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Prévia: Atelier Ryza: Ever Darkness & The Secret Hideout (Multi) e o início de uma nova aventura alquímica

RPG que começa uma nova saga da série Atelier promete batalhas mais dinâmicas e uma jornada de crescimento de um grupo de adolescentes.


Apesar de ter sido iniciada no PlayStation com Atelier Marie em 1997, a série de RPGs Atelier só veio ao Ocidente a partir de 2005. Com Atelier Iris: Eternal Mana (PS2), o primeiro a ser lançado em inglês, a desenvolvedora Gust estava explorando um lado mais tradicional dos RPGs que era um tanto distante do que a série usualmente fazia.

Desde então, todos os jogos principais de Atelier foram traduzidos, apesar de alguns spin-offs e versões específicas (como Atelier Rorona 3DS) terem ficado por lá. Como é uma série bastante prolífica e com lançamentos anuais, é fácil se assustar e ficar confuso sobre o ponto de entrada.

Nesse sentido, este ano temos uma excelente oportunidade de acompanhar o início de uma nova saga Atelier apenas um mês após seu lançamento japonês. Trata-se de Atelier Ryza: Ever Darkness & The Secret Hideout, mas o que esse jogo traz para a série?

Uma aventura de verão regada a alquimia

Atelier Ryza acompanha a história da jovem Reisalin Stout, mais conhecida por seu apelido "Ryza". Apesar de ser uma garota comum, ela tem um forte senso de justiça e é bastante teimosa. Junto com seus amigos de infância, Lent, Klaudia e Tao, ela sonha em fugir da vila em que vive em busca de aventura. Depois de se reunir, o grupo decide partir em uma jornada para o lado oposto da ilha, um lugar proibido pelas lendas locais.


Lá eles encontram um homem que usa o misterioso poder da alquimia, que até então eles não conheciam. Encantada com aquela arte, Ryza decide se tornar pupila dele e começar sua jornada para se tornar uma alquimista. Graças a esse poder, eles terão a possibilidade de viajar para lugares exóticos que, do contrário, eles não poderiam ter acesso. No entanto, o grupo descobre um perigo à espreita que pode trazer ruína para a ilha em que vivem.

Batalhas mais dinâmicas


Uma das promessas da desenvolvedora é a de que as batalhas no novo jogo são mais dinâmicas. Ao contrário dos jogos anteriores, elas ocorrem em tempo real. Ou seja, pela primeira vez a série opta por um sistema similar ao bom e velho Active Time Battle da série Final Fantasy. Com isso, é importante ter cuidado com o tempo de escolha dos comandos para poder enfrentar os inimigos. No entanto, assim como em Atelier Lulua, também há formas de quebrar os turnos com o uso de AP (action points).

Ao longo da batalha, uma barra de AP, que é comum a todos os membros da equipe, é preenchida. Usando os pontos é possível ativar Quick Actions, itens e habilidades especiais que podem ser ativadas a qualquer momento independente da ordem dos turnos.

Também há um sistema de Action Orders, em que o jogador recebe um pedido de outro personagem para utilizar uma determinada ação. Se ele optar por obedecer, o personagem que pediu a ação irá usar um poderoso golpe especial sem custo imediatamente após.


O ganho de AP também aumenta o Tactics Level. Ao atingir um nível alto, ele permite que os personagens usem golpes mais poderosos, como combos especiais. No entanto, cada personagem só pode usar suas habilidades especiais uma vez a cada batalha, então é importante ter um bom timing.

Uma alquimia com ainda mais potencial


Mas não foi só o sistema de batalha que ganhou novos elementos. A síntese também mudou, apresentando agora um sistema de “Linkage”, em que os itens devem ocupar posições estratégicas na receita e essa escolha irá afetar os resultados do processo de alquimia. E isso não se refere apenas à qualidade do produto, mas à abertura de novas receitas de acordo com as escolhas do jogador.

Itens também podem ser reconstruídos através da mecânica de Rebuild Item, que os torna mais poderosos, mas mais complicados de usar. Ou seja, é importante escolher bem até onde fortalecer os itens, já que eles podem acabar se tornando recursos que poucos personagens conseguem usar caso o jogador exagere nessa mecânica.

A principal mudança para a síntese, no entanto, é a mecânica de gathering synthesis. Esse sistema permite ao jogador gerar suas próprias áreas de coleta de materiais. Combinando certos ingredientes, uma área especial será gerada e, caso o jogador considere que explorá-la traz boas recompensas, pode até mesmo compartilhá-la online através de um sistema de senhas (igual àquelas dos jogos antigos que serviam para gravar o progresso do jogador).

Uma jornada um pouco diferente


Vale destacar também a novidade da base secreta. Como as atividades do grupo são um segredo, eles decidem criar um local onde Ryza pode fazer sua alquimia e eles podem se organizar para enfrentar os perigos da jornada.

Esse “ateliê” é customizável, sendo possível alterar as paredes, o teto, os sofás, tapetes, entre outras coisas. Dependendo dos itens utilizados, vários benefícios podem ser obtidos, como, por exemplo, aumentos de atributos como ataque, defesa ou agilidade de Ryza e seus aliados.

Um detalhe curioso, no entanto, é que o jogo também não apresentará finais de personagens, algo que não acontece desde a trilogia Iris. Considerando a aparente importância do relacionamento dos personagens para o jogo, é uma escolha curiosa. Isso não implica que a aventura não terá peso nesse aspecto, que pode ser desenvolvido em sidequests e na própria história principal, mas é de fato estranho o seu corte.

Com todas as informações que temos, Atelier Ryza promete um gameplay mais dinâmico, uma história de crescimento de um grupo de adolescentes e uma jornada mais épica (em comparação com o tom mais leve usual da franquia). Será interessante ver como esses novos elementos e a tradição da série irão se misturar nesse caldeirão de alquimia. A princípio, parece uma excelente forma de dar uma chance à série para quem ainda não teve essa oportunidade e diversão garantida para quem já a conhece. 

Atelier Ryza: Ever Darkness & The Secret Hideout — PC/PS4/Switch
Desenvolvimento: Gust
Gênero: RPG
Lançamento: 29 de outubro de 2019
Expectativa: 4/5

Revisão: Farley Santos

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.

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