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Análise: Ghostbusters: The Video Game Remastered (Multi) é um prato cheio para os fãs da franquia, mas passa longe de ser um remaster

Os Caça-Fantasmas reaparecem para comemorar os 35 anos do lançamento de seu primeiro filme


Desenvolvido pela Saber Interactive e publicado pela Mad Dog Games, Ghostbusters: The Video Game Remastered (Multi) chegou em quatro de outubro celebrando os dez anos de seu lançamento na geração passada, além dos 35 anos da estreia do filme Os Caça-Fantasmas, de 1984.

Dentro da pouca atenção que recebeu em seu lançamento original, em 2009, o jogo teve ótima recepção pelos fãs da franquia. Mas será que sua nova versão traz melhorias significativas para adquirir novos fãs e reconquistar os antigos? Descubra na nossa análise!

De volta à caça!

A trama de Ghostbusters: The Video Game Remastered se passa dois anos após os acontecimentos do segundo filme. Um evento sobrenatural acontece na exposição do Gozer, vilão do primeiro filme, no Museu de História Natural. Com isso, vários fantasmas e criaturas, alguns deles inimigos já conhecidos, se espalham pela Nova Iorque dos anos 90.

Passando por vários cenários já conhecidos, como a Times Square e a Biblioteca Pública, fica por conta de Peter, Ray, Egon, Winston e um novo membro da equipe solucionarem os mistérios por trás dos eventos fantasmagóricos e capturar as entidades e criaturas que estão aterrorizando a cidade.


Escrito por Harold Ramis e Dan Aykroyd, atores e roteiristas dos longa-metragens, o título pode facilmente ser considerado um terceiro filme da franquia (esquecendo o reboot desastroso de 2016). Contando com elenco e roteiristas originais, o resultado final mostra os cuidados com os mínimos detalhes, relacionados à história e referências, que a equipe teve com o jogo para manter a fidelidade com a série.

Diversos cenários, como a sede dos Caça-Fantasmas e a Hotel Sedgwick, foram perfeitamente recriados para o título. Com os atores originais emprestando seu talento, os personagens principais carregam toda sua personalidade conhecida nas telonas, como Peter com seu andar presunçoso e jeito mulherengo. O humor simples e inteligente da franquia também está presente no jogo, proporcionando momentos hilários em meio a "tensão" na busca pelos fantasmas.



A trilha sonora, tão marcante e icônica nos filmes, também se faz bastante presente. No começo é divertida e nostálgica, mas que funciona melhor em um filme de quase duas horas. Não demora muito para que se torne repetitiva e cansativa.

Não esqueça sua mochila de prótons!

Na campanha, o jogador controla o novo membro da equipe, que não tem nome, nem falas e atende por Cadete. Assim como nos filmes, somos equipados com a mochila de prótons, a principal arma dos cientistas. Para capturar os fantasmas é preciso enfraquecê-los com o raio de prótons e prendê-los em armadilhas. A mochila de prótons funciona com um sistema de resfriamento, se deixá-la superaquecer será nocauteado, removendo grande parte de sua vida.

Outros tipos de ataques são desbloqueados automaticamente durante a campanha, como o tiro de slime e o raio de choque, cada qual sendo vantajoso contra determinados tipos de fantasma. O PKE Meter, outra ferramenta indispensável para um Caça-Fantasmas, também faz parte do nosso "arsenal". A ferramenta ajuda a encontrar inimigos, realizar um scan de fantasma para obtermos mais informações e identifica itens colecionáveis.



Na mochila também fica a barra de vida do Cadete, que no meio da ação passa completamente despercebida, e o nível de aquecimento da arma de prótons, deixando a tela completamente limpa de informações, com exceção a raros momentos em que o jogo atualiza um objetivo da missão.

Os ambientes são ricos em detalhes, quase totalmente destrutíveis e com algumas interações, principalmente na sede da equipe com objetos coletados pelas fases e itens clássicos dos filmes pelo cenário.



