a sua causa e fazer parte desta jornada. 

Lindo e desafiador, mas não recomendando para os ansiosos

Ghost Parade tem uma direção de arte incrível! Os cenários são todos muito bem trabalhados, dá para ver que cada um teve seu devido cuidado, cada área é única: a floresta tem muitas árvores detalhadas ao fundo, as vilas são bem coloridas, repletas de cabanas e o mercado dos fantasmas é o que chega mais próximo de um lugar urbano com detalhes de lojas e casas. O traço dos personagens e inimigos lembram os de desenhos japoneses, os famosos animes e mangás. O título possui uma trilha sonora suave e gostosa, mas nada de muito marcante, e os personagens não apresentam dublagem: a narrativa acontece por meio de texto e ilustrações das reações dos personagens, assim como em Child Of Light, por exemplo. Os menus são simples, mas objetivos. Ghost Parade está disponível em 4 idiomas: inglês, indonésio, japonês e chinês.

Todos os cenários apresentados são lindos e bem detalhados.
Como o jogo usa conceitos do gênero metroidvania, existe aqui uma dificuldade bem grande em algumas partes. Os inimigos comuns são compostos por insetos, bestas de pedra, humanos e outros, já os chefes variam entre uma aranha gigante, um mosquito gigante, humanos dentro de máquinas e etc. Cada um nos ataca com uma intenção diferente: os insetos e outros seres desejam proteger a floresta, já os humanos querem explorar o local e impedir a heroína. Os chefes têm uma dificuldade até que moderada, nada impossível. A mesma coisa ocorre com os guardiões, eles aparecem mais para o final do jogo, aqui a dificuldade maior passa a ser chegar até eles, o confronto em si não é tão empolgante.

Enfrentando a aranha gigante.
Para avançarmos pelo mundo de Ghost Parade, temos de saltar em plataformas, desviar de bolas de fogo, escapar de espinhos venenosos, e mais, o jogo apresenta grande variedade de desafios. Soltei alguns palavrões durante a minha jogatina por ter tido dificuldade em algumas partes, seja por causa de uma bola de fogo que me atrapalhou ou de algum espinho venenoso que não consegui desviar. Esse é o grande diferencial de Ghost Parade: a floresta quer testar o jogador, ela quer ver até onde você vai para salvá-la, e digo isso também porque até os chefes fazem o mesmo.

O mapa é enorme e muito bem feito esteticamente.
No mapa, temos no total 9 áreas exploráveis através de muitas passagens, como montanhas, vilas, navio pirata, e muito mais. Nas vilas e no mercado dos fantasmas existem 3 minigames: pescaria, fazer poções e vender produtos no mercado dos fantasmas. Nessas atividades, conseguimos algumas recompensas, como moedas ou acessórios para Suri. 

Temos também à disposição em algumas passagens das áreas as viagens rápidas, mas aqui há um pequeno problema: o jogo não dá a localização exata de onde vamos parar, fazendo com que uma funcionalidade que era pra ser boa acabe sendo um pouco frustrante. A função traz uma lista com o nome das muitas passagens de cada área de mapa, e o jogo poderia ter colocado o nome da passagem mais a área denominada a ela ou a possibilidade de acessarmos o mapa e escolhermos qual passagem com viagem rápida ir. Isso facilitaria muito ao realizar as missões ou ao enfrentarmos os chefes.

A árvore de habilidade de Suri.
Elementos de RPG também estão presentes no título. Suri possui uma árvore de habilidade, e ao subir de nível a garota recebe pontos para desbloquear novas técnicas. Além disso, a heroína pode equipar acessórios, como brincos e tiaras de cabelo, que apresentam funções diversas, como aumentar a vida ou a defesa. Ingredientes de receitas, itens e poções ficam guardados no inventário. Por fim, há um bestiário com informações dos fantasmas, seres da floresta e inimigos. 

Este é o menu de pausa, ele nos dá acesso ao mapa, árvore de habilidade, inventário, acessórios, bestiário e as configurações do jogo.
Há missões a se fazer e elas se dividem em dois tipos. As missões principais fazem parte da campanha e é necessário completá-las para fazer a história avançar. Já as secundárias consistem principalmente ajudar os fantasmas em tarefas diversas. É importante completar as tarefas opcionais, já que muitos dos fantasmas e seres só entram para a equipe caso seus apelos sejam atendidos. Os fantasmas e seres auxiliam Suri com diversos poderes e efeitos, como ataques especiais, feitiços de cura ou proteção, e muito mais. Fica a cargo do jogador escolher qual a melhor equipe de fantasmas e seres poderão se juntar a você durante a jornada.

As telas de carregamento apresentam belas ilustrações dos fantasmas do jogo.
Durante minha jogatina, não tive o desprazer de sofrer com bugs, mas teve um momento após uma cena em que o jogo apresentou queda de frames, mas o desempenho voltou ao normal após reiniciá-lo. Uma coisa que me deixava frustrado eram as telas de carregamento, pois o jogo é repleto delas. Tudo bem elas aparecerem entre uma cinemática ou outra, mas toda vez que eu morria, ou ia para outra passagem ou área do mapa ela aparecia e isso era muito irritante.

Por trás de uma grande jornada há um fim espetacular

Ghost Parade tem uma narrativa simples e objetiva, seus personagens são carismáticos, seu humor é inocente, sua história tem um grande fundo de conscientização por trás de tudo e confesso que o jogo superou as minhas expectativas. Você pode não ficar lá muito empolgado com a dificuldade dos inimigos e chefes, mas a que é vista nas passagens acaba sendo um bom atrativo para quem gosta de desafio. Você vai passar por uns momentos de raiva, mas nada é impossível, basta insistir para conseguir superar as dificuldades.

Prós

  • Boa história, narrativa simples e personagens carismáticos;
  • Direção de arte e design dos personagens incríveis;
  • Tem uma boa dificuldade para quem gosta de desafios.

Contras

  • Confusão com as viagens rápidas pode ser frustrante;
  • Telas de carregamento frequentes ao mudar de área ou ao ressurgir.
Ghost Parade - PC/PS4/SWITCH - Nota - 9.5
Versão utilizada para avaliação: PS4
 Análise produzida com cópia digital cedida pela Aksys Games
Revisão: Farley Santos

Poderia estar dando um rolê na Epoch, ou participando do torneio do Mortal Kombat, e quem sabe escapando de alguns zumbis, mas estou aqui, feliz por estar escrevendo sobre games.

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