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Análise: Sky Racket (PC) — rebatendo tiros e quebrando blocos em um shoot’em up criativo

Esse título indie produzido por um estúdio brasileiro aposta em mecânicas diferenciadas para trazer novidade ao gênero.


Uma divindade foi capturada e a única esperança do universo é um artefato capaz de rebater projéteis. Essa é a motivação da aventura em Sky Racket, título indie produzido pelo estúdio carioca Double Dash Studios. O jogo pega conceitos de shoot’em ups e combina com mecânicas de block breakers para oferecer uma experiência curiosa e frenética. O resultado é um jogo ímpar e criativo, que peca em alguns aspectos.

Explorando o universo para salvar uma divindade

Um dia, a Deusa Capivara Santana foi raptada por Korrg, um tirano que deseja utilizar o poder dela para fins nefastos. Presa e quase sem poder, em um ato desesperado, a divindade lança pela galáxia duas Sky Rackets, uma dupla de artefatos poderosos capaz de se opor às forças de Korrg. Duas crianças encontram as raquetes especiais e se tornam RacketBoy e RacketGirl, que vão viajar por todo o universo a fim de tentar salvar a Deusa.

O conceito principal de Sky Racket lembra um shoot’em up (também conhecido como “jogo de navinha”) de progressão lateral. Controlando um dos dois protagonistas, precisamos derrotar inúmeros inimigos curiosos que aparecem pelo caminho ao mesmo tempo em que desviamos de perigos. O curioso é que para atacar os heróis precisam rebater os projéteis de volta nos inimigos, fazendo com que o jogo funcione como uma partida de tênis espacial frenético.


Em muitos trechos dos estágios, aparecem blocos que impedem o progresso. Nesses momentos, Sky Racket vira uma espécie de block breaker, ou seja, aqueles títulos que precisamos rebater uma bola continuamente para destruir todos os obstáculos da tela, como Arkanoid. Como é de praxe, os projéteis ficam mais rápidos e poderosos com rebatidas em sequência, o que incentiva a ser preciso e rápido. Animais de suporte podem ser encontrados durante as fases, cada qual com algum poder útil, como um laser poderoso ou criação de escudo.

A aventura é dividida em inúmeros estágios, com uma batalha contra um chefe no final de cada mundo. Todas as fases apresentam várias missões extras, como destruir uma quantidade específica de blocos, não ser atingido nenhuma vez ou encontrar segredos, que são bons incentivos para jogar novamente cada trecho. Há também multiplayer cooperativo local para duas pessoas.


O tom de Sky Racket é claramente inspirado em desenhos animados com seus personagens divertidos, como uma deusa capivara, bananas furiosas, esquilos controlando naves e mais. É tudo muito colorido e detalhado, com visual pixel art com ares retrô. A abertura, inclusive, é uma animação caprichada e estilosa, que lembra os vídeos de introdução de animes da década de 1990. Uma trilha sonora com composições energéticas dita o tom da ação.

Uma mescla interessante de gêneros com alguns tropeços

Sky Racket tem uma proposta no mínimo estranha ao misturar shoot’em up com mecânicas de rebater bolas e quebrar blocos. Felizmente o conceito funciona muito bem, o que resulta em um jogo frenético e criativo. Gostei bastante de rebater projéteis enquanto desvio de inimigos e tiros, pois somos constantemente forçados a balancear posicionamento, ataque e movimentação. Alguns trechos apresentam padrões complicados que remetem ao subgênero bullet hell, que se destacam por sua complexidade — é recompensador conseguir sobreviver a esses momentos tensos.


Além de apresentar uma mecânica principal única, o jogo conta também com grande variedade de situações nos estágios. As primeiras fases são bem tradicionais e lembram um shoot’em up básico com eventuais momentos de quebrar blocos, mas há momentos interessantes, como uma parte em que estruturas tentam esmagar os heróis. Já outra situação simula uma mesa de pinball com a presença de flippers, bumpers e outros elementos característicos. Há também várias partes que o objetivo é escapar de uma chuva de balas, principalmente nos chefes. Além disso, cada fase tem várias missões interessantes e trazem sobrevida ao jogo — a jornada básica é curta, mas para ver o final verdadeiro e acessar um mundo extra é necessário completar todas as tarefas opcionais.

Mesmo sendo muito criativo, Sky Racket tem alguns problemas que atrapalham a experiência. O primeiro deles é a confusão visual: às vezes tem tanta coisa na tela que é difícil saber o que está acontecendo. Um problema sério, ao meu ver, é que a cor de alguns colecionáveis é muito próxima da coloração de projéteis dos inimigos — várias vezes fui atingido ao coletar itens por não conseguir ver que tinham tiros próximos. Em outros trechos, os projéteis se confundem com a arte de fundo dos cenários. Acredito que faltou um pouco de balanceamento visual em trechos específicos.


Um outro detalhe que me incomodou foi a mecânica de rebater. No jogo, a direção dos projéteis rebatidos depende da posição do personagem. Por exemplo, se eu quero que o tiro vá pra cima, tenho que bater por baixo; já para ele ir reto e para frente, precisamos fazer a raquetada na hora certa quando ela está exatamente na frente do herói. Depois de um tempo e com prática você consegue fazer movimentos mais precisos, mas não deixa de ser uma escolha estranha.

Eu entendo que essa escolha se dá baseado em Arkanoid, um dos títulos que inspirou Sky Racket, no entanto a falta de controle é um pouco frustrante, principalmente nos momentos em que há muitos perigos na tela e você precisa lançar o tiro com precisão em algum inimigo — nas partes mais frenéticas eu simplesmente passei a bater de qualquer jeito e torci para o tiro acertar algo. Em algumas batalhas contra chefes esse problema fica ainda mais aparente, pois elas exigem uma precisão que as mecânicas não oferecem.


Por fim, a jornada apresenta picos de dificuldade desagradáveis. O jogo tem dificuldade moderada, porém, do nada, em alguns trechos, ele fica muito difícil: a quantidade de inimigos e projéteis aumenta exponencialmente e morrer é quase inevitável. As batalhas finais são bem frustrantes e precisei de inúmeras tentativas para decorar os padrões e sair vitorioso.

Tênis espacial frenético que vale a pena

Sky Racket cativa com sua combinação curiosa entre shoot’em up e block breaker. É divertido rebater projéteis ao mesmo tempo em que escapamos de perigos em estágios repletos de situações criativas e complicadas. Além disso, a atmosfera é cativante com visual e tema inspirados em desenhos animados e há incentivos para revisitar as fases. Entretanto, alguns detalhes incomodam, como a mecânica estranha de rebater os tiros, picos de dificuldade e a bagunça visual. No fim, Sky Racket é uma boa opção para os apreciadores do gênero shoot’em up que procuram algo diferente.

Prós

  • Conceito criativo que combina gêneros de quebrar blocos e shoot’em up de maneira concisa
  • Boa variedade de desafios e situações pelos estágios;
  • Missões variadas incentivam revisitar as fases;
  • Áudio e visual carismáticos.

Contras

  • A direção dos projéteis rebatidos depende da posição do personagem, o que não oferece a precisão necessária em certos trechos;
  • Picos de dificuldade desagradáveis;
  • Confusão visual atrapalha em alguns momentos.
Sky Racket — PC — Nota: 7.5
Análise produzida com cópia digital cedida pela Dangen Entertainment

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.

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