Os menus também chamam bastante atenção. Pela navegação é possível realizar melhorias de armas e itens, acessar informações sobre fantasmas "escaneados" e do progresso do jogo, como dinheiro ganho e custos de danos causados durante as missões (algo que só é relevante para conquista de troféus, mas não deixa de ser uma curiosidade).



Tem coisa mais assustadora que os fantasmas? Sim!

Apesar da fidelidade com a franquia ter sido mantida em vários aspectos, o jogo traz alguns problemas que podem atrapalhar, ou até mesmo frustrar, durante a jogatina. 

Um dos que mais incomodaram durante a campanha foram momentos em que fantasmas ficavam presos em paredes ou lugares dos quais não conseguiam sair (irônico, não?), impossibilitando de levá-los até as armadilhas para terminar a captura. Como a missão prossegue apenas com todos os fantasmas da área capturados, foi preciso reiniciar o último checkpoint e refazer essas partes.



A campanha curta, com cerca de seis a oito horas divididas em oito fases, segue de forma linear e com missões muito idênticas, com exceção das batalhas com chefões. Apesar da grande variedade de fantasmas entre as fases, a gameplay cai na repetição em seguir sempre o mesmo padrão: chegar no local, seguir por um único caminho, capturar uns fantasmas e enfrentar o chefão. A falta de ousadia no desenvolvimento faz com que a experiência caia na mesmice e não traga muitas novidades no desenrolar da história.

A dificuldade pode ser outro ponto que incomode alguns jogadores. Mesmo escolhendo jogar no casual ou experiente no início da campanha e, em sua maior parte, manter-se em um nível desafiador, diversas vezes nos víamos cercados por uma quantidade de inimigos exagerada. Uma vez que só é possível focar em um fantasma por vez, esses momentos tornavam-se muito demorados e até frustrantes, te fazendo perder mais tempo revivendo os NPCs e tentando desviar de diversos ataques simultâneos do que, de fato, estar em ação.



A resistência dos Caça-Fantasmas é outro ponto muito negativo. Bastam pouquíssimos golpes, ou apenas um de um chefão ou inimigo mais forte, para te nocautear, além da recuperação da saúde ser muito lenta. Talvez seja pelo fato de os cientistas não serem como super-heróis ou algo do tipo trazer um pouco mais de realismo num jogo onde caçamos fantasmas, mas que não deu muito certo e atrapalha o andamento do jogo.

Os gráficos tiveram melhorias bastante leves, pra não dizer imperceptíveis. O jogo está sim muito bonito, mas passa longe do que a atual geração pode realmente proporcionar. A falta de legendas em português, o que dificulta a compreensão em certas partes por conta do vocabulário científico, foi outro deslize, além da remoção do modo multiplayer presente na geração passada.



Vale a pena?

Ghostbusters: The Video Game Remastered chegou sem muito alarde para a nova geração e claramente é um trabalho para os fãs da série e comemoração dos dez anos do título original e 35 anos da franquia nos cinemas. 

Mesmo com diversos elementos dos filmes, elenco e trilha sonora originais, humor muito bem feito e a atenção à fidelidade, o jogo traz alguns problemas em certos pontos, além de tornar-se repetitivo. A versão remasterizada perdeu a oportunidade de agregar novidades ao jogo e as leves melhorias gráficas não justificam o "Remastered" no título.


Prós

  • Fidelidade com a franquia
  • Humor simples e inteligente
  • Trilha sonora e elenco original
  • Comandos fáceis e intuitivos

Contras

  • Melhorias gráficas quase imperceptíveis
  • Missões repetitivas
  • Dificuldade exagerada em certas partes, que independem de habilidades do jogador
  • Remoção do modo multiplayer
  • Falta de legendas em português
Ghostbusters: The Video Game Remastered — PC/PS4/XBO/Switch Nota: 6,5 Versão utilizada para análise: PS4

Análise produzida com cópia digital cedida pela Mad Dog Games
Revisão: Raphael Barbosa

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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